Projeto Tamar de Ubatuba é referência nacional em conservação marinha
16/06/2026 18:08 | Dia Mundial das Tartarugas Marinhas | Fernanda Franco - Fotos: Henrique Becker/Arquivo pessoal
Presente no planeta terra há mais de 100 milhões de anos, desde a época dos dinossauros, a tartaruga marinha desempenha um papel fundamental para o equilíbrio dos oceanos. No entanto, desde o século 19, a ação humana tem impactado a existência desses animais pré-históricos.
A necessidade de combate à destruição dessas populações e o incentivo à conservação foi o que motivou a oficialização do Dia Internacional da Tartaruga Marinha, celebrado em 16 de junho. A data foi escolhida por conta do dia do nascimento do biólogo Dr. Archie Carr. Ele é considerado o "pai" das tartarugas marinhas por sua atuação pioneira na pesquisa e conservação desses animais em uma campanha internacional.
Atualmente, seis das sete espécies de tartarugas marinhas no mundo correm o risco de desaparecer em um futuro próximo. Todas estão incluídas em listas de ameaça de extinção em nível global pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA).
As sete espécies são: Tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), Tartaruga-de-casco-achatado (Natator depressus), Tartaruga-verde (Chelonia mydas), Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) - sendo as últimas cinco presentes no litoral brasileiro para alimentação e desova.
Apesar do estado crítico, esforços contínuos de ambientalistas e organizações comunitárias de conservação têm gerado bons resultados. No Brasil, por exemplo, a Fundação Projeto Tamar se destaca garantindo a preservação de milhões de tartarugas em parceria com a comunidade.
Conservação
Criada na década de 1980, a Fundação Projeto Tamar nasceu com a missão de proteger as espécies de tartarugas marinhas presentes no país. Nos primeiros anos, os esforços concentraram-se na proteção das áreas de desova, dos ninhos e dos filhotes, especialmente diante da captura de fêmeas adultas e da coleta de ovos para consumo.
Desde 1998, o consumo, caça e comercialização de carne de tartaruga no Brasil são proibidos por meio da Lei federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que prevê sanções e penas para captura, matança, coleta de ovos e distúrbios de habitat da fauna silvestre.
Ao longo das últimas décadas, a atuação da fundação se ampliou para outras frentes, incluindo a conservação das áreas de alimentação das tartarugas. Em Ubatuba, por exemplo, o trabalho é voltado principalmente à redução das capturas acidentais na pesca.
Ponto estratégico
Todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil são protegidas pela Fundação Projeto Tamar. Segundo Henrique Becker, coordenador de Pesquisa e Conservação da unidade de Ubatuba, o Litoral Paulista funciona como uma importante área de alimentação e desenvolvimento desses animais.
"As águas do Sul e Sudeste são mais frias e ricas em alimento. Muitas tartarugas passam parte significativa da vida nessas regiões para crescer e se alimentar antes de seguir suas rotas migratórias", explica.
Embora as áreas de reprodução estejam concentradas no Nordeste brasileiro, o Estado de São Paulo ocupa posição estratégica na proteção das espécies, especialmente por meio das pesquisas e ações desenvolvidas pelo Projeto Tamar em Ubatuba.
Um dos diferenciais da região, segundo Becker, é a construção de parcerias com pescadores. "A partir da troca de conhecimento e da realização de pesquisas conjuntas, foi possível desenvolver estratégias para reduzir a mortalidade dos animais sem comprometer a fonte de renda dos pescadores e a atividade econômica da região", conta.
Uma dessas iniciativas identificou que cerca de 80% das capturas de tartarugas-verdes ocorrem durante o dia, enquanto a maior parte dos peixes é capturada à noite. Com base nesses dados, os pesquisadores passaram a orientar a instalação das redes em horários que diminuem significativamente o risco para as tartarugas.
O resultado do trabalho é expressivo. Apenas na região, cerca de 14 mil tartarugas capturadas acidentalmente por pescadores foram devolvidas ao mar desde a década de 1990, graças à cooperação entre a comunidade pesqueira e o Projeto Tamar em Ubatuba.
Ameaças
Atualmente, a captura acidental na pesca continua sendo uma das principais ameaças às tartarugas marinhas em escala global.
Outro problema crescente é a poluição dos oceanos, especialmente pelo descarte inadequado de resíduos plásticos. As tartarugas podem ingerir esses materiais ao buscar alimento, o que provoca obstruções no sistema digestivo, sensação falsa de saciedade e, em muitos casos, a morte dos animais.
"O problema não é apenas a ingestão ocasional. O plástico permanece no ambiente por décadas ou até séculos, continuando a impactar diversos organismos marinhos", explica Becker.
O biólogo ressalta que a solução não se limita à substituição apenas dos canudos plásticos, embora a medida tenha papel educativo importante. Para ele, é necessário reduzir o consumo de plásticos descartáveis, ampliar a reciclagem, fortalecer a coleta seletiva e incentivar a responsabilidade compartilhada entre consumidores, empresas e poder público.
As mudanças climáticas também são uma ameaça, pois a temperatura da areia influencia diretamente a definição do sexo dos filhotes durante a incubação dos ovos. "Esse é um processo natural que acontece há milhares de anos e nunca foi exatamente um problema. Mas, agora, alterações significativas no clima podem afetar esse equilíbrio natural e gerar impactos ainda pouco conhecidos para as populações de tartarugas", alerta Becker.
Outro ciclo natural impactado é o local de desova. Apesar de passarem a maior parte da vida nos oceanos, as tartarugas marinhas possuem uma forte memória geomagnética de navegação da praia natal, e as fêmeas retornam ao mesmo local para desovar.
Porém, com a ocupação urbana desordenada das áreas de desova, aumenta a poluição luminosa nas praias, o que desorienta os filhotes recém-nascidos. "Em vez de seguirem em direção ao mar, muitos acabam atraídos pelas luzes artificiais, reduzindo suas chances de sobrevivência", explica o biólogo.
Avanços
Apesar dos desafios, o trabalho de conservação vem produzindo resultados importantes. A tartaruga-verde deixou recentemente de ser considerada ameaçada de extinção em avaliações nacionais e internacionais, reflexo de décadas de ações de proteção, monitoramento e educação ambiental.
Ainda assim, Becker destaca que a espécie continua dependente de esforços permanentes de conservação. No Brasil, quatro espécies seguem ameaçadas. "A conservação precisa continuar. Quando protegemos as tartarugas, estamos protegendo todo o ambiente marinho e as demais espécies que dependem dele", afirma.
Notícias mais lidas
- Alesp aprova novo valor do Salário Mínimo Paulista, de R$ 1.874
- Alesp aprova absorção de funcionários da CPTM por órgãos da Administração Pública
- ILP abre espaço para produção universitária
- Cuesta de Botucatu une patrimônio geológico, proteção ambiental e geoturismo no Centro-Oeste de SP
- Museu da B3 guarda acervo centenário que conta história do desenvolvimento financeiro brasileiro
- Resgate da história ferroviária e cultural de Paranapiacaba atrai turistas no ABC Paulista
- CPI vê falhas no controle de materiais contaminantes e pede nova investigação em relatório final
- Agosto Lilás reforça proteção à mulher vítima de violência e responsabilização do agressor
- Campos do Jordão encanta com programação cultural em meio à Serra da Mantiqueira
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Pesquisa de Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Questões de Ordem
Regimento Interno
Consolidação de Leis
Sobre o Processo Legislativo
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações