Cripta da Sé preserva memória de líder indígena essencial à fundação de São Paulo

Atuação estratégica do cacique Tibiriçá no Século 16 garantiu segurança do Colégio de São Paulo e o povoamento do Planalto de Piratininga
26/08/2026 14:12 | Memória | Davi Molinari

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Cripta da Sé (Foto: Cúria)<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367313.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Imagem do Cacique na cripta (Foto: Catedral da Sé)<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-09-2026/fg367272.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Arquitetura segue estilo neogótico (Foto: Cúria)<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367314.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Fundação de São Paulo; Obra de Oscar P. da Silva <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367315.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Cacique Tibiriçá; da obra de José Wasth Rodrigues<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2026/fg367312.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Vitrais da Cripta da Sé (Foto: Cúria)<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-09-2026/fg367316.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Catedral da Sé Centro (TV Alesp)<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-09-2026/fg367317.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Interior da Catedral da Sé (Rodrigo Costa/Alesp) <a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-09-2026/fg367273.jpeg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

Localizada a sete metros abaixo do altar principal da Catedral Metropolitana de São Paulo, no marco zero da Capital, a Cripta da Sé abriga os restos mortais de figuras centrais na formação do Estado. O espaço de arquitetura neogótica guarda o jazigo do cacique Tibiriçá, adornado por um relevo em bronze e pedra. Inicialmente sepultado na igreja do Colégio dos Jesuítas em 1562, o líder Tupiniquim teve seus restos mortais transferidos para o templo subterrâneo em 1930, no século 20.

Além do líder indígena, o local reserva 30 câmaras mortuárias para figuras proeminentes do país e da Igreja Católica, como o Padre Diogo Antônio Feijó (Regente Feijó); o inventor do aeróstato Passarola, Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão; o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, e o Dom Duarte Leopoldo e Silva. O espaço segue aberto para visitação monitorada.

Aliança e fundação de São Paulo

A formação territorial paulista está diretamente ligada à atuação do líder Tupiniquim na primeira metade do século 16. Irmão dos caciques Caiubi, Piquerobi e Araraí, o chefe indígena tinha sede na aldeia de Inhampuambuçu, na área atual do Centro Histórico, próxima ao Largo de São Bento. A instalação dos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta no planalto contou com o consentimento e a infraestrutura do assentamento de Tibiriçá, o que viabilizou a fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga em 25 de janeiro de 1554.

Conversão e articulação política

Convertido ao catolicismo pelo Padre Leonardo Nunes e por José de Anchieta, o cacique adotou o nome de Martim Afonso Tibiriçá, em homenagem ao fundador de São Vicente, de quem era amigo dedicado. A articulação política e cultural entre os nativos e os colonizadores europeus também se consolidou no campo familiar do líder indígena. Sua filha M'bicy, conhecida como Bartira e batizada com o nome de Isabel, uniu-se ao povoador português João Ramalho, união que deu origem a uma das primeiras e mais influentes famílias mamelucas do Planalto de Piratininga.

O Cerco de Piratininga

O papel militar do cacique foi determinante para garantir a permanência dos jesuítas e a sobrevivência do povoado. Em 9 de julho de 1562, no episódio conhecido como Cerco de Piratininga, Tibiriçá liderou a resistência contra o ataque promovido por uma vasta coalizão indígena das etnias Tamoio, Tupinambá, Guaianás e Carijó. As forças inimigas eram chefiadas por seu próprio sobrinho Jagoanharo, filho do cacique Araraí. Alertado previamente sobre a ofensiva por meio de uma proposta de aliança enviada por Araraí para que abandonasse os portugueses, Tibiriçá relatou os planos da invasão durante a confissão prestada a Anchieta, que repassou as informações estratégicas aos chefes coloniais. No combate travado na vila, o cacique enfrentou e vitimou o próprio sobrinho para conter o avanço do grupo rival, garantindo a vitória das forças aliadas e a continuidade da Capital paulista.

Morte e legado

Acometido por uma grave enfermidade que se agravou após os combates daquele ano, Tibiriçá faleceu em 25 de dezembro de 1562, recebendo homenagens oficiais dos colonos e religiosos durante seu funeral. Em cartas da época, José de Anchieta registrou o cacique não apenas como benfeitor, mas como o próprio conservador e fundador da Casa de Piratininga.

Serviço: Visitação à Cripta

A visita à cripta tem duração de 30 minutos e acontece de segunda a sábado, das 8h30 às 17h.

Ingresso: R$ 20

Visitação Guiada Completa

De segunda a sábado, às 10h e às 14h.

Aos domingos, às 12h30 e às 14h.

A visita guiada completa tem duração de 2 horas e custa R$ 70 por pessoa.

Crianças até 10 anos não pagam.

Meia-entrada conforme a lei.

alesp