
5 DE MARÇO DE 2026
19ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência. Parabeniza o deputado Carlos Giannazi pelos trabalhos prestados durante seus mandatos.
3 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
4 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Endossa o pronunciamento do deputado Carlos Giannazi.
5 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
6 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
10 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
11 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - REIS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
13 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defere o pedido. Faz aditamento à Ordem do Dia. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 06/03, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h55min.
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* *
ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Carlos Giannazi.
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-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
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O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o Expediente. Com a palavra a deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Thainara Faria. (Pausa.) Com a palavra o deputado Reis. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Marcelo Aguiar.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Itamar Borges. (Pausa.) Com a palavra o deputado Bruno Zambelli.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Dani Alonso. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Atila Jacomussi. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Leci Brandão.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Capitão Telhada. (Pausa.) Com a palavra o deputado Danilo Campetti.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Edson
Giriboni. (Pausa.) Com a palavra o deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Com a palavra a deputada Letícia
Aguiar. (Pausa.) Com a palavra a deputada Andréa Werner. (Pausa.) Com a palavra
a deputada Carla Morando. (Pausa.)
Agora eu passo a palavra para o
deputado Suplicy continuar presidindo essa sessão.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Eduardo
Suplicy.
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* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Obrigado,
deputado Carlos Giannazi. Mais uma vez eu o cumprimento pela sua persistência,
dedicação e presença no cotidiano aqui do Pequeno e do Grande Expediente, de
maneira a honrar também o seu mandato. Então, tem a palavra agora o deputado
Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, público
presente e telespectador da TV Assembleia, mais uma vez eu venho à tribuna da
Assembleia Legislativa para denunciar o que o governo estadual, a gestão
Tarcísio/Feder, está fazendo com a Educação de São Paulo.
Não contente
com todo o desmonte em curso da nossa educação, dos ataques aos profissionais
da Educação, Sr. Presidente, redução do orçamento da Educação, fechamento de
salas no período noturno em todo o estado de São Paulo, impedindo que os alunos
trabalhadores possam estudar à noite, no período noturno, sobretudo os alunos
do ensino médio; as perseguições os assédios, a ditadura, a máfia das
plataformas digitais. Enfim, há em curso um verdadeiro desmonte da Educação
estadual para que ela seja privatizada e militarizada.
Mas, não
contente com isso, o governo resolveu tentar dar um tiro de misericórdia na
Educação do estado de São Paulo. Ele pretende aprovar aqui na Assembleia
Legislativa, aqui no plenário, o Projeto de lei nº 1316, de 2025, que ele
protocolou no ano passado e que está em regime de urgência o projeto, Sr.
Presidente.
É um projeto
extremamente punitivista, que criminaliza e tenta legalizar todos os ataques
feitos através de resoluções, portarias, pela Secretaria da Educação, contra os
profissionais da Educação. Esse projeto é tão ruim, mas tão ruim, Sr.
Presidente, que o governo nem tem certeza se vai conseguir os votos da base do
governo, porque os deputados da base governista aqui estão com medo de votar
nesse projeto.
É muito ruim,
ninguém subiu aqui à tribuna para defender esse projeto, de tão ruim que ele é.
Nem na audiência pública, essa última que teve aqui, sobre esse projeto, nós
não tivemos a presença dos deputados da base do governo para defender o projeto.
Então, é que o projeto é ruim mesmo, que é um projeto que criminaliza o
magistério estadual, Sr. Presidente. Ele tem vários pontos nesse sentido, como,
por exemplo, ele vai transformar a falta-aula do professor em falta-dia.
Se um
professor, durante uma semana inteira, ele faltou quatro aulas, não quatro
dias, ele faltou uma aula na segunda-feira, ou duas, uma outra na terça, porque
ele adoeceu, ou precisou levar o filho no médico, aconteceu algum imprevisto,
que acontece com qualquer trabalhador, mas ele deu as outras aulas todas
naquele dia, ele não deu a primeira na terça-feira, talvez não tenha dado a
última em um determinado dia da semana, mas se ele fez isso durante um mês, na
verdade, inteiro, ele vai perder não quatro aulas, ele vai perder quatro dias.
E isso vai
crescendo, vai escalando cada vez mais, que é uma forma de punir o professor. E
é uma medida extremamente burra, Sr. Presidente, porque se o professor percebe
que ele não vai chegar a tempo na escola, e ele vai ter a falta, então por que
ele vai dar as outras aulas, se ele não vai receber aquelas aulas? Ele não vai.
É um absurdo,
porque o projeto, ao invés de estimular o professor a ir para a escola, ele faz
o contrário do que ele pretende, mas é para punir o professor, a professora. Ele
vai descontar do ALE, que é o Adicional de Local de Exercício, seu presidente,
se o professor tira a licença médica, se o professor falta, ele desconta no
ALE.
Olhe que
absurdo, como o governo está mesquinho para punir os professores, ele institui
a remoção compulsória. A remoção, que normalmente tem sido regulada aqui por
concurso público de provas e títulos na rede estadual de ensino, ela pode ser
feita agora também de forma compulsória, de duas maneiras: ou a critério da
administração, ou através das avaliações de desempenho, que também têm um
destaque muito especial nesse projeto de lei.
