Peças de reposição para automóveis custam o dobro nas concessionárias
07/05/2013 22:12 | Da Redação: Joel Melo Fotos: Roberto Navarro
A CPI que investiga a eventual cartelização do mercado de autopeças de reposição ouviu nesta terça-feira, 7/5, Arnaldo Mamede, da Universal Automotive Systems, que, a pedido dos deputados, falou sobre o processo que a Ford move contra a Universal, acusando-a de copiar o desenho industrial de peça usada em veículo da montadora. Mamede esclareceu que a peça que motivou o processo, uma maçaneta, não é fabricada pela Universal, e que a comprou da mesma fábrica que vendeu para a Ford. Os deputados perguntaram a quanto a maçaneta era vendida, à época do início do processo, e Mamede respondeu que o valor era 80% mais baixo do cobrado nas concessionárias. Os deputados insistiram em saber se, em geral, a diferença era tão grande. Mamede respondeu que sim, que geralmente as peças custam, nas concessionárias, o dobro do que custam nas autopeças.
A declaração de Mamede reforçou o que já havia dito outro convidado da CPI, o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Gilberto Nonaka, que ajuizou em 2004 uma ação civil pública porque, em inquérito civil que tramitou por três anos, ficou demonstrado que havia "abuso no preço cobrado pelas montadoras nas peças de reposição vendidas em concessionárias, comparado com o preço praticado na rede de distribuição". E continuou falando sobre a investigação que fez na época com fabricantes que produzem tanto para montadoras como para a rede de distribuição: "O produto entregue à rede de concessionárias é o mesmo que os distribuidores recebem; a logística é a mesma. Então não há nenhum motivo, fora o símbolo da montadora que é colocado na peça, para um preço tão abusivo".
Após a oitiva dos convidados, o presidente da comissão, Osvaldo Vergínio (PSD), colocou em votação requerimentos convidando outras pessoas ligadas ao setor e à sua fiscalização para serem ouvidos. Todos os requerimentos foram aprovados.
Participaram da reunião os deputados Jooji Hato (PMDB), Ana Perugini (PT), Alcides Amazonas (PCdoB), Beto Trícoli (PV), Ramalho da Construção (PSDB) e Beth Sahão (PT).
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