Opinião - Audiência pública discutirá educação midiática, desinformação e democracia
Na próxima sexta-feira (22), das 9h30 às 13 horas, por meio do mandato parlamentar, vou promover uma audiência pública sobre O papel da educação midiática no combate à desinformação e fortalecimento da democracia, que será transmitida em ambiente virtual pelo canal oficial da Rede Alesp no YouTube (https://www.youtube.com/AlespOficial). Farei a moderação desse debate, que vai contar com a participação de Alexandre Le Voci Sayad, copresidente do Comitê Diretor Internacional de Alfabetização Midiática e Informacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO MIL ALLIANCE).
A audiência antecede a Semana Global de Alfabetização Midiática e Informacional (Global Media and Information Literacy Week), que acontece anualmente de 24 a 31 de outubro, adotada pela Assembleia Geral da Organização da Nações Unidas (ONU) em 21 de março de 2021, conclamando a união de todos os Estados-Membros no enfrentamento ao desafio global da desinformação, que neste ano será sediada na África do Sul e vai abordar a alfabetização midiática e informacional para o bem público. Quando a semana comemorativa foi iniciada, há dez anos, em Fez, no Marrocos, o ecossistema informacional não era permeado por essa desinformação em ritmo exponencial dos dias atuais.
A alfabetização midiática e informacional defendida pela Unesco, nunca foi tão urgente. Inserir a camada de educação midiática nos objetivos curriculares de todas as disciplinas é ensinar de uma forma diferente. É desenvolver habilidades e competências midiáticas e informacionais, expandindo os horizontes dos alunos para que estejam preparados para os desafios do século XXI. É preciso que haja letramento informacional, análise crítica da mídia, fluência digital, autoexpressão, de maneira que o estudante exercite o seu protagonismo e engajamento cívico.
Ainda que a internet tenha democratizado o acesso à informação, as pessoas não estavam preparadas para lidar com esse ambiente de superabundância informacional. Recente relatório publicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em maio de 2021, baseado no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) indicou que no Brasil, 67% dos jovens de 15 anos não sabem diferenciar fatos de opiniões. Esse papel cabe, portanto, à escola. Esse apontamento explica, em partes, a desordem informacional, a polarização política, a infodemia, as bolhas informacionais e a era da pós-verdade.
A programação contará ainda com a participação de Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, que desenvolve o programa de formação de professores EducaMídia; Natalia Leal, jornalista e CEO da Lupa, plataforma de combate à desinformação; Claudemir Edson Viana, secretário executivo da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom) e docente em Educomunicação na USP; Carlos Lima, coordenador do núcleo técnico de currículo na Prefeitura de São Paulo e criador do Programa Imprensa Jovem e Debora Albu, coordenador do Programa de Democracia e Tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS-RJ).
A um ano de novas eleições, e com a experiência adquirida como presidente da CPI das Fake News da Alesp, encerrada em dezembro de 2020, após a audiência pública pretendo apresentar um projeto de lei visando o desenvolvimento de políticas públicas de conscientização e sensibilização no combate à desinformação pela rede pública de ensino estadual.
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