Essa avaliação
de desempenho é subjetiva, ela é punitivista, e ela serve, Sr. Presidente,
depois, para prejudicar os professores na atribuição de aulas, na permanência,
na evolução do professor, ela prejudica todos esses aspectos da vida do
professor, da vida profissional do professor.
E tem mais
aqui, Sr. Presidente, tem a questão também do recesso, aquele recesso do final
do ano, de dez dias, agora vai ficar a critério da Secretaria de Educação, ou
seja, do governo, de plantão. Os professores vão depender, todos os servidores
da Educação ficarão reféns dos humores, das vontades do secretário de Educação
de plantão daquele governo.
Então, são
vários os ataques. Eu citei alguns deles aqui, Sr. Presidente, os mais
latentes, os mais preocupantes, tem outros também. E o projeto é tão ruim, o
governo não tem certeza se ele vai conseguir aprovar, Sr. Presidente, que ele
mandou o projeto aqui, não como PLC, como projeto de lei complementar, porque
esse projeto, 1316, ele vai alterar oito leis complementares do estado.
Vai mexer com o
Estatuto do Funcionalismo Público do Estado de São Paulo, vai mexer com o
Estatuto do Magistério, são todas leis complementares. Ele mandou em forma de
PL, buscou uma brecha ali na jurisprudência, porque ele tem medo, porque é mais
difícil aprovar PLC.
Projeto de lei
Complementar precisa de mais gente aqui, de mais deputados, um número maior de
votos. O PL não. O PL, o Projeto de lei, é mais fácil de votar aqui porque
diminui o número de deputados e deputadas votando no projeto.
Então o governo
usou essa tática, só que é um projeto que criminaliza e destrói ainda mais os
direitos e, sobretudo, a dignidade do Magistério estadual, Sr. Presidente.
Então, por isso que nós somos contra o projeto, estamos obstruindo o projeto em
todos os níveis. Amanhã haverá uma grande manifestação na Av. Paulista, dos
profissionais da Educação, do Magistério, uma manifestação chamada pela
Apeoesp.
Nós estaremos
lá presentes, apoiando. E vamos continuar lutando aqui na Assembleia
Legislativa - para que o projeto não seja aprovado - e também nas ruas, junto
com os profissionais da Educação.
E lutando pelo
“Fora Feder”, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Carlos Giannazi, que representa o PSOL e que vem sempre
defendendo a educação para os estudantes, com uma análise crítica muito bem
formulada a respeito da condução da área da Educação pelo governador e
secretário da Educação.
Peço a gentileza de poder agora
presidir a sessão.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos, com a palavra o deputado Alex Madureira.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Major Mecca. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Dr. Elton. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo Mansur. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Paulo Fiorilo.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Conte Lopes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Luiz Fernando
Teixeira. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dirceu Dalben. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Marina Helou. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Rafael
Saraiva. (Pausa.) Com a palavra o deputado André Bueno. (Pausa.) Com a palavra
o deputado Teonilio Barba. (Pausa.) Com a palavra a deputada Professora Bebel.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Ana Perugini. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Beth Sahão. (Pausa.)
Na Lista Suplementar, com a palavra o
deputado Mauro Bragato. (Pausa.) Com a palavra a deputada Marina Helou.
(Pausa.)
Com a palavra agora o deputado Eduardo
Suplicy, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Carlos Giannazi, a cannabis
medicinal: é muito risco ou preconceito? Hoje há um artigo na Folha de São
Paulo, da senadora Mara Gabrilli, uma das autoras de projetos relativos à
cannabis medicinal, a Anvisa, e que está muito bem formulado. Por esta razão eu
venho aqui ler e apoiar as suas proposições.
“A dor tem
muitas formas. Está nas convulsões que interrompem a infância, na espasticidade
que aprisiona o corpo, na náusea da quimioterapia, nas doenças raras e
degenerativas e na dor neuropática que tira a vontade de viver. Para milhões de
famílias, a cannabis medicinal representa a chance de recuperar qualidade de
vida, quando outros tratamentos falharam.
Reduzir esse
debate à afirmação de que há quase nenhum benefício, como publicado no artigo
de Ronaldo Laranjeira desta Folha, ‘Cannabis medicinal é muito risco para quase
nenhum benefício’, em 20 de fevereiro, quando ele ignora um conjunto crescente
de evidências científicas, inclusive produzidas por seus colegas médicos da
Unifesp.
Nos últimos 30
anos, cerca de 30 países regulamentaram a produção e o uso da cannabis
medicinal. Entre os pioneiros está Israel, que investiu em pesquisas, quando
ainda eram raras. A produção começou em 1999 e, segundo o Ministério da Saúde
israelense, mais de 140 mil pacientes utilizam hoje a cannabis como tratamento
contínuo.
No Senado
trabalhamos para superar esse atraso. O País não pode virar as costas para a
ciência e para quem sofre prudência. É essencial em Saúde pública, mas não pode
ser sinônimo de omissão. A cannabis não é panaceia. Como qualquer fármaco,
exige indicação médica, dose adequada e monitoramento.
Cada vez mais,
médicos apontam benefícios em epilepsias refratárias, espasticidade, dor
neuropática crônica e sintomas de mal de Parkinson e Alzheimer, além de
ansiedade e depressão.
