Estado de São Paulo Transparência ALESP
23/11/2016 18:36

SOS Racismo ganha sede permanente

Inauguração coincide com entrega do Prêmio Zumbi dos Palmares

Da Redação - Fotos Bruna Sampaio


Download
Inauguração da sede do SOS Racismo ocorreu nesta terça-feira, 22/11

O presidente Fernando Capez e o 1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Enio Tatto (PT), participaram nesta terça-feira, 22/11, da inauguração da sede do SOS Racismo. O descerramento da placa foi feito pelos dois parlamentares, acompanhados das deputadas Beth Sahão (PT) e Clélia Gomes (PHS) e da atual coordenadora do SOS Racismo, Eliane Dias.

A sala 3002, no 3º andar do Palácio 9 de Julho, passa a ser sede permanente, uma antiga reivindicação dos funcionários do SOS Racismo, já que esse serviço, ligado à Comissão de Direitos da Pessoa Humana, funcionou por dez anos em várias salas. Tatto lembrou a necessidade de o SOS Racismo ter uma sala adequada para receber as pessoas.

Prêmio Zumbi dos Palmares

Beth Sahão abriu a solenidade de entrega do Prêmio Zumbi dos Palmares, na mesma data. Instituído em 2003, graças à lei de autoria do ex-deputado Nivaldo Santana, o prêmio foi entregue, neste ano, a dez personalidades que se destacaram junto à comunidade ou contribuíram para o enriquecimento da cultura negra brasileira.

A primeira homenageada foi a jornalista Joyce Ribeiro, apresentadora de telejornal no Sistema Brasileiro de Televisão e autora do livro Chica da Silva, Romance de uma Vida. Os demais homenageados foram Juninho, do Comitê do Genocídio da Juventude Negra; repórteres dos Jornalistas Livres; Douglas Belchior, colaborador da Frente Pró-Cotas Raciais e das Articulações do Movimento Negro contra o Genocídio da População Negra; Edson França, historiador, membro do Conselho Nacional da Igualdade Racial; Elisete Lima dos Santos, vereadora da Câmara Municipal de Taboão da Serra; e o deputado federal Vicente Cândido (PT/SP).

Orgulho e empoderamento

Durante a entrega do prêmio, revezaram-se ao microfone convidados que integraram mesas de debate sobre a condição do negro no país. Mãe Carmen de Osun fez um relato sobre o enfrentamento à intolerância religiosa. "Tenho orgulho de ser uma mulher numa religião de matriz africana, o Candomblé. A única resistência que temos é nos assumirmos como somos e ostentar isso", ensinou, ao se mostrar comovida com o reconhecimento de sua casa, pela administração municipal de São Bernardo do Campo, como patrimônio cultural desse município.

A juíza Mylene Ramos abordou o tema Empoderamento e Liderança da Mulher Negra. Ela narrou fatos desde 1583, quando os primeiros escravos foram trazidos ao Brasil, até a Abolição da Escravatura em 1888. "Durante o período escravocrata, a mulher negra trabalhava nos serviços domésticos do senhorio e, após a libertação, continuou a exercer a mesma tarefa nessas casas ou em outras", relatou.

Equidade e justiça

Segundo Mylene Ramos, a aprovação da Consolidação das Leis Trabalhistas, em 1943, reforçou o preconceito contra as mulheres negras, pois as excluiu dos direitos dos empregados. "Ao longo das décadas, a economia do país mudou, mas a mulher negra ficou à margem, em termos de salário, sempre menores, ou período de desemprego, sempre maior que o da mulher branca", acentuou, mostrando dados estatísticos de pesquisa feita pelo Instituto Ethos em 2010.

"E o que é empoderamento?", questionou Mylene Ramos, respondendo ela mesma que essas palavras se traduziam concretamente em fortalecimento físico, espiritual e financeiro. "Já é sabido que a mulher negra valoriza mais o trabalho em equipe, a equidade, a justiça e a espiritualidade. O que falta para sermos líderes?" Nada, afirmou, lembrando as ações afirmativas inseridas na Constituição de 1988. Seguiram-se as falas de Maria das Neves, representante da União da Juventude Socialista, sobre o empoderamento da juventude negra; de Marco Antonio Zito Alvarenga, da Advocacia-Geral da União, que traçou um panorama sobre o tema escolhido pela ONU para esta década (Povos Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento); e da youtuber Nataly Nery, do canal Afros & Afins.

 Fernando Capez e Eliane Dias Beth Sahão, Fernando Capez, Eliane Dias e Enio Tatto Nataly Neri, Mãe Carmen de Osun, Mylene Ramos e Maria das Neves Beth Sahão Mãe Carmen de Osun Beth Sahão e Eliane Dias Presentes entrega do prêmio  Prêmio ocorreu nesta terça-feira, 22/11