DECRETO DE 21 DE JANEIRO DE 1971
Aprova o orçamento do Instituto de Energia Atômica, para o exercício de 1971
ROBERTO COSTA DE ABREU SODRÉ, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO usando de suas atribuições legais,
Decreta:
Artigo 1.º - De conformidade com o disposto no artigo 107,
da Lei Federal n. 4.320, de 17 de março de 1964 e com o artigo
6.º da Lei de 10 de dezembro de 1970, ficam aprovadas a Receita e
a Despesa do Instituto de Energia Atômica, ao valor de Cr$
11.597.000,00 (onze milhões, quinhentos e noventa e sete mil
cruzeiros), respectivamente.
Artigo 2.º - A Receita e a Despesa de que trata o artigo
anterior, obedecerão a discriminação constante das
Tabelas Explicativas anexas a êste Decreta, as quais vão
subscritas pelo Diretor Geral do Instituto de Energia Atômica
Artigo 3.º - Êste decreto entrará em vigor na
data de sua publicação retroagindo os seus efeitos a
1.º de janeiro de 1971.
Palacio dos Bandandeirantes, 21 de janeiro de 1971.
ROBERTO COSTA DE ABREU SODRÉ
Dilson Domingos Funaro, Secretário da Fazenda
Publicado na Casa Civil aos 21 de janeiro de 1971
Maria Angélica Galiazzi, Responsávelo pelo S.N.A.
CAMPO DE ATUAÇÃO E LEGISLAÇÃO
O Instituto de Energia Atômica resultou de
convênio celebrado a 11 de janeiro de 1956, entre a Universidade
de São Paulo e o Conselho Nacional de (posteriormente
substituído pela Comissão Nacional de Energia Nuclear).
Os regulamento da Lei Federal 4.118-62, em seu artigo 114, "integrou" o
IEA na CNEN. O Decreto-lei 250, de 29 de maio de 1970, instituiu o IEA como
Autarquia Estadual Associada à Universidade de São Paulo, a
plena vigência dêste diploma legal está na
dependência de Decreto do Executivo Federal modificando o artigo
114 do regulamento da CNEN. O artigo 2.º do Decreto-lei 250
consolidou as finalidades básicas do IEA previstas no
convênio e que definem campo de atuação. São
elas: a) realizar pesquisas científicas e tecnológicas domínio das
aplicações pacificas da energia nuclear; b) produzir
radioisótopos e substâncias marcadas, para estudos, pesquisas e
aplicações; c) contribuir para a
especialização, em Ciência e Técnologia Nucleares,
de técnicos e cientistas; d) contribuir para o estabelecimento de dados
construtivos e de protótipos de reatores de pesquisa e de
potência, destinados ao aproveitamento da energia nuclear para fins
pacíficos; e) prestar serviços, na esfera de sua com à
comunidade.
Em resumo, constitui objetivo do IEA o desenvolvimento
das aplicações pacíficas da energia nuclear e sua
integração na vida da coletividade. Para atingir suas finalidades,
desenvolve intensa ação visando a formação
e especialização nos diferentes setores das aplicações da energia
nuclear, organizando e ministrando cursos de
pós-graduação em colaboração com
diferentes Institutos e Faculdades da Universidade de São Paulo, cursos
de especialização (sôbre aplicações
radioisótopos, por exemplo), cursos para
preparação de técnicos de nível médio
especializados em energia nuclear (eletrônica nuclear,
proteção radiológica, técnicas nucleares, etc.); promovendo o
intercâmbio técnico-cientifico com centros nucleares de países
mais desenvolvidas; concedendo bolsas, no país e para treinamento no exterior;
promovendo dominios relacionados com a produção de energia a partir da
fissão nuclear, desenvolvendo técnologia e purificação de materiais
nucleares, de fabricação de "elementos combustíveis", de
reprocessamento de elementos irradiados; promovendo o estudo de
diferentes tipos de reatores da pesquisa e de potência; da
avaliação técnica e econômica de
reatores já provados e/ou em fase de desenvolvimento; adaptando e
criando técnicas para provas de materiais nucleares e componentes de
reator; realizando estudos sôbre integração de centrais
nucleares em sistemas elétricos existentes, etc. No domínio da
aplicação de radioisótopos, produz material radioativo
para aplicações médicas, industrials e em outros setores
(hidrologia-engenharia civil, química, etc.).