O debate
responsável não é entre liberar ou proibir, mas garantir acesso seguro e
fiscalização com produção nacional, controle rigoroso de qualidade, limites de
THC e rastreabilidade.
Cannabis,
cânhamo e agronegócio estão interligados. E o Brasil tem potencial para liderar
esse mercado, clima favorável, solo propício e expertise agrícola. O cânhamo
industrial de baixo teor do THC tem efeito psicoativo relevante, deve ser
diferenciado das variedades destinadas a medicamentos.
O estigma e a
confusão com o tráfico travam o debate no Congresso. A ausência de lei clara
gera insegurança jurídica, judicialização e desigualdade no acesso. Avanços regulatórios
da Anvisa foram importantes para pacientes e para o País. Sem produção
nacional, dependemos de importações. E só acessa quem pode pagar em dólar,
enquanto o SUS absorve os custos elevados por decisões judiciais.
O Projeto de
lei nº 5.511, de 2023, foi construído para enfrentar esse cenário com
responsabilidade. Estabelece regras para cultivo, produção, prescrição e
fiscalização, com participação dos órgãos de segurança e punição a desvios.
Regular não é
incentivo a uso indiscriminado, mas impor critérios técnicos e controle.
Desvirtuar o uso medicinal regulamentado com consumo recreativo é um desserviço
à sociedade. Uma propagação de desinformação que gera aflição e indignação em
pacientes e familiares.
Nosso dever é
garantir fiscalização, avanço científico e acesso ao tratamento. Para quem
convive com a dor, a cannabis medicinal não é risco abstrato, é esperança
concreta. E isso não deveria ser questionado com base em mitos já superados no
Brasil e no mundo. Não é isso que esperamos da medicina.”
Eu gostaria
aqui de elogiar, apoiar, mesmo que Mara Gabrilli esteja em outro partido hoje,
no PSD, eu tenho a convicção de que parlamentares como o senador Paulo Paim,
que também tem um projeto de lei na direção do que a Mara Gabrilli está
apresentando, assim como também o deputado federal, hoje ministro, Paulo
Teixeira, que tem projeto a respeito da cannabis medicinal. Enfim, eu espero
que essa proposição de Mara Gabrilli seja bem acolhida por todos os partidos,
inclusive pelos parlamentares do PT que têm apoiado essa causa.
Sr. Presidente,
Carlos Giannazi, se permitir que eu possa ainda falar de outro tema, depois eu
vou presidir para que V. Exa. use a palavra adequadamente.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR -Mas ontem estive no lançamento do Centro de Memória das
Vítimas da Violência de Estado e do CAIS Mães por Direitos.
Na tarde de
ontem, participei em Santos do lançamento do Centro de Memória das Vítimas da
Violência de Estado e do Cais Mães por Direitos, idealizados pelo movimento Mães
de Maio, coordenado pela querida Débora Silva.
Estavam
presentes no evento, além de várias mães que perderam seus filhos para a
violência do Estado, outros movimentos e organizações sociais, os parceiros do
projeto, a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, a Conecta, os
Direitos Humanos e o governo federal, representados no ato pela ministra dos
Direitos Humanos, Macaé Evaristo, e pela secretária nacional de Política sobre
Drogas, Martha Machado.
Como já falei
diversas vezes neste plenário, a violência policial tem cor, território e
classe social em nosso País. Jovens, negros e periféricos seguem sendo as
principais vítimas de uma política de Segurança Pública racista, que mata em
nome de uma pretensa guerra, completamente ao arrepio das leis e dos princípios
que formam o Estado Democrático de Direito.
O movimento
Mães de Maio e tantos outros movimentos de mães pelo País têm nos ensinado, ao
longo de muitos anos, que a dor pode se converter em luta, em preservação da
verdade e em incidência política.
O Centro de
Memória das Vítimas da Violência de Estado, lançado na tarde de ontem, tem a
importante missão de preservar a memória para que o Estado repare suas vítimas
e para que não repita seus erros. É muito significativo que esse primeiro Centro
de Memória das Vítimas da Violência de Estado esteja sendo implementado na
região de Santos, que tem sido palco de inominável violência policial, como
ocorreu nas operações Escudo e Verão, tirando a vida de tantas pessoas.
Também saúdo a
apresentação do projeto Cais Mães por Direitos, fruto da cooperação entre a
Unifesp e a Secretaria Nacional de Política sobre Drogas, do Ministério da
Justiça.
É fundamental
que a sociedade, a universidade e o Poder Público caminhem juntos,
especialmente quando o objetivo é enfrentar as consequências políticas que
historicamente produzem exclusão, preconceitos e desigualdades. Que esse centro
seja um espaço vivo, um espaço de escuta e de cuidado, de pesquisa, de
incidência e de construção coletiva.
Parabéns a
todos e todas que tornaram este centro de memória possível. Sigamos juntos com
coragem, sensibilidade e firmeza na construção de um país em que a vida e a
dignidade humanas sejam de fato o valor central e balizador da política
pública.
Gostaria ainda,
caro presidente, de também comentar aqui a entrevista dada hoje pela ministra
do Meio Ambiente, Marina Silva, na “Folha de S. Paulo”, que em entrevista
defendeu que o combate à mudança do clima seja tema nacional para a campanha
eleitoral de 2026.
Diz ela,
abrindo aspas, “espero que, independente do recorte ideológico, a questão da
emergência climática de proteção das florestas, da biodiversidade dos povos e
comunidades tradicionais, de fazer com que o Brasil continue sendo um país que
preserva suas imensas riquezas naturais como a principal base de
desenvolvimento, esteja presente no debate nacional”, afirmou, fechando aspas.
Ela participou
de um evento nesta quarta-feira, dia 4, para apresentar os resultados das ações
de combate a incêndio de 2025 e a projeção para o ano 2026. Segundo os dados
divulgados, o País teve 39% a menos de área queimada no último ano, na
comparação da média desde 2016, quando a crise de seca começou a se agravar no
País. O Ibama e o ICMBio já iniciaram as ações de prevenção a incêndios. A
projeção é que, no primeiro semestre de 2026, a situação esteja sob controle.
A partir do
segundo semestre, segundo integrantes do governo federal, o panorama climático
ainda é mais incerto com a chegada do El Niño, fenômeno que reduz chuvas e
aumenta a seca. Em 2024, o País enfrentou uma grave crise de incêndios.
Desde então, o
número de profissionais dedicados ao combate ao fogo cresceu 25%, chegou a
4.608 neste ano. O Ministério do Meio Ambiente também apresentou novos
equipamentos para ações de enfrentamento, como caminhões de apoio e tratores.
Segundo dados apresentados pela Pasta, foram destinados mais de 550 milhões de
reais a corpos de bombeiros pelo País, por meio do Fundo Amazônico, desde 2024.
Outro ponto de
atenção do governo é o ano eleitoral, em que costuma aumentar a incidência de
incêndios florestais. A ministra Marina Silva afirmou que os períodos eleitorais
são sempre preocupantes, porque nem sempre todos os agentes políticos têm uma
compreensão da importância do combate aos incêndios.
Ela afirmou que
espera que o debate sobre mudança no clima se torne uma pauta nacional nas
eleições, mas sem que, para isso, seja necessário que aconteça uma nova crise
do fogo ou de enchentes, lembrando os deslizamentos de terra em Minas Gerais,
que já deixaram mais de 60 mortos neste ano.
Para concluir,
caro presidente, caro Giannazi, aqui mais uma vez reitero o meu apelo para que
sejam terminadas as guerras que infelizmente caracterizam a vida, hoje, no
Oriente Médio, ali em Israel, em Gaza, nos diversos países do Oriente Médio,
onde continua uma guerra.
E também
alertar aqui o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que, quando
candidato, havia anunciado que não iria realizar qualquer guerra, e que está
promovendo mais uma guerra agora, ali contra os países do Oriente Médio. Então,
possa o bom senso vir à cabeça dessas pessoas que continuam, infelizmente, entristecendo
a humanidade.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito
obrigado, deputado Eduardo Suplicy. Com a palavra agora o deputado Reis, que
fará uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT -
Sr. Presidente, deputado Carlos Giannazi, presidente deputado Eduardo Suplicy,
público presente, funcionários desta Casa. Cumprimentar também os integrantes
da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia
Técnico-Científica e também a todos aqueles e aquelas que estão nos
acompanhando pelas redes sociais, através da rede Alesp.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Sr. Presidente,
eu quero repercutir aqui o noticiário desta semana, que é a prisão do Vorcaro.
E também do pastor - não sei se pode chamar de pastor, mas a imprensa chama de
pastor, porque quem comete crimes não pode ter esse título de pastor - Fabiano
Zettel.
Estão presos,
estão em cana, estão no CDP. É meio complicado esse negócio de CDP, mas eles
estão lá. Já saíram de um CDP, já foram para outro. E esse Vorcaro doou cinco
milhões de reais para a campanha do Tarcísio de Freitas e para a campanha do
Jair Messias Bolsonaro.
O que leva uma
pessoa a doar cinco milhões? Provavelmente, o dinheiro não é dele, porque, se
fosse dele, ele iria doar cinco milhões para campanha eleitoral? É uma coisa
que a gente precisa fazer uma investigação bem aprofundada: o que levou esse
Daniel Vorcaro e o seu cunhado, pastor Fabiano Zettel, a fazerem essa doação. Eles
estão presos, foram presos ontem, na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Também é alvo
da Polícia Federal. Zettel foi o maior doador de campanha, entre pessoas
físicas...”. Bom, a lei eleitoral diz que você pode doar até 10% do que você
ganhou no ano anterior. Se você doa cinco milhões, isso representa 10% do que
você ganhou no ano anterior. Quer dizer, no mínimo, ele pode ter ganho muito
mais.
Então “o maior
doador entre pessoas físicas do governador Tarcísio de Freitas, do partido
Republicanos”, que é um partido da Igreja. Olhe só o imbróglio aqui, o partido
da Igreja, pastor “e do ex-presidente, Jair Bolsonaro, na campanha eleitoral de
2022.
