Apresentada na Alesp, pesquisa aponta presença de 25 tipos de agrotóxicos nas águas do Tietê

Encontro marcou lançamento do Relatório da Expedição Tietê 2025; pesquisadores do estudo analisaram a qualidade do rio e descobriram a presença de microplásticos, carbono, agrotóxicos, fármacos e outras substâncias contaminantes
25/06/2026 17:34 | Meio Ambiente | Daiana Rodrigues - Foto: Gabriel Eid

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Relatório da Expedição Tietê 2025 é lançado <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366507.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Deputada Marina Helou presidiu evento<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366508.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Cesar Pegoraro: educador socioambiental <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366509.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Público presente na reunião da Frente<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366510.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Saracura é um dos trechos do Rio Tietê<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-06-2026/fg366511.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A Frente Parlamentar Ambientalista da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo promoveu, nesta quinta-feira (25), uma reunião para lançar o Relatório da Expedição Tietê 2025 em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica - instituição que monitora a qualidade da água e busca o fortalecimento das leis que protegem nossos rios.

Realizada em junho do ano passado, a expedição reuniu pesquisadores que percorreram da nascente à foz do Rio Tietê. Os especialistas coletaram e analisaram a presença de microplásticos, carbono, agrotóxicos, fármacos e agentes microbiológicos, parasitológicos e físico-químicos nas águas.

A pesquisa originou um diagnóstico integrado das pressões sobre a qualidade da água. O documento contém dados sobre análises microbiológicas, parasitológicas, físico-químicas, biogeoquímicas e de contaminantes emergentes. O relatório permite observar como diferentes pressões ambientais se combinam em uma grande bacia hidrográfica.

Destaques do relatório

Uma das principais conclusões foi a descoberta da presença de 25 agrotóxicos diferentes desde a nascente até a foz do Rio Tietê. Além disso, o relatório aponta que a área mais urbanizada do estado, a Capital paulista (Alto Tietê), é a região com maior área florestal. Enquanto que a menor é a do interior (Baixo Tietê), local onde ocorre maior incidência da agropecuária. O estudo detectou que o lançamento de esgoto é um dos principais fatores de pressão no Alto Tietê. Já no Baixo Tietê é a agricultura intensiva.

Ainda foi destacado que os municípios do interior paulista mantêm relação mais próxima com o Tietê, ao contrário da população da capital.

Outro dado ressaltado é a diferença de qualidade das águas entre a superfície e o fundo do rio. A primeira esconde a gravidade da verdadeira contaminação, enquanto é no segundo onde os poluentes estão depositados.

Guarulhos foi considerado um dos municípios com maior taxa de poluição do Rio Tietê. Já a qualidade da água de Salesópolis foi considerada extremamente boa, devido à presença da forte proteção da vegetação nativa.

A Expedição Tietê 2025 foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP) e Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), com participação de especialistas do Instituto do Mar da Unifesp, da Unifesp Baixada Santista, do Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP e do Projeto Índice de Poluentes Hídricos da USCS.

Rio é vida

Segundo a coordenadora da Frente, a deputada Marina Helou (PSB), é importante conciliar o ativismo ambiental com a política, ressaltando a importância da pesquisa para a consciência sobre a importância dos rios para manutenção da vida. "Nossa sociedade objetificou nossas águas, a partir da poluição, do assoreamento, da retirada da mata ciliar e do lançamento do esgoto sem tratamento", complementou.

"Precisamos correlacionar a segurança hídrica com a garantia de água para a população. Também devemos mostrar os impactos de um rio poluído na saúde das pessoas e na agricultura. Cuidar do rio é importante, porque ele reflete nossa condição de vida", destacou a parlamentar.

Para Cesar Pegoraro, educador socioambiental da SOS Mata Atlântica, os rios devem ser considerados como "sujeitos de direitos" para que sejam amplamente protegidos. Nesse contexto, ele lembrou de leis - como o Plano Nacional de Resíduos Hídricos e o Marco Legal do Saneamento Básico - além da Agenda 2030 da ONU, que traz objetivos de desenvolvimento específicos para a proteção da água. "Não faltam leis, falta engajamento", reforçou.

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