PROJETO DE LEI Nº 713, DE 2004 DÁ DENOMINAÇÃO DE GOVERNADOR MÁRIO COVAS AO "CAMPUS" ZONA LESTE DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA: Artigo 1º - Passa a denominar-se "Governador Mário Covas" o "Campus" da Universidade de São Paulo - USP, situado na Zona Leste da Capital. Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. JUSTIFICATIVA Mário Covas Júnior nasceu no dia 21 de abril de 1930, em Santos, no litoral paulista. Filho do português Mário Covas e da espanhola Arminda Carneiro Covas, ele sempre se interessou por política. Tinha quatorze anos quando surpreendeu seu pai ao dizer que gostaria de realizardois sonhos: ser prefeito da sua cidade e presidente do Santos Futebol Clube. Em relação ao futebol, seu pai, um fanático torcedor santista, não se mostrou preocupado, o que não aconteceu com a política, pois sempre acreditou que a vida de homem público era muito difícil. Covas cresceu em Santos, saindo em 1947 para cursar a Escola Técnica Bandeirantes, na capital paulista. Já no terceiro ano do curso de Química Industrial, prestou concurso para a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, formando-se assim em químico industrial e engenheiro civil, em 1955. Ainda em Santos, Covas conheceu sua esposa, Florinda Gomes, a Lila, no clube do seu coração. Foi amor à primeira vista e logo começou o namoro. Covas tinha 16 anos e, um ano depois, foi morar em São Paulo. Lila teve que se acostumar a vê-lo somente nos finais de semana. Ainda menino, Covas ganhou um apelido que os mais íntimos sempre usuram. "Zuza" surgiu em um carnaval, quando um grupo de amigos se fantasiou de cozinheiro, com enormes chapéus de mestre-cuca. O tio de Mário "batizou-os", colocando um nome engraçado em cada chapéu. Foi assim que Covas virou "Zuza". A família Covas é bastante espiritualizada, e a fé foi importantíssima na tragédia que abalou a família, em 1975: a perda da filha Sílvia, na passagem de ano. Lila e Covas têm mais dois filhos, Mário Covas Neto, o 'Zuzinha' e Renata. Sílvia era a filha do meio. Não se pode falar de Mário Covas sem falar na importância de dona Lila. Era ela quem escolhia a roupa do marido, seus sapatos e ele ainda passava por uma vistoria da mulher antes de sair de casa. Covas era dependente da esposa neste aspecto, e sabia disto. Quando ainda era funcionário da Administração Pública de Santos, como engenheiro, Covas se empenhou muito no trabalho solidário em função das grandes chuvas que desabrigaram muitos moradores de Santos. Ainda nesta época, ele estava sozinho acompanhando um debate na Câmara Municipal de Santos, quando um amigo se aproximou e escutou do futuro político: "Sabe, meu chapa, é disso que eu gosto". Mais uma confissão do seu amor pela política. Não adiantava fugir. Já estava escrito. QUE ELE PENSAVA Em 12 de dezembro de 1968, Covas era líder do MDB e subiu à tribuna da Câmara para defender o colega Márcio Moreira Alves. Os militares, ofendidos com o discurso de Alves, queriam licença da Câmara para processá-lo. "Como acreditar que as Forças Armadas brasileiras, que foram defender em nome do povo brasileiro, em solo estrangeiro, a democracia; no mundo, colocassem como imperativo de sua sobrevivência o sacrifício da liberdade e da democracia no Brasil? Sou, senhor presidente, por fundamentação e por índole, um homem que mentalmente crê. Creio no regime democrático, que não se confunde com a anarquia, mas que em instante algum possa rotular ou mascarar a tirania. Creio no Parlamento, ainda que com suas demasias fraquezas, que só desaparecerão se o sustentarmos livre, soberano e independente." Em 28 de junho de 1989, escolhido pelo PSDB candidato a presidente, ele fez no plenário do Senado o primeiro discurso da campanha, conhecido como o do "choque de capitalismo". "Basta de gastar sem ter dinheiro. Basta de tanto subsídio, de tantos incentivos, de tantos privilégios sem justificativas ou utilidade comprovadas. Basta de empreguismo. Basta de cartórios. O Brasil não precisa apenas de um choque fiscal precisa também de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios. PALAVRAS DE MÁRIO COVAS "Uma reforma urbana é fundamental, tanto quanto a reforma agrária." Novembro de 1986 "Eu me considero um homem de centro-esquerda. Mas até o Maluf disse que é _ e isso me faz desconfiar dessa classificação." Junho de 1987 "Vamos fazer uma auditoria na dívida externa." março de 1987 "O regime parlamentar pode banir o autoritarismo. " Dezembro de 1987 "A social-democracia partilha da crítica mundial ao Estado superdimensionado." Junho de 1989 "Só se pode falar em país capitalista se seu mercado interno for forte." Julho de 1989 "O problema fundamental é a impunidade, que criou um tipo de cultura." Julho de 1989 "Não aceitamos