De acordo com o
Tribunal Superior Eleitoral, Zettel repassou três milhões para a campanha de
Bolsonaro e dois milhões para a campanha do Tarcísio. O investigado só doou
menos que diretórios dos partidos das coligações das campanhas”. É claro que os
diretórios têm lá os recursos do fundo partidário, eles vão doar muito mais do
que isso, mas uma pessoa física ter feito essa doação...
“Em relação à
doação de Zettel, a assessoria do governo paulista informou que a campanha de
Tarcísio de Freitas contou com mais de 600 doadores e foi conduzida ‘com total
respeito às leis eleitorais’. ‘O governador não possui qualquer vínculo ou
relação com o doador citado’.”
Nossa, é uma
coisa estranha, não é? Não tem vínculo nenhum e caem lá três milhões na conta
de um, dois milhões na conta do outro. Não tem vínculo. Já pensou se tivesse?
Aí seriam 200 milhões, não é?
“Bem como conhecimento
prévio sobre possíveis condutas que não dizem respeito à campanha. Vale
destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela
Justiça Eleitoral”. Claro, a aprovação de contas é contábil, é uma
contabilidade que foi aprovada. Investigou a origem do dinheiro, mas sim a
contabilidade.
“Afirmou o
governo, em nota. Além de Tarcísio e Bolsonaro, Zettel doou dez mil para a
campanha de Lucas de Vasconcelos”. Esse só recebeu dez mil, gente. Coitadinho,
não é? Só dez mil. Se fosse mais amigo poderia receber um milhão, quem sabe?
“Candidato a deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo. Não foi
eleito”. Também, só com dez mil é difícil.
“Em nota ao
‘Metrópoles’ nesta quarta-feira, a defesa de Zettel informou que, após tomar conhecimento
da deflagração da 3ª Fase da Operação Complience Zero, ‘seu cliente se
apresentou à Polícia Federal’ e está ‘à inteira disposição das autoridades’.”
Eu falo aqui,
mas tenho até que temer, tenho que andar na rua com mais cuidado, porque eles
tinham até um tal de “Sicário” que fazia, que cometia os crimes a mando do
Vorcaro. Então, um jornalista aí foi ameaçado, segundo o levantamento da
Polícia Federal. Foi ameaçado, porque estava falando dessa questão do Banco
Master, desse golpe de mais de 40 bilhões. Não é milhões, não, é bi, é bi.
Então, quem
executava as ordens do Vorcaro para perseguir testemunhas, jornalistas, a
imprensa, um tal de “Sicário”, que tentou, acho que está lá na Polícia Federal,
por conta de um suicídio. Foi preso, acho que para não delatar cometeu suicídio
ou tentou se suicidar.
“Corrupção e
lavagem de dinheiro. A 3ª Fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo
investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção...” Então, crime
de ameaças que envolvem o “Sicário”. Tem até um filme, não é? Dia de Sicário,
não sei se vocês já assistiram.
“Corrupção,
lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por
organização criminosa.” Eles quebravam, entravam no banco de dados até da
Interpol, da Polícia Federal. Olhe o status dessa quadrilha comandada pelo
Vorcaro.
“Além da prisão
de Vorcaro e do mandado contra Zettel, foram determinadas ordens de afastamento
de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até 22
bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao
grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas
ilícitas apuradas”.
Então nós temos
que ter muito cuidado, que essa turma que se enriquece à custa do dinheiro do
povo, que usa influência, que compra funcionários do Banco Central, que se
envolve dentro dos poderes, e vai, cada vez mais, se locupletando. Mas uma
hora, como diz o povo na gíria popular, a casa cai. E a casa caiu.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Cumprimento o
deputado Reis. Tem agora a palavra o deputado Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, deputado
Reis, público aqui presente, telespectador da TV Assembleia, de volta à tribuna
no dia de hoje. Eu gostaria de continuar cobrando o governo estadual e
denunciando o que vem acontecendo com a educação especial, com a educação
relacionada à questão da inclusão dos nossos alunos com deficiência na rede
estadual de ensino.
Eu já fiz
várias denúncias, várias cobranças. Tenho feito isso de uma forma insistente,
não só aqui da tribuna da Assembleia Legislativa - hoje já é dia 5 de março,
Sr. Presidente -, mas já fiz várias denúncias. Já acionei o Ministério Público
estadual, o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo,
junto com nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar, com a deputada federal
Luciene Cavalcante e o vereador Celso Giannazi. A gente tem cobrado que a
Secretaria da Educação cesse, pare de destruir também o atendimento da educação
especial do nosso estado.
Eu quero me
referir aqui, primeiro, à Resolução nº 129, que foi publicada no ano passado;
inclusive entrei com um PDL, um projeto de decreto legislativo, para que ela
seja anulada.
O que o governo
está fazendo já há um bom tempo: ele vem com a política de substituir as
professoras auxiliares de educação especial, professoras com formação na área,
que estão atendendo os nossos alunos com qualidade, com presteza. Essas
professoras, eu repito a informação, muitas delas estão atendendo alunos que
ganharam o direito de serem atendidos através de ordem judicial, que é um
direito, o acesso a uma educação pública de qualidade, sobretudo aos alunos com
deficiência.
Está na lei, na
LDB, na Constituição Federal, no Plano Nacional de Educação, no Plano Estadual
de Educação, em toda legislação de ensino do Brasil e do estado de São Paulo.
