DECRETO N. 16.726, DE 16 DE JANEIRO DE 1947

Dá a denominação de "Afrânio Peixoto" ao Grupo Escolar de Vila Guilherme, na Capital.

O INTERVENTOR FEDERAL NO ESTADO DE SÃO PAULO, usando das atribuições que a lei confere, 
Decreta:
Artigo 1º - O grupo escolar de Vila Guilherme, na Capital, passa a denominar-se Grupo Escolar "Afrânio Peixoto".
(O Brasil acaba de perder uma de suas mais brilhantes e fecundas inteligências: - Afrânio Peixoto - o mestre insigne da medicina, o admiravel artista da palavra tanto escrita como falada, o romancista de inúmeras edições esgotadas, o historiador profundo, o poeta suave, enfim perdeu a nossa terra uma das suas mais notáveis e cultas personalidades. 
Desde a infância salientavam-se em Afrânio Peixoto os dotes da inteligência. No Colégio Florêncio, em São Salvador da Bahia, terminou os preparatórios como aluno laureado. Em 1892, aos 16 anos de Idade, ingressava na Faculdade de Medicina da Bahia, onde terminou o curso médico em 1897, coroado pela brilhante defesa de sua tese: "Epilepsia e Crime", reeditada, onze anos mais tarde, com prefácio de Nina Rodrigues e Juliano Moreira. Sua carreira no magistério foi rápida, cheia de méritos e de glórias: - por concurso, obteve, em 1900, o lugar de preparador da Cátedra de Medicina Legal e, no ano Imediato, era convidado para reger a Cadeira de Medicina Pública da Faculdade Livre de Direito da cidade de Salvador. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, ocupou o posto de Inspetor Sanitário, e a direção do Hospício Nacional de Alienados na Praia Vermelha, onde permaneceu até 1905. Buscando, na Europa, completar seu tirocínio profissional e cientifico, logo que voltou ao Brasil, em 1906, inscreveu-se no concurso para Professor Substituto de Higiene e Medicina Legal. De 1907 a 1911, exerceu a Diretoria do Gabinete Médico Legal. 
Aos 7 de Maio de 1910, recebia-o a Academia Brasileira de Letras, em substituição a Euclides da Cunha, tendo-se tornado célebre o seu discurto de ingresso na Casa de Machado de Assis. Recebeu na Academia Brasileira de Letras a Alcantara Machado, o paulista que em seu discurso causou viva impressão, tornando famosa a frase: - "Assim, nem por gracejo, se lembraria alguém de pôr em dúvida o meu brasileirismo. Paulista sou, há quatrocentos anos". 
Novamente percorreu paises da Europa, tendo, anos antes, se impressionado com o Oriente que exerceria certa influência em sua formação.
Diretor da Escola Normal do Rio de Janeiro (1915), professor catedrático de Higiene da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1911), professor catedrático de Medicina Legal desta mesma Faculdade (1915), Diretor da Instrução Pública do Distrito Federal (1916), Deputado Federal pela Bahia, Lente de História da Educação no Instituto do Educação do Rio do Janeiro (1932), Reitor da Universidade do Distrito Federal (1935), Afranio Pelxoto em todos estes cargos prestou uma grande soma de serviços ao Brasil, não só no campo educacional, literário e cientifico, mas tambem contribuindo manignificamente para a elevação da cultura brasileira.
Membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Portuguesa de Historia e de inúmeras outras entidades culturais, quer do Brasil, quer do estrangeiro, deixou Afranio Peixoto prolifico, manancial de obras literárias e cientificas, alçando as primeiras à alta cifra de noventa, e atingindo as segundas mais de quarenta trabalhos, todos eles baseadas em um profundo espirito de observação e de critica intepretativa na senda da Higiene, da Medicina Legal e da Psiquiatria.
Nada mais justo que São Paulo ostente o nome de Afranio Peixoto em um de seus grupos escolares, homenageando do assim a memória de uma das mais lidimas e brilhantes expressões da cultura e da inteligência brasileira).
Artigo 2º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação. 
Palácio do Governo do Estado de São Paulo, aos 16 de janeiro de 1947. 

JOSÉ CARLOS DE MACEDO SOARES
Plinhio Caiado de Castro 

Publicado na Diretoria Geral da Secretaria do Governo, aos 16 de janeiro de 1947. 

Cassiano Ricardo - Diretor Geral.