CDHU e Secretaria de Habitação são questionadas por cobranças irregulares em Santo André
A deputada Márcia Lia apresentou requerimento de informação 525/2017 à Secretaria de Estado de Habitação e à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) pedindo explicações a respeito de cobranças supostamente irregulares dos valores dos lotes do conjunto Centreville, em Santo André. Moradores alegam que o Estado não está cumprindo nenhum dos acordos assumidos com eles em reunião com autoridades estaduais e municipais, dentre eles prefeito e vereadores.
"Foi debatido um acordo com os moradores via Associação União e Luta dos Moradores do Centreville, chegou-se a valores que estivessem dentro das possibilidades orçamentárias das famílias, e agora a cobrança que está sendo feita fere o acordo e extrapola toda a programação financeira dos moradores", observa a deputada Márcia Lia.
O conjunto Centreville, em Santo André, corresponde a uma área de 25 mil metros quadrados em que a construtora Nova Urbe edificava um condomínio de luxo anos atrás. Depois de 600 casas construídas totalmente ou em parte, a empresa faliu.
As famílias se organizaram e ocuparam os imóveis. Algumas casas foram divididas, algumas foram terminadas e outras construídas. Hoje, a área é ocupada por 1,5 mil famílias.
Todas as tentativas de regularização fundiária estavam esbarrando em entraves da CDHU com o governo municipal, mas no início deste ano foram feitas reuniões que apontavam para uma solução. Foram feitas a atualização do cadastro das famílias, a medição dos lotes e um balanço da situação socioeconômica das famílias e, em um dos acordos, a Prefeitura isentou os moradores de pagar pelas casas já que houve mudanças e reformas pagas pelas famílias e 75% dos imóveis foram edificados pelos moradores.
Em outro item do acordo, uma assembleia no bairro com 600 moradores concordou com o pagamento de 15% do valor venal do lote, com subsídio do Estado para os demais 85%. Essa porcentagem daria aos moradores a escritura dos lotes e poderia ser paga em até 30 anos.
Também ficou definido que as famílias de baixa renda teriam no máximo 5% de sua renda mensal comprometida com essa tarifa, que o imóvel seria quitado em caso de morte do titular e, em caso de desemprego e perda de renda família, as mensalidades seriam renegociadas, sem risco de perda do imóvel.
No entanto, na assinatura dos contratos, os moradores se depararam com cobrança de 100% do valor venal dos lotes, mensalidades que comprometem 15% de toda a renda familiar independente da situação financeira da família, ausência de seguro por falecimento e cláusula de perda do imóvel no caso de atraso de três mensalidades.
Diante disso, o requerimento de informação 525/2017 questiona a porcentagem do valor venal dos lotes que está sendo cobrada dos moradores e quer saber quando esse acordo com os moradores foi modificado. O documento pede uma comprovação de que houve acordo para a cobrança de 100% do valor venal dos lotes, assim como da mudança de 5% para 15% do comprometimento da renda familiar com as mensalidades para quitação dos mesmos.
A deputada Márcia Lia ainda questiona a CDHU sobre sua postura diante do atraso de três mensalidades, sobre a possibilidade de negociação da dívida, sobre o protocolo para a transferência do imóvel em caso de morte do titular e ainda requer os documentos que comprovam a compra do terreno e pagamento do precatório por parte do Estado. "Queremos saber o valor total desse negócio, quantos e de quanto foram esses repasses, além da fonte pagadora", fala a deputada Márcia Lia.
Sem concordar com os termos impostos pela CDHU, os moradores não estão assinando os contratos. Pela Associação de Moradores, as famílias têm ocupado a tribuna da Câmara toda semana para protestos, contrataram corpo jurídico para defender a causa, têm confeccionado boletins informativos e criaram uma comissão parlamentar de vereadores de todos os partidos para forçar a reabertura das negociações nos termos estabelecidos com elas.
Também acionaram o Ministério Público, que parou as negociações enquanto avalia as condições do acordo, em especial os 15% cobrados pelo valor venal do imóvel.
"Os moradores nunca se negaram a pagar pelos lotes, mas isso sempre esteve condicionado às finanças da maioria das famílias. Se não couber no bolso dos moradores, o acordo não faz sentido porque ninguém vai dar conta de pagar. Está claro isso, ainda mais em ano de crise financeira e perda de empregos em todos os lados", avalia Márcia Lia.
Notícias mais lidas
- Alesp aprova novo valor do Salário Mínimo Paulista, de R$ 1.874
- Eleições 2026: confira lista dos 94 deputados estaduais eleitos para a 21ª Legislatura da Alesp
- Mães atípicas: mulheres que se refizeram na individualidade dos filhos
- PL elege 27 deputados e mantém maior bancada da Alesp; PT segue como segunda
- Carreta da Mamografia na Alesp terá atendimento gratuito e aberto ao público; veja datas e horários
- Aprovados na Alesp, novo Salário Mínimo Paulista e abono a servidores são sancionados
- Confira quem são os parlamentares reeleitos e os que chegam à Alesp pela primeira vez
- São Paulo reúne um dos maiores patrimônios de fósseis pré-históricos do país
- Diretora-Geral do Senado lança livro em São Paulo sobre liderança feminina na gestão pública
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Pesquisa de Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Questões de Ordem
Regimento Interno
Consolidação de Leis
Sobre o Processo Legislativo
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Normas e Proposições