Essa é uma garantia, eu repito, constitucional.
Só que aqui no
estado de São Paulo, o estado mais rico da Federação, não obedece a legislação.
Então uma família é obrigada a entrar na Justiça para conseguir esse tipo de
atendimento. Então o aluno é atendido porque a família ganhou uma ação na
Justiça. Isso é um absurdo, um direito ter que ser reivindicado na Justiça aqui
no estado de São Paulo.
Só que o
governo não quer mais dar esse atendimento, porque, para ele, tem um custo. O que
para nós é investimento - Educação é investimento -, para o governo é um custo.
Então ele está
com a política de terceirizar e de substituir, na verdade, as professoras
especializadas na área da educação especial, com formação, com curso superior,
com licenciatura plena, por pessoas sem formação, pessoas apenas com o ensino
médio, com cursos de 80 ou 180 horas. É isso o que está acontecendo.
Por isso que o
governo, há algum tempo, entrou com uma contratação de uma empresa para
terceirizar e agora abriu, recentemente, agora no início de março, um edital lá
no “Banco de Talentos” para contratar agentes de organização escolar para dar
esse tipo de apoio, ou seja, o Estado está preparando já o terreno - é isso que
está acontecendo - para substituir as nossas professoras auxiliares da educação
especial por pessoas sem licenciatura plena, sem curso de Pedagogia, sem
formação de fato na área. É isso o que está em curso hoje no estado de São
Paulo.
Então já houve
um grande prejuízo agora no processo de atribuição de aulas, com a quebra dos
vínculos entre essas crianças, esses adolescentes e as professoras. Houve muito
prejuízo pedagógico, emocional e profissional, porque houve uma separação
desses alunos e das suas professoras.
Isso não pode
acontecer, Sr. Presidente. E agora as professoras auxiliares que estão ainda na
rede, estão sendo penalizadas e até mesmo perseguidas. Elas não podem
participar, por exemplo, do Curso Multiplica; elas ficam de fora das formações,
elas ficam de fora das ATPC, das escolas.
Há um processo
de marginalização e de perseguição, Sr. Presidente. Então, nós já, repito,
acionamos o Ministério Público contra todas essas medidas e vamos continuar
cobrando aqui medidas da Assembleia Legislativa, inclusive.
Eu já pedi a
convocação do secretário da Educação. Ele tem que vir aqui, Sr. Presidente,
para explicar todos esses ataques contra a Educação especial e contra as
professoras auxiliares da Educação especial que estão sendo penalizadas e, com
isso, ele está penalizando o governo, penaliza o atendimento, penalizando,
sobretudo, as famílias, as crianças e adolescentes da rede estadual.
Quero, ainda,
Sr. Presidente, para concluir a minha intervenção, na data de hoje, perguntar
ao governador Tarcísio de Freitas: “Cadê o reajuste do Piso Nacional do
Magistério, que já foi instituído por medida provisória do presidente da
República?”. Me refiro aqui, Sr. Presidente, à Medida Provisória nº 1.334, que
foi publicada agora, no dia 21 de janeiro de 2026, que dá um reajuste de 5,4%
para todo o Magistério nacional.
E, até agora, o
governador do estado de São Paulo, o estado mais rico da Federação, ainda não
apresentou esse reajuste, Sr. Presidente, porque os salários do Magistério
estão defasados, arrochados há muitos anos.
Ele não deu nem
a data-base ainda dos servidores, que venceu no dia 1º de março, e não deu
também o pagamento do Piso Nacional do Magistério, que vai beneficiar também as
professoras aposentadas, que elas têm direito a esse reajuste.
Então, aqui da
tribuna da Assembleia Legislativa quero cobrar, mais uma vez o reajuste, que o
governo cumpra a lei federal, a lei que foi conquistada em 2008, que institui e
obriga estados e municípios a pagar o Piso Nacional do Magistério.
Eu estive, Sr.
Presidente, só para concluir, juntamente com a deputada federal, Luciene
Cavalcante agora no Tribunal de Contas. Tenho até aqui a nossa reunião, que foi
até para o site do Tribunal de Contas.
Nós estivemos
com a presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, a conselheira
Dra. Cristina, e onde nós debatemos essa questão com ela também, além da Lei do
Descongela, do descongelamento da evolução funcional.
Mas nós
debatemos essa questão gravíssima de que muitos municípios não pagam o Piso
Nacional do Magistério ou pagam de forma irregular, com abono complementar.
Isso não pode acontecer, Sr. Presidente.
E em São Paulo
vem acontecendo isso. O governador Tarcísio de Freitas não paga o Piso Nacional
do Magistério corretamente. Ele utiliza o artifício ilegal do abono
complementar. Isso não pode, Sr. Presidente.
Nós defendemos
que esse reajuste de 5,4% tem que ter repercussão em toda a carreira, tanto
aqui no Estado, como em todos os municípios do Brasil, em todos os estados. A
lei é muito clara em relação a isso.
Tanto é que a
deputada Luciene Cavalcante, que é de São Paulo, que é professora, apresentou
um projeto de lei que está tramitando no Congresso Nacional, que criminaliza os
prefeitos e governadores que não pagarem ou que não pagarem corretamente o Piso
Nacional do Magistério.
