Patrimônio histórico e gastronomia impulsionam o turismo em Bueno de Andrada

Imortalizadas por Ignácio de Loyola Brandão, as coxinhas do distrito de Araraquara atraem visitantes de todo o país e projetam a história ferroviária da região Central do estado
04/08/2026 17:13 | Me Leva Alesp | Davi Molinari - Fotos: TV Alesp

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As famosas coxinhas de Bueno de Andrada<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367194.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Distrito de Bueno de Andrada e a ferrovia <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367167.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Bairro de Araraquara tem 1,7 mil habitantes<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367168.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Região mantém ar bucólico <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367195.png' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

"A coxinha de Bueno de Andrada é um patrimônio do estado de São Paulo, uma obra-prima de dourada crocância." Foi com esse tom lírico que o escritor Ignácio de Loyola Brandão imortalizou a iguaria produzida no pequeno distrito de Araraquara, transformando o hábito da culinária de botequim em fenômeno literário e turístico nacional.

A história da projeção do local começou em 2001. Diante da queda no movimento comercial após a evasão dos passageiros da ferrovia, com o asfaltamento da estrada que liga o distrito à sede do município, a empresária Sônia Freitas buscou alternativas de renda e aprimorou a receita do salgado artesanal. A visita casual do escritor araraquarense e a publicação de sua crônica em um jornal de grande circulação alteraram definitivamente a rotina da localidade.

Loyola Brandão recordou o impacto do achado gastronômico. "Pedi uma, pedi duas. Voltei para São Paulo e escrevi uma crônica-poema sobre aquela manhã, o sol e o olhar encantado da mulher que fazia a coxinha. Tempos depois, voltei e vi uma fila enorme. A crônica deu projeção, mas o mérito é do trabalho da Sônia", afirmou o autor de obras icônicas como os romances Zero (1975) e Não Verás País Nenhum (1981).

A repercussão transformou a antiga mercearia em um polo gastronômico que hoje oferece 25 sabores de coxinhas e atende a milhares de turistas semanalmente. "Buscamos manter a produção artesanal nas unidades maiores e o rigor com os ingredientes. O turismo gastronômico movimenta a economia local, valoriza os imóveis e gera empregos diretos para os moradores", destacou Sônia.

Resgate histórico e ferrovia

A gastronomia tornou-se a porta de entrada para que os visitantes conheçam a formação histórica do Interior paulista. Em entrevista ao Me Leva, da TV Alesp, a historiadora e pesquisadora Tereza Telarolli explicou que o território do distrito integrava originalmente a Fazenda do Lageado, inserida na sesmaria de Pedro José Neto, fundador de Araraquara, município criado em 1817, a 270 quilômetros da capital. As sesmarias eram grandes extensões de terras devolutas distribuídas pela Coroa Portuguesa para colonização e cultivo.

O grande divisor de águas na ocupação regional foi a chegada dos trilhos. A estrada de ferro alcançou Araraquara em 1885 e chegou à estação de Itaquerê - primeiro nome da localidade - em 1898. "A chegada da ferrovia representou para o século 19 o mesmo impacto que a internet teve no final do século 20. Era a conexão direta do interior com o mundo, permitindo o escoamento da safra cafeeira, do transporte de madeira e da circulação de passageiros", pontuou Tereza Telarolli.

Em 1924, o povoado foi oficializado como Distrito de Paz de Itaquerê, impulsionado pela Fazenda Itaquerê, modelo de produção agrícola diversificada. A denominação atual foi adotada em 1937, em homenagem ao engenheiro e senador Bueno de Andrada, projetista que atuou na expansão da malha ferroviária do Estado.

Atualmente, com cerca de 1,7 mil habitantes distribuídos entre o núcleo urbano, a zona rural e assentamentos da reforma agrária, Bueno de Andrada consolida-se como roteiro de turismo ecológico e cultural, reunindo trilhas de ciclismo, cachoeiras e eventos comunitários.

Acompanhe a reportagem completa sobre o histórico do distrito de Bueno de Andrada no Me Leva, da TV Alesp:


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