DECRETO N. 901, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1972

Aprova o orçamento do Instituto de Energia Atômica, para o exercício de 1973

LAUDO NATEL, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, usando de suas atribuições legais,
Decreta:
Artigo 1.º - De conformidade com o disposto no artigo 107 da Lei Federal n. 4.320, de 17 de março de 1964 e com o artigo 5.º da Lei n.º 55, de 27 de novembro de 1972, ficam aprovadas a Receita e Despesa do Instituto de Energia Atômica, no valor de Cr$ 46.962.000,00 (quarenta e seis milhões, novecentos e sessenta e dois mil cruzeiros), respectivamente.
Artigo 2.º - A Receita e a Despesa de que trata o artigo anterior, obedecerão a discriminação constante das Tabelas Explicativas anexas a este decreto, as quais vão subscritas pelo Superintendente do Instituto de Energia Atômica.
Artigo 3.º - Este decreto entrará em vigor a partir de 1.º de Janeiro de 1973.
Palácio dos Bandeirantes, 28 de dezembro de 1972. LAUDO NATEL
Carlos Antonio Rocca, Secretário da Fazenda
Publicado na Casa Civil, aos 28 de dezembro de,1972.
Maria Angélica Galiazzi, Responsável pelo S.N.A.

CAMPO DE ATUAÇÃO E LEGISLAÇÃO

Constitui objetivo do Instituto de Energia Atomica o desenvolvimento das aplicações pacíficas da energia nuclear e sua integração na vida da coletividade. Para atingir suas finalidades desenvolve intensa ação visando a formação e especialização nos diferentes setores das aplicações da energia nuclear, organizando e ministrando cursos de pós-graduação em colaboração com diferentes Institutos e Faculdades da Universidade de São Paulo, cursos de especialização (sobre aplicações de radioisótopos, por exemplo), cursos para preparação de técnicos de nível médio especializados em energia nuclear (eletronica nudear, proteção radiológica, técnicas nucleares), promovendo o intercambio técnico-cientifico com centros nudeares de paises mais desenvolvidos; concedendo bolsas no pais e para treinamento no exterior; promovendo dominios relacionados com a produção de energia a partir da fissão nuclear, desenvolvendo tecnologia e purificação de materiais nucleares, de fabricação do "elementos combustíveis", de reprocessamento de elementos irradiados; realizando estudos sobre a integração de centrais nucleares em sistema elétricos existentes.

No domínio da aplicação de radioisótopos, produz material radiativo para aplicações médicas, industriais e em outros setores (hidrologia, engenharia civil, hidráulica, quimica).

LEGISLAÇÃO

Convenio celebrado a 11 de Janeiro de 1956 entre a Universidade de São Paulo e o Conselho Nacional de Pesquisas (posteriormente substituído pela Comissão Nacional de Energia Nuclear).

O regulamento da Lei Federal n.º 4.118/62;
Decreto-lei n,º 250, de 29 de maio de 1970.

RESUMO E JUSTIFICATIVA DAS CATEGORIAS DE PROGRAMAÇÃO

00.00 - Conjunto de Atividades Centrais e Comuns:

Qualquer ação visando o desenvolvimento científico e tecnológico exige uma infraestrutura adequada; no caso presente, constitui-se a mesma de uma infra estrutura administrativa e de uma infraestrutura técnico-científica. A primeira deve ser tal que não se constitua em entrave às atividades fins e sim em um instrumento hábil para a rápida obtenção dos meios necessários as atividades fins. A infraestrutura técnico-científica é representada no caso do IEA, por meios de computação (digital e analógica), pela Eletrônica Nuclear, que visa manter os equipamentos e instrumental de pesquisa de todo o IEA e desenvolver novos circuitos e aparelhos, para atender às necessidades específicas das pesquisas em evolução; pelas atividades das oficinas especializadas; pela existência de informação técnico-científica atualizada e ampla (Biblioteca, Documentação), bem como de meios para a difusão dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento realizados (Publicações).