Eles serão
punidos por lei, podendo perder o mandato. Então era isso, Sr. Presidente. Fica
aqui a pergunta para o governador: “Cadê o reajuste do Piso Nacional do
Magistério aqui para o Magistério estadual?”.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra
agora o deputado Reis pelo tempo regimental.
O
SR. REIS - PT -
Sr. Presidente, deputado Eduardo Matarazzo Suplicy, eu retorno à tribuna para
falar agora sobre os free flows, sobre os pedágios eletrônicos.
O governo
federal, ele está estudando suspender cerca de três milhões e 100 mil multas e
pontos na Carteira Nacional de Habilitação de devedores de pedágio eletrônico.
O governo federal estuda em todo o País a suspensão de multas e pontos na
carteira, desde quando o governador chegou com essa história de Free Flow: “Vou
colocar Free Flow em tudo”.
Aliás, estão
estudando pôr Free Flow até nos elevadores. Você vai entrar no elevador, vai
fazer a leitura facial para depois gerar a cobrança, que é o que ele pensa,
cobrar de todo mundo. Quando ele chegou com essa política aqui, eu falei:
“Precisa fazer uma campanha educativa, uma campanha informativa, porque a
população de São Paulo desconhece essa modelagem de pedágios”.
Obviamente,
quem criou os pedágios Free Flow foi o Sr. Tarcísio de Freitas, quando era
ministro da Infraestrutura. Ele mandou um projeto para o Congresso que gerou,
originou, a Lei nº 14.157. Por ironia do destino, essa lei tem o “14”, o
prefixo, e tem o número final “157”, que no Código Penal significa “roubo”.
Essa lei traz essa modelagem, e aí ele se elege governador do estado de São
Paulo e começa a colocar esses pedágios eletrônicos, fazer a concessão das
rodovias e das vicinais e colocar pedágio eletrônico em tudo quanto é rodovia
em que você ande por São Paulo.
São cerca de
118 novos pedágios, além dos 370 já existentes. É muito pedágio. Muitas vezes
as pessoas falam para mim: “Eu nem pago, nem passo por lá”. Mas o arroz que ela
compra, que ela vai ao mercado e compra, passa pelo pedágio; o feijão passa
pelo pedágio; as hortaliças passam pelo pedágio; os produtos que chegam aqui
nas cidades, nos grandes centros urbanos, passam pelos pedágios. Logo, se eu
começo a colocar pedágio, pedágio, pedágio, pedágio, esses custos vão para o
produto final. Vai encarecer a vida da população.
A medida,
conforme informações obtidas pela “Folha”, essa matéria está na “Folha de S.
Paulo”, será formalizada ainda este mês, por meio de uma decisão a ser
publicada pelo Contran.
A decisão está
tomada, embora haja uma dúvida dentro do próprio Ministério do Transporte sobre
eventuais restrições que a lei eleitoral possa ter sobre a medida este ano. Eu
acho que, se ele tomar essa decisão o quanto antes, não vai ter problema,
porque, por analogia, para dar reajuste para os servidores, o prazo tem que ser
até 180 dias do pleito.
O pleito vai
ser 4 de outubro. Como nós temos um feriado em abril, se ele quer dar algum
reajuste para os servidores, o governador vai ter que, o quanto antes, mandar
esse projeto para cá, para a gente votar, para que ele esteja sancionado até o
dia 2 de abril. Até dia 2 de abril.
Eu acho que uma
questão dessa também, de isentar, de suspender a cobrança, de pedágios, que um
pedágio da forma que foi feito é muita injustiça contra o povo. E nós estamos
falando de três milhões e cem mil pessoas que foram multadas. Se ele cumprir,
se for antes desse prazo, a meu ver, não terá problema.
A suspensão das
penalidades terá validade até 30 de dezembro de 2026. O pedágio atrasado
continuará a ser cobrado do motorista que está em débito. Mas quem pagar o
valor até o fim deste ano, independente de quando foi multado, ficará livre da
multa.
Então o
problema é a multa, porque você não pagou o pedágio, você passou ali, você nem
sabe que aquilo é um pedágio. Você passa lá, você vê um pórtico, acha que é um
radar, passa ali a 60, 80 por hora, depois aquilo ali é um pedágio eletrônico,
ele tirou a foto da sua placa, gerou a cobrança. Você não pagou em 30 dias, R$
195,23 de multa; além disso, cinco pontos na sua carteira.
Tem muita gente
sendo surpreendida com isso e perdendo a carteira de motorista. Então, o que o
governo está propondo aqui é que o pedágio continuará sendo cobrado, mas ele
está propondo a suspensão da multa. Porque, vamos pegar a empresa.
O governo só
está ganhando, quer dizer, ganha com o pagamento do pedágio, ganha com o
pagamento de multa, tira os pontos, coloca cinco pontos na carteira da pessoa.
Quer dizer, prejudica o cidadão e se locupleta, cada vez ganhando mais
dinheiro, e o povo perdendo. Se o pagamento do pedágio não ocorrer até o fim do
ano, aí a multa voltará a ser cobrada.
