DECRETO N. 40.443, DE 10 DE NOVEMBRO DE 1995

Estabelece normas relativas ao encerramento da execução orçamentária e financeira das entidades da administração indireta, para o levantamento do Balanço Geral do Estado do exercício de 1995 e dá providências correlatas

MÁRIO COVAS, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,
Considerando que o resultado patrimonial das entidades autárquicas, inclusive das universidades estaduais, deve ser incorporado ao Balanço Geral do Estado: Considerando que o encerramento do exercício financeiro e o conseqüente levantamento do Balanço Geral do Estado envolvem atividades especificas, resultantes de procedimentos legais vigentes; Considerando que referidos procedimentos devem ser cumpridos de modo uniforme e rigorosamente de acordo com os prazos fixados,
Decreta:
SEÇÃO I
Das Entidades Abrangidas
Artigo 1.º - As autarquias, inclusive as universidades estaduais, disciplinarão suas atividades orçamentária e financeira de encerramento do exercício em curso, de conformidade com as normas fixadas neste decreto.

Parágrafo único - O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ás fundações instituídas por leis estaduais e ás empresas em que o Estado tenha participação majoritária.

SEÇÃO II
Do encerramento das Execuções Orçamentária e Financeira
Artigo 2.º - As licitações que se formalizarem, onerando recursos do orçamento vigente, fixarão prazos de entrega do material ou da prestação dos serviços limitados a 31 de dezembro.

§ 1.º - O prazo limite estabelecido neste artigo aplica-se aos casos de dispensa ou inexigibilidade de licitação.

§ 2.º - Excetuam-se do disposto neste artigo as licitações relativas a gêneros alimentícios, refeições, rações, medicamentos e importações, desde que o prazo das respectivas entregas não ultrapasse o dia 29 de março de 1996.

SEÇÃO III
Dos Restos a Pagar
SUBSEÇÃO I
Das Inscrições
Artigo 3.º - Deverão ser inscritas em contas de Restos a Pagar as despesas realizadas e não pagas até o final do exercício, observadas as formalidades estabelecidas neste decreto.

Parágrafo único - Também serão inscritas em contas de Restos a Pagar pelos valores estimados ou até o total dos saldos dos respectivos empenhos, as despesas do exercício relativas a transportes com requisição, aluguéis em geral, serviços vinculados a contratos, encargos sociais e de previdência, leitos-dia por convênio, derivados de petróleo, álcool combustível, água, energia elétrica, gás, serviços telefônicos, telex, tarifas aeroportuárias e gêneros alimentícios.

Artigo 4.º - Em caráter excepcional, poderão ser inscritos em contas de Restos a Pagar os empenhos e os subempenhos em poder de fornecedores, referentes ás compras cujos materiais ainda não tenham sido entregues até 31 de dezembro.
Artigo 5.º - As autarquias e as universidades estaduais deverão entregar ao Departamento de Auditoria do Estado, até 3 de janeiro de 1996, demonstrativo contendo os seguintes dados:
I - total das despesas correntes realizadas, discriminadas por elemento;
II - total das despesas de capital realizadas, detalhadas por elemento;
III - total das receitas próprias arrecadadas, especificadas por rubrica;
IV - total das transferências efetivas recebidas do Tesouro, distinguindo os valores á conta do orçamento vigente e os oriundos de crédito inscrito no Balanço Geral encerrado em 31 de dezembro de 1994, indicando o saldo a receber a 31 de dezembro de 1995;
V - total das despesas a serem inscritas em contas de Restos a Pagar;
VI - discriminação dos convênios vigentes, firmados com o Governo Federal, indicando seu montante, valores realizados como despesas correntes, de capital, compromissos a pagar, saldo disponível e forma de controle contábil.
SUBSEÇÃO II
Dos Cancelamentos
Artigo 6.º - Os saldos das contas de Restos a Pagar de 1994, por ocasião do levantamento do balanço, deverão ser cancelados, mediante transferência dos respectivos valores á receita.
Artigo 7.º - Deverão ser canceladas, no mês de abril de 1996, as eventuais diferenças entre os valores inscritos em contas de Restos a Pagar de 1995 e as despesas efetivamente realizadas á conta desses recursos até 29 de março de 1996.
SEÇÃO .IV
Das Disposições Gerais
Artigo 8.º - Os órgãos de contabilidade das autarquias e das universidades estaduais deverão contabilizar os Restos a Pagar, distinguindo as despesas processadas, objeto de inscrição normal, das não processadas, resultantes de inscrição formalizada em caráter excepcional.
Artigo 9.º - As autarquias e as universidades estaduais deverão encaminhar ao Departamento de Auditoria do Estado, à Contadoria Geral do Estado e ao Departamento de Informações e Planejamento Financeiro:
I - o balancete do mês de novembro, até 6 de dezembro:
II - o Balanço e seus anexos, até 15 de janeiro de 1996, acompanhados de:
a) relação analítica das garantias contratuais exigidas nas licitações (posição em 31 de dezembro de 1995), esclarecendo se prestadas em dinheiro ou títulos, indicando, quanto a estes, a quantidade, tipo, valor, data de emissão, emitente, vencimento e data da caução;
b) relação analítica dos valores inscritos em contas de Restos a Pagar, contendo número do processo, número de empenho ou subempenho, classificação econômica da despesa e nome do credor.
Artigo 10.  - As fundações instituídas por leis estaduais e as empresas em que o Estado tenha participação majoritária deverão oficiar ao Departamento de Auditoria do Estado e à Coordenação das Entidades Descentralizadas, até 2 de janeiro de 1996, comunicando os valores de seus créditos junto ao Tesouro Estadual em 31 de dezembro de 1995, provenientes de subvenções ou de integralização de capital social.
Artigo 11.  - As entidades que recebem subvenções do Estado deverão contabilizar como receita do exercício as quantias efetivamente recebidas do Tesouro Estadual sob esse título.
Artigo 12.  - Competirá ao Departamento de Auditoria de Estado coligir os dados constantes dos demonstrativos recebidos nos termos do artigo 5.° deste decreto, propondo, até 5 de janeiro de 1996, ao Coordenador da Administração Financeira, o cancelamento dos créditos, cujos valores forem superiores aos respectivos déficits orçamentários, apurados nas execuções orçamentárias das autarquias e das universidades estaduais.
Artigo 13.  - O Departamento de Auditoria do Estado, após decisão do Coordenador da Administração Financeira, comunicará à entidade interessada o valor do crédito junto ao Tesouro do Estado, que a mesma deverá inscrever no seu Ativo Permanente.
Artigo 14.  - A seu critério ou a pedido da Coordenação da Administração Financeira, o Departamento de Auditoria do Estado procederá às verificações que julgar necessárias ao fiel cumprimento deste decreto.
Artigo 15.  - A Secretaria da Fazenda, por intermédio da Coordenação da Administração Financeira, poderá editar instruções complementares à execução deste decreto, bem como decidir sobre os casos especiais.
Artigo 16.  - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, 10 de novembro de 1995
MÁRIO COVAS
Yoshiaki Nakano
Secretário da Fazenda
André Franco Montoro Filho
Secretário de Economia e Planejamento
Robson Marinho
Secretário-Chefe da Casa Civil
Antonio Angarita
Secretário do Governo e Gestão Estratégica
Publicado na Secretaria de Estado do Governo e Gestão Estratégica, aos 10 de novembro de 1995.