a tese neoliberal do Estado quase inexistente." Fevereiro de 1989 "Compreendo a função política na democracia como instrumento mais eficaz para a transformação e aperfeiçoamento das estruturas sociais." Junho de 1989 "Ser nacionalista hoje é defender uma política nacional de desenvolvimento." Junho de 1989 "Desigualdade não se corrige com estagnação. Corrige-se redistribuindo renda e crescendo ao mesmo tempo." Junho de 1989 "O Brasil não precisa apenas de um choque fiscal. Precisa, também, de um choque de capitalismo, um choque de livre iniciativa, sujeita a riscos e não apenas a prêmios." Junho de 1989 "Nós, do PSDB, temos o parlamentarismo como ponto programático." Junho de 1989 "O PSDB não preconiza o calote. Nossa proposta é a redução da dívida externa ao valor do mercado secundário." Junho de 1989 "Há necessidade de privatização em alguns setores. Eu não privatizo, por exemplo, a Petrobras, pelo seu significado simbólico para a própria libertação da economia nacional." Junho de 1989 "O desenvolvimento econômico passa pela justiça social." Março de 1989 "É preciso acabar com o rouba, mas faz. Quem não rouba, faz mais." Julho de 1990 "Não vejo a reeleição com simpatia. Ela deverá ser aprovada em 98, para Fernando Henrique Cardoso ser candidato, se estiver bem. " Setembro de 1996 "Sou um subversivo dentro do meu partido." Setembro de 2000 "Eu não vou morrer porque não quero morrer." Janeiro de 2001 AS DATAS DE MÁRIO COVAS * 1930 - Nasce, em Santos no dia 21 de abril, Mário Covas Júnior, filho de Mário Covas e Arminda Carneiro Covas * 1945 - Conhece Florinda Gomes, a Lila, durante uma partida de basquete, em Santos * 1947 - Muda-se para São Paulo para estudar química industrial na Escola Técnica Bandeirantes. Termina o curso em 51, mesmo ano em que já cursa engenharia na USP * 1951 - Formou-se em químico Industrial na Escola Técnica Bandeirantes * 1954 - Casa-se com Florinda Gomes Covas * 1955 - Forma-se em engenharia civil, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo * 1956 - Começa a trabalhar como engenheiro na Diretoria de Obras e Serviços Públicos da Prefeitura de Santos, onde fica até 63 * 1961 - Com o apoio de Jânio Quadros, disputa e perde a eleição para a prefeitura de Santos. Teve 22.369 votos * 1962 - É eleito deputado federal pelo Partido Social Trabalhista (PST), com 31.100 votos * 1963 - Apenas dois meses após tomar posse na Câmara, é escolhido vice-líder de seu partido * 1964 - O Congresso elege, indiretamente, o general Castello Branco para a Presidência. Como forma de protesto, Covas vota no marechal Juarez Távora, que não concorria ao cargo. Torna-se neste ano líder do PST * 1965 - O presidente Castello Branco publica do AI-2 e acaba com o pluripartidarismo. Instalado o bipartidarismo, Covas filia-se ao MDB * 1966 - Reeleito Deputado Federal, agora pelo MDB, com 72,922 votos. * 1967 - É escolhido líder do MDB na Câmara. * 1968 - Lidera os deputados do MDB na sessão que nega licença ao governo federal para processar o deputado Márcio Moreira Alves (MDB), acusado de fazer um discurso ofensivo aos militares. * 1969 - Por força do AI-5, Covas tem seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Dois meses depois, é preso e passa dez dias em um quartel da Aeronáutica, em São Paulo. * 1975 - Trabalha como gerente da Ductor, empresa especializada em gerenciamento de projetos. Deixa a empresa em 79, quando recupera seus direitos políticos * 1976 - Sua filha Silvia morre em acidente de moto durante o Réveillon. * 1978 - Covas coordena a campanha de Fernando Henrique Cardoso ao Senado. * 1979 - Covas retoma seus direitos políticos após dez anos de cassação. É eleito presidente do diretório regional do MDB em São Paulo. * 1979 - O presidente Figueiredo assina a reforma partidária, que extingue Arena e MDB e restabelece o pluripartidarismo. Covas filia-se ao PMDB. * 1982 - Covas é eleito Deputado Federal com 300.391 pelo PMDB para seu terceiro mandato como deputado federal. * 1983 - É nomeado prefeito de São Paulo pelo governador Franco Montoro. Deixa o cargo em 85. * 1985 - Licenciado do cargo de deputado, apóia Tancredo Neves na eleição indireta do Colégio Eleitoral. * 1986 - Sofre um infarto e é submetido a uma angioplastia para desobstrução da artéria coronária direita. É eleito senador com 7.785.667 votos. * 1987 - É submetido a uma cirurgia cardíaca para a implantação de duas pontes de safena e uma mamária. * 1988 - Renuncia à liderança do PMDB na Constituinte e diz ser "muito provável" sua saída do partido. Ao lado de nomes como Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Pimenta da Veiga, José Serra e José Richa, Covas ajuda a fundar o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e é escolhido seu primeiro presidente. * 