Então o governo
está fazendo aquela reflexão que eu falei que precisava fazer, inclusive eu
entrei, eu representei no Ministério Público Federal, no MPF, representei no
Ministério Público Estadual com relação a essa questão das multas, porque eu
tinha levantado que uma única rodovia, Rio-Santos, cerca de um milhão e 200 mil
veículos tinham sido multados lá, gerando 268 milhões em arrecadação, 268
milhões em multas. Isso é um absurdo. E esse modelo se reproduz aqui na
Tamoios, tem um pedágio lá que também já gerou mais de 50 mil veículos
multados.
Então, esses
pedágios eletrônicos estão gerando muitas multas. E aí o governo ganha, porque
a pessoa tem que pagar o pedágio, se não pagou agora, vai ter que pagar depois,
e ganha duas vezes, porque ganha também com pagamento de multa.
E o cidadão só
perde, porque além de pagar o pedágio, além de pagar a multa, ele ainda vai
arcar com cinco pontos na sua carteira. Além dos cinco pontos na sua carteira,
tem que entender que aquela rodovia foi construída com o dinheiro dos impostos
que foram pagos.
Pela regra
atual, o motorista que passa por uma rodovia estadual federal, com pedágio Free
Flow, tem até 30 dias para efetuar o pagamento, conforme definição de cada
concessionária. Se o pagamento não foi feito, ele é alvo dessa autuação,
classificada como grave. O sistema Free Flow, que se baseia na instalação de
pórticos, com leitura automática das placas dos veículos, passou a ser usado em
estradas no país em 2023.
De lá para cá,
milhares de pessoas deixaram de pagar o pedágio dentro do prazo e foram alvos
das penalidades. Os dados do Ministério dos Transportes apontam que, entre 2023
e este início de 2026, mais de três milhões e 100 mil multas foram emitidas
devido ao atraso em pagamentos de pedágio. O valor envolvido com as autuações
tem potencial de ultrapassar 606 milhões, se considerado o valor máximo da
multa.
O pagamento,
porém, pode embutir entre 20% e 40% de desconto, conforme a data da quitação. A
reportagem do Ministério do Transporte não informou qual foi o valor
efetivamente recolhido até agora.
Das três
milhões e 100 mil multas aplicadas por atraso em pedágio, pelo menos 210,6 já
foram pagas por motoristas, conforme dados do Renaif, Registro Nacional de
Infrações de Trânsito. Isso equivale a sete por cento do total, ou seja, 93%
das autuações ainda não foram quitadas.
Então, deixar
registrado aqui que nós fizemos uma grande luta nesta Assembleia Legislativa,
fizemos audiências públicas, questionamos o secretário de Parcerias aqui nesta
Casa, questionamos esse grande número de pedágios que estão se multiplicando
pela Rota Sorocabana, Rota Paranapanema, a Nova Raposo, o litoral paulista -
então, todas essas regiões estão recebendo esses pedágios Free Flow - o
Circuito das Águas.
Fizemos
audiência pública em Alumínio, Sorocaba, fizemos audiências públicas na região
de Americana, tudo para debater essa questão desses pedágios Free Flow, que a
população desconhece.
O governo tem
dinheiro para investir em campanhas educativas, mas o governo não gastou um
real para isso. O governo prefere que o cidadão seja surpreendido depois, leve
esse susto de ter que pagar essa multa e de ter esses pontos na sua carteira.
Tanto é que nós
estamos falando que pode ultrapassar 606 milhões em arrecadação. Então, esses
pedágios Free Flow são um absurdo, e nós precisamos continuar lutando contra
eles e mostrando para o governo que ele está errado na forma como ele está
aplicando essa modelagem de pedágios Free Flow.
Agora, quem vai
para a Baixada Santista, ele dividiu o pedágio, aquela praça de pedágio, que
custa R$ 38,80, vai receber dois pórticos, um para quem desce e outro para quem
sobe. Além dos pedágios que vão entrar, para quem vai lá para Itariri, Pedro de
Toledo, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Bertioga, todas essas regiões vão receber
esses pedágios Free Flow.
Em um dado
momento, o governo fala que: “Não, que eu estou recuando”, mas há de se
entender que são contratos por 30 anos. Como tem uma eleição este ano, e esses
pedágios Free Flow desgastam a imagem do governador Tarcísio de Freitas, então,
em alguns lugares que tem pressão, ele fala que está recuando, mas no contrato
nada foi feito, nada foi mudado.
Ou seja, pode
não se colocar esse pedágio hoje, mas amanhã ele poderá voltar. Pode não se
colocar este ano, mas pode se colocar no ano que vem, porque o contrato não é
por um dia, nem por um ano, é um contrato de 30 anos.
O
SR. REIS - PT - Então, Sr. Presidente, havendo
acordo de lideranças, eu requeiro de V. Exa. que esta sessão seja levantada.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - É
regimental. Esta Presidência, cumprindo determinação constitucional, adita à
Ordem do Dia os seguintes projetos de lei vetados: 1.407, 1.583, de 2023; 428,
723, 731 e 735, de 2024; e 1.065, de 2025.
Havendo acordo de lideranças, antes de
dar por levantados os trabalhos, convoco V. Exas. para a sessão ordinária de
amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a sessão às 14 horas
e 55 minutos.
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