RESUMO E JUSTIFICATIVA DAS CATEGORIAS DE PROGRAMAÇÃO
1 - Formação e Treinamento de Pessoal
nas Aplicações Pacíficas da Energia Nuclear -
É fundamental para o desenvolvimento das
aplicações pacíficas da energia nuclear a
existência de pessoal com formação treinamento e
especialização adequados. Mais do que em qualquer outro
setor da atividade humana, o nuclear, exige pessoal altamente treinado
e especializado. Por outro lado, dada a «evasão» que ocorre, por
razões salariais é necessário que haja
possibilidade de formação de um número de
especialistas superior às próprias necessidades do IEA: com
efeito, a medida em que as aplicações da energia nuclear
se integram na vida da comunidade, a demanda de pessoal especializado
pelo setor privado aumenta e, como consequência da
impossibilidade de haver competição salarial, o IEA
perde, anualmente, uma fração muito significativa do
pessoal que prepara. A formação e
especialização deve e é feita, tanto em
relação a pessoal com curso universitário, como
para pessoal de nível médio. Assim, através de
cursos de pós-graduação - ministrados em
convênio com a Escola Politécnica, Instituto de
Física, Instituto de Quimica e outras Unidades da USP, visa-sé o
Mestrado e o Doutorado em Ciência e Tecnologia Nuclear.
Paralelamente, são ministrados cursos sôbre metodologia e
aplicação de radioisótopos e de
radiações, para médicos, engenheiros,
químicos, etc. Visando a formação de pessoal
especializado de nível médio, são ministrados cursos de
eletrônica nuclear, de proteção radiológica,
de técnicas nucleares, etc. Em todos os cursos contamos com a
colaboração de professôres nacionais e do exterior.
2 - Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico
Relacionados com Produção Aplicações de
Radioisótopos, Substâncias Marcadas e Fontes de
Radiação - O reator do IEA é um reator de pesquisa
que tem boas possibilidades para produzir radioisótopos. O
objetivo fundamental é o de manter a produção ao
nível da demanda - que vem aumentando em ritmo célere (em
1970, a demanda de substância «marcadas», por parte
da classe médica quase triplicou em relação ao ano
anterior) - o que exige aumento do número de horas de
operação do reator. Ao mesmo tempo em que os trabalhos
relacionados com a produção crescem, há
necessidade de estudos e pesquisas para diversificação do
material produzido e, novas técnica de uso e
aplicação de radioisótopos e
radiações devem ser adaptadas, criadas e desenvolvidas.
Trata-se de domínio que rapidamente interessa a setores os mais
diversos da comunidade, e, consequentemente, o esforço para seu
desenvolvimento mento deve ser o maior possivel.
3 - Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico
Relacionados com Produção de Energia Nuclear - A
produção de energia nuclear visando a
geração de energia elétrica, exige um sem
número de desenvolvimentos tecnológicos
indispensáveis para a implantação, em futuro
não remoto, de uma indústria nuclear no País. Há
necessidade de se desenvolver a tecnologia da
purificação, em nível de pureza «nuclear», de
urânio, tório de materiais para revestimento de elementos
combustíveis (zircónio, por exemplo); a de
fabricação de "elementos combustíveis"; de ensaios
dos materiais nucleares de elementos combustíveis e de
componentes de reator. Concomitantemente, os diferentes aspectos da
tecnologia de reatores devem ser estudados e conhecidos; os
critérios para a avaliação e
comparação dos aspectos econômicos dos reatores
«provados» e dos em desenvolvimento; do tratamento dos
residuos radioativos; o estudo dos problemas de segurança das
centrais nucleares; a tecnologia do reprocessamento dos elementos
combustíveis irradiados - são outros tantos problemas que
o IEA deve cuidar. Serão levados a efeito, também,
estudos sôbre o problema do enriquecimento do urânio, com
caráter preliminar.
4 - Infra-estrutura - Qualquer ação
visando o desenvolvimento científico e tecnológico e em
qualquer domínio dos conhecimentos humanos, exige uma
infra-estrutura adequada: no caso do IEA, se constitui em uma
infra-estrutura administrativa e em infra-estrutura
técnico-científica. A primeira deve ser tal que
não se constitua em «entrave» às atividades fins e
sim, em um instrumento hábil para a rápida
obtenção dos meios necessários às atividades fins.
A infra-estrutura técnico-científica é representada no
caso do IEA, por meios de computação (digital e
analógica); pela Eletrônica Nuclear - que visa manter os
equipamentos e instrumental de pesquisa de todo o IEA e desenvolver
novos circuitos e aparelhos, para atender a necessidades
específicas das pesquisas em evolução; pelas
atividades das Oficinas Especializadas (Mecânica, Vidro, etc.);
pela existência de informação
técnico-científica atualizada e ampla (Biblioteca,
Documentação, etc.) bem como de meios para a
difusão dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento realizados
(publicações).