Assembléia reúne especialistas para discutir temas da saúde

Retrospectiva - 1º Semestre de 2004
16/07/2004 16:13

Mesa do Seminário de Prevenção do Câncer de Mama<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/Cancer Mama - RETRO.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Da Redação

"Já estamos usando, há alguns anos, os indicadores de longevidade do Índice Paulista de Responsabilidade Social, pois consideramos uma boa informação, vital para quem é responsável por gerir o sistema de saúde de todo o Estado", declarou Arnaldo Sala, diretor técnico de Saúde da Secretaria de Estado, no debate sobre os aspectos metodológicos do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IRPS), promovido dia 11 de maio.

Segundo Arnaldo Sala, o Estado deve estar ciente de sua função e atento para a questão das diferenças que marcam os vários municípios. "A Secretaria precisa mapear essas diferenças para elaborar políticas públicas específicas para cada região. Somente com a regionalização vamos diminuir as desigualdades, buscando a melhoria dos níveis de saúde da população. Daí a importância dos indicadores sintéticos", ressaltou.

Mortalidade Infantil

Arnaldo Sala comentou o caso dos municípios com menos de 10 mil habitantes - maior parte dos municípios paulistas - que, segundo ele, "criam um problema no momento de fazer a análise na área de saúde, devido à quantidade de eventos ser muito baixa". Tomando como exemplo a mortalidade infantil, o técnico falou da importância de se tomar cuidado para proteger a criança do óbito. "É preciso trabalhar não só com o evento em si, mas também com a possibilidade do evento", opinou, recomendando que "seja pensada uma forma diferenciada para trabalhar esses indicadores nos municípios pequenos".

Ao discutir a questão da longevidade, a professora Rita Barradas, da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, insistiu na questão de que a mortalidade perinatal resulta tanto do pré-natal quanto da assistência direta ao parto. "Se usar esse indicador para medir a política de saúde em nível local terei problemas, porque temos poucos municípios no Estado que dispõem de recursos de média e alta capacidade na assistência ao recém-nascido", ressaltou.

A síndrome conhecida como "uma nova doença velha", conjunto de sintomas resultante de efeito tardio da poliomielite foi o tema do I Simpósio Brasileiro de Síndrome Pós-Pólio, realizado na Assembléia Legislativa, em 19/5. "A doença é uma nova velha conhecida, com suas peculiaridades. E escolhemos realizar o simpósio aqui, na Casa do povo, para envolver todos na busca de melhores condições de vida para os portadores da pólio", ponderou o médico Acary Oliveira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das organizadoras do evento, ao lado da Associação Brasileira de Síndrome Pós-Pólio (Abraspp). "As respostas que buscamos só virão através da organização das pessoas", completou.

Na abertura do evento, a deputada Célia Leão (PSDB) procurou motivar os participantes - uma platéia composta por médicos, estudiosos e portadores de deficiência física - contando sua história. "As coisas acontecem na vida independentemente de nossa vontade; a pólio é uma questão que vive conosco e pode nos afetar de forma direta ou indireta", ponderou. E desabafou: "Estou sentada nesta cadeira de rodas por livre pressão".

O Fórum em Defesa do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), coordenado pelo presidente da Comissão Consultiva da instituição, Marcos Francisco Alves, foi realizado no Parlamento Paulista. Alves salientou que a atenção do governo para as dificuldades do órgão só será despertada pela mobilização de todos. "Se todos os funcionários contribuem com 2% do salário para o Iamspe, o governo também poderia contribuir com 2% do valor da folha dos servidores", avaliou, abrindo o círculo de debates.

O deputado Roberto Felício (PT) afirmou que "somente a pressão sobre o governo poderá obter êxito nas reivindicações de melhoria nos salários, na saúde e na qualidade de vida do servidor". Segundo Beth Sahão, também do PT, "o governo manifestou intenção de apresentar um projeto que melhorasse as condições do servidor", declarou.

O sindicalista Lineu Neves Mazano questionou qual seria a atitude correta de enfrentamento com o governo na busca de melhores condições. Na sua opinião, o governo não tem boa vontade e nem interesse em defender o servidor público seja estadual ou federal. Considerou desanimadoras as propostas do governo federal aos trabalhadores e afirmou que o fórum deve decidir quais ações organizadas serão colocadas em prática para que se consiga resultados positivos.

Saúde da mulher

A discussão de temas ligados à Saúde no Parlamento paulista, destacou, em 8/3, a saúde da mulher, com o "Seminário Prevenção do Câncer de Mama", organizado pela deputada Rosmary Corrêa (PSDB). A abertura do encontro foi realizada pelo deputado federal José Aristodemo Pinotti, médico ginecologista. Também participaram as deputadas Maria Lúcia Amary (PSDB) e Maria Almeida (PFL).

Pinotti destacou a importância da participação da mulher no processo decisório. "O discurso não deve ser só em favor da mulher, pois na medida em que a mulher possa participar do processo decisório, toda a sociedade ganha. Não é possível que num país onde pagamos impostos para ter acesso à cidadania tenhamos que comprar cidadania no mercado. Isso precisa ser modificado pelas mulheres."

Durante o debate foram distribuídas cartilhas que ensinam as mulheres a detectarem precocemente o câncer de mama.

As participantes da Rede de Voluntárias de Combate ao Câncer, de Itatiba, presidida por Maria José Penteado Corradini, falaram sobre o trabalho de assistência ao doente carente. A entidade dedica-se a fornecer medicamentos e atendimento, fazendo visitas domiciliares, orientando sobre alimentação adequada, oferecendo também serviços de psicólogos, assistência social e terapia ocupacional para o doente e seus familiares.

Segundo as palestrantes, a prevenção é o fator principal no combate à doença "Afastando os fatores de risco controláveis, como obesidade, sedentarismo, alcoolismo e tabagismo, fazendo o auto-exame e visitando periodicamente o médico estaremos evitando, dentro do que nos é possível, o desenvolvimento da doença".

Para Ermantina Ramos, presidente da União de Apoio e combate ao Câncer de Mama (UNACCAM) - da qual fazem parte Rosmary Corrêa e José Aristodemo Pinotti -, um dos principais objetivos da entidade é formar grupos de apoio em todas as regiões do país. "Hoje temos um projeto de trabalho; optamos por um voluntariado capacitado, que dê um pouco mais de entendimento às pessoas sobre o que é a doença, como se prevenir e se tratar", destacou Ermantina.