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13/07/2017 19:34

Opinião - Estamos na luta pelo Hospital São Paulo e pelo SUS

Deputado Geraldo Cruz


Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo do dia 3/7, a reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili, discorre sobre a importância histórica e estratégica do Hospital São Paulo (HSP) para a Saúde brasileira. Em seus 80 anos de existência, foi responsável pela realização de milhares de pesquisas e a formação de médicos e professores universitários que multiplicam estes conhecimentos científicos por todo o país.

Em troca do seu passado honroso e do serviço que presta para toda a sociedade, o Hospital recebe o desprezo do governo federal. Com uma dívida acumulada de R$ 160 milhões, a entidade corre o risco de ser fechada após ser cortada do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) no último dia 28/4, quando o Ministério da Saúde publicou os valores a serem recebidos por 49 instituições, deixando o HSP de fora.

Atualmente, o Hospital funciona de portas fechadas para a população, recebendo apenas as urgências e emergências trazidas pelo SAMU e o Corpo de Bombeiros. Dos 740 leitos, apenas 300 funcionam.

No início de junho, cerca de 400 estudantes da Unifesp caminharam até a Assembleia Legislativa para protestar contra a decisão do Ministério da Saúde de cortar as verbas do Rehuf com palavras de ordem como: "o SUS é necessário, saúde não é produto pra encher bolso de empresário".

A mensagem não deixa dúvidas. Atacar o Hospital São Paulo é atacar o Sistema Único de Saúde (SUS) e os mais pobres. O corte nas verbas do HSP ameaça o atendimento à população, a formação qualificada de profissionais da saúde e o andamento de pesquisas extremamente importantes para o desenvolvimento científico do país.

Mesmo com o estrangulamento financeiro e a dificuldade material da instituição, 5,8 milhões de habitantes da capital paulista, da Grande São Paulo e de outros municípios e Estados da federação são atendidos. A unidade capacita e forma mais de 1,2 mil estudantes de medicina, enfermagem e de diversas áreas da saúde, além de mais de 1,6 mil estudantes que integram seus programas de residências médica e profissional, os maiores do país.

Mas os números grandiosos não sensibilizam o presidente Temer e o ministro da Saúde Ricardo Barros, sabidamente comprometidos com as grandes empresas privadas de saúde que lucram com uma medicina cara e a falência do SUS. É preciso defender com todas as forças o Hospital São Paulo e a saúde pública da sanha privatista. Nesta luta, professores, pesquisadores, alunos e pacientes do Hospital São Paulo têm o apoio total deste mandato.

Geraldo Cruz é deputado pelo PT