São Paulo reúne um dos maiores patrimônios de fósseis pré-históricos do país

Mapeamento no interior revela municípios que preservam fósseis do Período Cretáceo, há 80 milhões de anos, e reforça relevância internacional de acervos científicos paulistas
16/10/2026 16:19 | paleontologia | Davi Molinari | Fotos: Museu de Paleontologia de Marília

Compartilhar:

Abelissauro <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367463.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Willian Nava coleta fóssil em Presidente Prudente<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367464.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Museu de Paleontologia de Marília<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367465.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Mariliasuchus Amarali um crocodilo pré-histórico <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367456.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Descoberta do Dino Titã de Marília<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367457.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Ossos de dinossauro<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367458.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Moluscos de água doce<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2026/fg367466.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

O interior de São Paulo reúne um dos mais importantes patrimônios paleontológicos do país. Fósseis e vestígios pré-históricos encontrados em solo paulista ajudam pesquisadores a reconstruir a fauna que habitava a região há cerca de 80 milhões de anos. Com rochas sedimentares originadas na Era Mesozoica, especialmente do Período Cretáceo, diversas cidades tornaram-se polos de descobertas científicas com repercussão internacional.

O paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava, explica que a região está situada sobre o chamado Planalto de Marília, formado por rochas sedimentares sob clima quente e seco da Era Cretácea. O território, delimitado por municípios como Marília, Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto e Monte Alto, integra a chamada Bacia Bauru, uma vasta área habitada no passado por dinossauros, crocodilomorfos, peixes, tartarugas e pequenos mamíferos.

Polos de descobertas no interior

O município de Marília figura como um dos principais pontos de referência da paleontologia paulista. O acervo local guarda fragmentos de titanossauros e ovos fossilizados. Entre os achados de destaque está o chamado "Dinotitã de Marília", escavado entre 2011 e 2012 em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que teve entre 60% e 70% de seu esqueleto recuperado. Descobertas recentes publicadas na revista Nature, como a ave primitiva Navaornis hestiae e a serpente Tametara mirim, reafirmam a projeção internacional das pesquisas realizadas no solo paulista.

No Noroeste do estado, o município de Monte Alto abriga o Museu de Paleontologia "Prof. Antonio Celso de Arruda Campos", referência no resgate de espécimes da Bacia Bauru, como o predador Montealtosuchus arrudacamposi. Em Uchoa, o Museu Paleontológico Pedro Candolo reúne fósseis da região de São José do Rio Preto, com registros de dinossauros carnívoros como o Thanos simonattoi.

Preservação dos fósseis

A cidade de Araraquara destaca-se no estudo de pegadas fossilizadas. O Museu de Arqueologia e Paleontologia de Araraquara (MAPA) preserva lajotas de arenito com centenas de registros de dinossauros e mamíferos primitivos gravados em antigas dunas de deserto. Já em Fernandópolis, o Museu de Paleontologia zela por répteis fósseis e pelo predador Baurusuchus pachecoi, cujo exemplar local figura entre os mais bem conservados do país.

A conservação desses acervos em equipamentos públicos municipais garante o acesso da população ao conhecimento científico e impulsiona o turismo cultural no interior paulista.

Com 33 anos dedicados à paleontologia, Willian Nava, é coordenador do Museu de Paleontologia de Marília e uma das referências mundiais no assunto. Confira a entrevista concedida ao Portal Alesp sobre o trabalho de campo, metodologias de escavação e difusão científica:

Como funciona o processo de identificação e escavação de novas áreas com potencial fossilífero na região de Marília?

William Nava: A identificação de locais com fósseis demanda conhecimento das rochas. Geralmente, nossas pesquisas se concentram em margens de estradas e rodovias, onde a rocha já se encontra exposta, ou em erosões naturais dentro de propriedades rurais, como sítios e fazendas. Não temos áreas desérticas que facilitariam as buscas, como ocorre na Patagônia argentina. Mas isso não impede a realização de descobertas super relevantes para a paleontologia brasileira e mundial.

De que maneira o Museu busca aproximar a comunidade local e as escolas do conhecimento científico?

William Nava: Procuramos realizar atividades que atraiam a atenção de crianças, jovens e do público em geral. Oferecemos a oportunidade de observar fósseis sob a lupa, tocar em ossos verdadeiros, principalmente de dinossauros, e acessar a sala de realidade virtual com óculos 3D, retratando a região de Marília na Era dos Dinossauros. Vinculado à Secretaria Municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, o museu atrai o turismo regional e estadual, contribuindo para que Marília recebesse o título de Município de Interesse Turístico (MIT).

Quais são as principais parcerias da instituição com universidades e centros de pesquisa no Brasil e no exterior?

William Nava: Ao longo de duas décadas, mantemos parcerias técnico-científicas com museus e universidades nacionais e estrangeiras, como a Universidade de Brasília, o Museu Nacional da UFRJ, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a USP de Ribeirão Preto, a Unipampa (RS), além do Museo Argentino de Ciencias Naturales, de Buenos Aires, e o Natural History Museum, de Los Angeles.

alesp