Opinião - PL 529: pacote de retrocessos para desmonte do Estado, mas quem paga é a população
06/10/2020 14:34 | Atividade Parlamentar | Mario Maurici*
O PL 529/2020, de autoria do governador João Doria, é um duríssimo golpe à população paulista. Um verdadeiro pacote de retrocessos, travestido de ajuste fiscal para um suposto rombo de R$10 bilhões nas contas do Estado.
Culpando a pandemia, o governador quer, com uma mesma canetada, extinguir dez autarquias e fundações públicas, demitir 5,6 mil servidores, cortar verbas das universidades e aumentar tributos. De quebra, compromete serviços essenciais a quem mais precisa, de saúde, moradia, transporte, regularização fundiária, agricultura familiar e meio ambiente.
Com essa temerária iniciativa, Doria conseguiu um feito histórico: uniu, contra si, partidos ideologicamente diversos, bem além das esquerdas. Ao lado do PT, as bancadas do PSL, PTB, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PROS, Rede, Novo e Patriotas estão combatendo o PL 529.
Estamos indignados com a arrogância do governador, que reuniu assuntos tão díspares em um único projeto e tenta aprovação a toque de caixa, usando o artifício antidemocrático do relator especial ¿ um resquício do regime militar, para realizar uma votação em caráter de urgência, sem passar pelas instâncias devidas.
Cada um desses pontos deveria ser tratado separadamente na Assembleia Legislativa, com tempo hábil para discussão nas comissões e ajustes no texto. Diante de tamanho absurdo, os deputados já apresentaram 623 emendas, todas vetadas: um recorde!
O governador sequer demonstrou se a dívida existe de verdade e qual seu tamanho exato. A pandemia do coronavírus pode, sim, ter aumentado os gastos e diminuído a arrecadação do Estado, mas esse é justamente o momento em que os 45 milhões de paulistas mais precisam de apoio, que o meio ambiente mais precisa de proteção, que a ciência mais precisa se desenvolver.
Eu, que batalho há mais de 30 anos pela Grande São Paulo, sei bem da importância de instituições metropolitanas, que ultrapassem os limites das cidades, com soluções conjuntas para diversos problemas. Era hora de se pensar em construir mais estruturas assim, e não de destruí-las.
O PL 529 ameaça as habitações populares, os remédios gratuitos, a reabilitação de pacientes com câncer, o controle de endemias como a dengue, a conservação de recursos naturais, o transporte intermunicipal, a pesquisa brasileira. Parece que o governador foi lá, pegou uma dúzia de coisas que ele acha que somam o valor para equilibrar o orçamento, e disse: ¿vamos extinguir isso aqui¿.
Além de nos oferecer um presente de trevas, Doria quer um futuro ainda pior para a população paulista. Empresas como a EMTU, a CDHU e o Oncocentro não são as vilãs dos gastos públicos - a economia gerada pelos cortes será irrisória, mas o impacto à população será tremendo.
Sorrateiramente, foi embutido também um aumento de tributos, como ITCMD, ICMS e IPVA, que sentiríamos diariamente. O projeto acaba até com a isenção de impostos para veículos de deficientes físicos. Porém, não aborda uma revisão das renúncias fiscais concedidas a grandes empresas, que somam cerca de R$ 40 bilhões ¬¿ o suficiente para cobrir o rombo, com sobra. Com quem o governador está preocupado, então?
Doria quer mais do que uma política privatista. Ele não vai vender as empresas públicas, vai simplesmente fechá-las, demitir os servidores e acabar com os serviços prestados. Na contramão da Constituição de 1988 e da democracia, quer retirar direitos sociais básicos da população, que tanto lutamos para conquistar nas últimas décadas.
O já cansado discurso de ¿enxugar o Estado¿ é, claramente, uma manobra para extinguir instituições que o governador sempre atacou, abrindo espaço para sua estimada iniciativa privada e prejudicando a grande maioria da sociedade paulista.
*Mario Maurici é deputado estadual pelo PT/SP
Notícias relacionadas
- Deputado solicita inclusão de Mongaguá no Programa Muralha Paulista
- Compromisso que se renova: deputado reforça parceria com Vargem Grande do Sul e anuncia recursos
- Uma noite de emoção, fé e música na catedral de Franca
- Serviço público por videochamada: projeto de lei aprovado na Alesp cria "Balcão Virtual"
- Audiência pública denuncia falta de transparência na municipalização do Caps Itapeva
- Deputada recebe Título de Cidadã Miguelopolense
- Projetos e ações as entidades sociais e assistências é pauta de reunião na secretaria estadual de Desenvolvimento Social
- Opinião - Uma queda de braço que pode custar vidas em Osasco
Notícias mais lidas
- Alesp aprova novo valor do Salário Mínimo Paulista, de R$ 1.874
- Aprovados na Alesp, novo Salário Mínimo Paulista e abono a servidores são sancionados
- Temporada das cerejeiras: onde admirar a florada das Sakuras em São Paulo
- Terra da Uva: Jundiaí é berço da variedade mais consumida no Brasil
- Empresas de tratamento de resíduos prestam depoimentos em reunião conjunta de CPIs da Alesp
- Capital Nacional do Bordado: Ibitinga é casa da maior feira do setor na América Latina
- Alesp aprova aumento de 10% para policiais militares, civis e técnico-científicos
- CPI vê falhas no controle de materiais contaminantes e pede nova investigação em relatório final
- Da Gália para o Brasil: como São Paulo moldou as obras de Benedito Ruy Barbosa
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Pesquisa de Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Questões de Ordem
Regimento Interno
Consolidação de Leis
Sobre o Processo Legislativo
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações