Debate sobre a volta às aulas domina primeira sessão após recesso parlamentar
03/08/2021 19:10 | Sessão | Lucas Cheiddi - Foto: Reprodução Rede Alesp
Na primeira sessão extraordinária após o recesso parlamentar nesta terça-feira (3/8), o principal assunto debatido entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo foi a volta às aulas nas escolas. Pelas regras do governo estadual, o retorno está liberado, respeitando a condição física das escolas e o distanciamento.
A deputada Professora Bebel (PT) foi a primeira a tratar do tema e se disse preocupada com a falta da vacinação completa dos professores. "Está se falando em 100% da capacidade. O grande problema é que 44,5% dos professores têm a segunda dose e 49% têm apenas a primeira dose. Fizemos uma pesquisa pelo instituto Vox Populi e tanto professores como pais e alunos têm preocupações com a volta. Isso mostra muita insegurança", afirmou a parlamentar.
"Não é que não queremos a volta às aulas, até porque a interação do professor com o aluno é a coisa mais importante. Porém estamos em uma excepcionalidade e temos o teletrabalho. Além disso, não é de agora que os estudantes estão perdendo, é desde sempre", completou. O governo, porém, informou que os pais dos alunos têm autonomia para autorizar a ida dos filhos às escolas. Do contrário, eles permanecem em aula online.
Em seguida, concordando com a opinião de Bebel, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) afirmou que o momento ainda é difícil e de alta contaminação, e se mostrou preocupado com os efeitos da variante Delta do coronavírus. "É uma decisão negacionista e genocida. Encurtar o distanciamento social e autorizar a lotação máxima é uma irresponsabilidade criminosa, que empurra as pessoas para a morte", disse.
"Os profissionais da educação não foram vacinados com segunda dose e os alunos tomarão a primeira somente em 18 de agosto. As escolas não estão preparadas para voltar nesse momento. O secretário da Educação disse que as escolas têm capacidade de voltar, o que não é verdade. Protocolei uma representação junto ao Ministério Público questionando e mostrando que é algo inviável", afirmou Carlos Giannazi.
Divergência
O deputado Daniel José (Novo) divergiu dos colegas e questionou a coerência de primeiro lamentar os impactos negativos aos alunos e depois ser contra a volta às aulas. Segundo ele, pesquisas internacionais e no Estado de São Paulo demonstram que o retorno presencial não aumenta a taxa de transmissão do coronavírus. Por conta disso, não defender o retorno também seria uma forma de negar a ciência, segundo ele.
"Nenhum país que lida de forma séria com a educação passou por mais que 90 dias sem aulas. Todas as evidências mostram que é seguro. Os deputados (Bebel e Giannazi) fazem seu trabalho legítimo em defesa corporativista da classe, o que faz parte da democracia, mas isso não pode ocorrer em detrimento da educação e dos alunos, que são os principais agentes do sistema educacional. O posicionamento dos partidos de esquerda e de inúmeros sindicatos foi contra o interesse da educação", disse.
Para o deputado, seriam muito poucas as escolas que não conseguiriam se adequar às simples adaptações necessárias para a volta às aulas. "Compras de álcool em gel, sabonetes, EPI’s (equipamentos de proteção individual) e mudanças de processos internos, como horários de intervalos, podem acontecer nas escolas particulares e estaduais", afirmou.
Vacinação
Em 10 de abril deste ano, começou a vacinação para profissionais da educação a partir de 47 anos. Em 11 de junho, todos os profissionais da área de até 18 anos começaram o seu plano vacinal. A atual taxa de ocupação de UTI’s no Estado é de 49,2% - a menor de 2021. São Paulo conta com 80,06% da população adulta com pelo menos uma dose e 23,12% com o esquema vacinal completo.
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