01.00 - Formação e Treinamento de Pessoal Especializado em Energia Nuclear:

É uma das finalidades do I.E.A. contribuir para a formação e especialização em Ciências e Tecnologia Nucleares de Técnicos e Cientistas. Sem pessoal especializado não é possivel qualquer desenvolvimento no campo das aplicações pacíficas da energia nuclear - como, de resto, em qualquer outro domínio. Há necessidade de aumento substancial nos quadros de técnicos e de pesquisadores nucleares e aprimoramento do pessoal existente. A consciência deste fato é que levou o I.E.A. a projetar e construir o Centro de Treinamento, o qual vai sendo instalado paulatinamente.
A formação e especialização de pessoal técnico e científico é ato complexo, que exige uma série de medidas e ações confluentes. O primeiro passo é representado pela criação de cursos de alto nível, tanto para pessoal com graduação universitária, como para pessoal de nível médio. Por não sermos auto-suficientes há necessidade de se incrementar o intercâmbio técnico-científico com centros mais avançados, promovendo-se a vinda de professores e pesquisadores, para ministrar aulas, proferir palestras e seminários, prestar assistência técnica.

51.01 - Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico Relacionados com a Produção e Aplicação de Substâncias Marcadas e Fontes Radioativas:
A produção e a aplicação de radioisótopos, substâncias marcadas e fontes de radiação são multiplas, assumem cada dia maior relevo e abrangem setores cada vez mais amplos das atividades humanas. O papel dos Centros Nucleares, nesse domínio, é vasto e pode melhor ser compreendido com alguns exemplos. Há métodos "clássicos" para estudo do desgaste de pistões de automóveis: com o emprego de radioisótopos o estudo pode ser feito mais rapidamente e com maior precisão - ganha-se tempo e qualidade. Fontes radioativas podem ser utilizadas no controle de soldas, de forma mais prática do que com os tradicionais equipamentos de Raios X, por técnica conhecida como "gamagrafia". Com técnicas radioisotópicas consegue-se u'a maior uniformidade na densidade dos cigarros. E essa enumeração, no campo industrial e na engenharia pode ser facilmente ampliado. Por outro lado, há as aplicações médicas, biológicas, e em outros setores, como agricultura e hidrologia. No campo médico, por exemplo, não há hoje setor algum que não tenha sido beneficiado pela introdução de técnicas radiosotópicas. É mesmo quase impossível qualquer progresso nas ciências bio-médicas sem o recurso dessa tecnologia. Os instrumentos destinados à deteção e medida das radiações vão, aos poucos ocupando lugar em todos os laboratórios de pesquisa médica, de diagnóstico e nas clínicas. Cabe aos Centros Nucleares o desenvolvimento e padronização de técnicas adequadas e criação de novas. Mas o uso de radioisótopos e radiações exige cuidados especiais e conhecimento sobre efeito das radiações nos organismos daqueles que os empregam; dessa forma, há que se desenvolver atividades no campo da proteção radiológica e radiobiológica. Finalmente cumpre lembrar que, para desenvolvermos aplicações de radioisótopos e de radiações, é necessário produzirmos materiais radioativos; assim sendo, é necessariamente crescente a atividade do I.E.A. nesse domínio.

51.02 - Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico Relacionados com a Produção de Energia