1989 - É derrotado no primeiro turno da eleição para a Presidência da República, ficando no quarto lugar com 7.790.392 votos. * 1990 - É derrotado na eleição para o governo do Estado ficando no 3º lugar com 2.055.665 votos. * 1993 - É submetido a uma cirurgia para retirada da vesícula biliar depois de sofrer uma inflamação da vesícula. * 1994 - Covas é internado no Incor (Instituto do Coração) devido a uma erisipela na perna direita, infecção na pele causada por uma bactéria e que costuma se manifestar após cirurgias cardiovasculares. Covas é eleito governador de São Paulo no primeiro turno das eleições, com 8.661.960 votos. * 1995 - Covas cancela sua agenda devido a uma nova crise de erisipela na perna direita. * 1996 - Demite os secretários do PFL que faziam parte de seu governo após os pefelistas decidirem apoiar Celso Pitta (PPB) nas eleições municipais. A coligação PSDB-PFL ajudou a eleger FHC e Covas nas eleições de 94. * 1997 - O governador anuncia que não será candidato à reeleição estadual. * 1998 - Covas derrota Paulo Maluf no segundo turno e é reeleito governador do Estado de São Paulo com 9.800.253 votos. O governador sente os primeiros sintomas da herpes-zoster (infecção causada pelo vírus da catapora), que atinge sua cabeça e testa, provocando feridas. A doença, conhecida por "cobreiro", se manifesta em caso de baixa imunidade ou de estresse. É internado no Incor devido a uma prostatite aguda (infecção na próstata). É submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor benigno na próstata. Os médicos detectam um câncer bexiga, que é retirada. Uma nova bexiga é reconstruída com partes do intestino. * 1999 - Covas toma posse como governador reeleito depois de terminada sua licença médica. Termina a primeira sessão de quimioterapia, que faz parte do tratamento contra o câncer extraído da bexiga. Inicia a terceira e última sessão de quimioterapia. * 2000 - O governador é agredido com uma bandeirada na cabeça, durante manifestação de professores em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Ao tentar entrar na Secretaria da Educação, na praça da República (região central de São Paulo), onde professores em greve estavam acampados, Covas é atingido por pedras e paus e sofre um ferimento na testa e outro no lábio superior. É internado, mas os médicos descartam cirurgia para a retirada de uma hérnia incisional surgida no abdômen de Covas após a operação da bexiga, em 98. Durante um exame de cateterismo, é constatada a existência de uma artéria mamária do coração obstruída. Não há necessidade de cirurgia. Covas descarta a aliança PSDB-PFL para a sucessão de FHC, em 2002 . No dia 19 de julho os médicos confirmam que Covas tem um tumor maligno entre a nova bexiga e o reto, mesma região atingida pelo câncer em 98. no dia 24 de outubro, Covas adia sua internação para a noite do dia 29, data da eleição, e confirma publicamente seu voto em Marta Suplicy (PT), no segundo turno paulistano. Dia 31 de outubro, Mário Covas deixa o Incor (Instituto do Coração), um dia depois de se submeter a uma angioplastia para desobstrução de artéria coronária e colocação de um "stent" (prótese em forma de tubo) para mantê-la aberta. 30 de novembro, Covas viaja 640 km de helicóptero e 60 km de carro para vistoriar obras na capital, em Campinas e em São José dos Campos. Na inauguração da maior unidade do Poupatempo, em Itaquera, políticos tucanos acompanham o governador Mário Covas em sua última cerimônia antes da internação. No dia 19 de novembro, Covas é internado no Incor (Instituto do Coração) para se submeter à segunda cirurgia de retirada de um tumor maligno em menos de dois anos. * 2001 - Médicos decidem que Covas vai passar por quimioterapia para tratar do câncer nas meninges. No dia 22 de janeiro, o Governador Mário Covas, anuncia oficialmente o afastamento de suas funções de governador do Estado; Alckmin assume interinamente o governo. No dia 25 de janeiro, mesmo afastado, Covas participa de inauguração de obras na Castelo Branco e enfrenta protesto. 22 de fevereiro, Saúde de Covas melhora e volta ao cargo começa a ser programada. 25 de fevereiro, Mário Covas passa mal em Bertioga, onde passa o Carnaval, e é levado de helicóptero ao Incor. No Dia 6 de março de 2001, Mário Covas nos deixa, morre de falência múltipla dos órgãos por volta das 5h30, no Incor. A vida de Mário Covas é parte da história do nosso País. Homenagea-lo, atribuindo o seu nome ao Campus da Zona Leste da Universidade de São Paulo é demonstrar o respeito que a população paulista, por meio dos seus representantes neste parlamento, tem pelo grande Líder que foi Mário Covas. Conclamo aos nobres pares para a aprovação deste projeto. Sala das Sessões, em 23/11/2004 a) João Caramez - PSDB