O problema da geração de energia a partir da fissão do urânio, deve estar sempre presente, pois as reservas hidráulicas passiveis de utilização como fontes hidroelétricas, especialmente da região Centro-Sul, vão se exaurindo e em ritmo maior do que o previsto no início da década de sessenta, quando foram realizados estudos pela CANANBRA. No ritmo atual do crescimento da demanda - a qual praticamente duplica a cada seis anos -, mesmo construindo-se "Sete Quedas" e outros possíveis aproveitamentos do Rio Paraná, em menos de uma decada estaremos diante do problema da instalação anual de potência da ordem de até dezenas de milhões de quilowatts, necessariamente de natureza não hidráulica Por outro lado, é fato sabido que todo sistema energético adequadamente planejado nunca é puramente hidroelétrico; para melhor aproveitamento do potencial hidráulico, deve apresentar determinado grau de complementação térmica. Esta tem sido obtida mediante combustíveis fósseis (carvão e óleo) e a tendência, atual - inclusive por razões ligadas à poluição - é a de se integrar aos sistemas energéticos fontes de energia que utilizam combustiveis fisseis, isto é, reatores nucleares. Contudo, o que entendemos ser missão - e das básicas - do IEA, é transferir, absorver, desenvolver, criar - tecnologia e condições para que, quando se fizer necessária a instalação de tais reatores, as indústrias possam contar com um "suporte" tecnológico adequado e tanto quanto possivel, "local". Paralelamente, deve estar preparado para assessorar, orientar, prestar assistência técnica, às entidades encarregadas da geração e distribuição de energia elétrica, na escolha de tipos de reatores, de sua localização, bem como treinar pessoal para a operação de centrais átomo-elétricas. E por essa razão que são desenvolvidos estudos sobre a determinação de parâmetros nucleares dos materiais empregados como combustível (e como material "fertil" - como o tório), e dos utilizados na construção de reatores (materiais estruturais, inclusive). É também por esse motivo que se desenvolvem técnicas para purificações de sais de urânio e de tório em "grau nuclear": para a fabricação de elementos combustíveis; para provas neutrônicas e térmicas de elementos combustíveis; para o "reprocessamento" de elementos compustiveis "queimados"; para o estudo do aproveitamento e destino dos "rejeitos" radioativos e, concomitantemente, estuda-se a escolha de locais adquados para a instalação de centrais nucleares e de complexos "agro-industriais" de diterentes tipos, bem como projetos de reatores, de problemas de segurança das instalações e de proteção dos trabalhadores e da população em geral. Devemos ter em mente que, embora disponha o País de um grande potencial hidráulico a ser utilizado, não podemos protelar os desenvolvimentos que serão necessários para que, no momento propício, possamos ter nossa indústria nuclear. É um longo e penoso caminho cujo percurso precisamos começar a vencer desde já.
Paralelamente dever-se-á incentivar os atuais colaboradores a realizar Doutoramento, o que, em verdade, representa a última etapa da formação de pesquisadores. Para esse efeito, foram estabelecidos convênios de cooperação entre o I.E.A. e diferentes Unidades da Universidade de São Paulo (Escola Politécnica, Instituto de Física, Instituto de Química, Instituto de Biociências e Faculdade de Medicina).
O entrosamento com a escola média e com outras Universidade será incentivado. A participação de professores da USP em nossos cursos - que vem aumentando paulatinamente - ao lado de aulas ministradas por nossos pesquisadores na Universidade (Faculdade de Medicina - Curso Experimental de Medicina, Curso de Clínica Médica; Escola Politécnica e outras), contribuem eficientemente para a integração nuclear.
A atuação do I.E.A. na Formação e Treinamento de Pessoal Especializado é orientada e coordenada pelo Departamento de Ensino e Formação (DEF), Participam das atividades desenvolvidas, em maior ou menor escala, todos os demais Departamentos do Instituto e, de forma dupla: de um lado, os elementos mais categorizados e que já tiveram oportunidade de realizar treinamento mais avançado, são encarregados de ministrar aulas nos cursos e dirigir o trabalho de estagiários e bolsistas e, de outro, os elementos mais jovens são obrigados a frequentar cursos mais avançados (pos-graduação e especialização), seminários, reuniões, e são encaminhados para estágio em centros mais desenvolvidos.
Para o bom desenvolvimento de sua ação o DEF deverá criar motivação e interesse pelos Cursos, através de ampla divulgação das finalidades, das possibilidades e perspectivas de trabalho para pessoal especializado.

DECRETO N. 901, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1972

                                                                         Aprova o orçamento do Instituto de Energia Atômica, para o exercício de 1973
Retificação
 

Discriminação da Despesa por Categoria de Programação e por Categoria Econômica