Ao retratar a paisagem urbana, Dimas Garcia ilustra o vazio e a solidão dos seres humanos
Desvendar o anonimato, usando um estilo próprio, de forte expressão, num figurativo realista, essa a preocupação de Dimas Garcia, conforme ele próprio propaga. Embora não alterando a serenidade que comunicam suas composições perfeitamente equilibradas, a mensagem do artista é sintética, desprovida de detalhismo supérfluo e longe de qualquer virtuosismo.
Devido essencialmente a essa sensibilidade vital, que se aprofunda sem se esterilizar numa "fórmula", Dimas Garcia sintetiza em suas obras importantes qualidades técnicas e, sobretudo, expressivas: algo que se assemelha a uma relação ótima entre o homem e as coisas, na qual reconhecemos um discurso moderno, racional e coerente.
A monotonia da paisagem marcada por casinhas dispostas horizontalmente é suavizada por tons pastel e pelas pinceladas leves, em técnica que lembra aquarela. A paisagem despojada ilustra a aridez da vida, em que o vazio representa a distância afetiva e psicológica entre os seres humanos.
Na obra Ecoambiência, doada ao Acervo Artístico do Palácio 9 de Julho, o artista fala da vida moderna e do isolamento do homem em seu próprio ambiente. Incomunicabilidade, massificação, monotonia e aridez da vida são conteúdos que Dimas Garcia trouxe para o universo das telas e das tintas.
O Artista
Autodidata, pintor e gravador, Dimas Garcia, pseudônimo artístico de Dimas Planas Garcia, nasceu em Promissão, SP,, em 1938. Mudou-se para Limeira em 1946. Recebeu orientação em desenho e pintura do professor Ruy Corte Brilho no antigo Instituto de Educação Castello Branco, de 1954 a 1960. A partir de 1970, transferiu sua residência para Campinas, onde freqüentou cursos nos ateliês de Di Saboy, J. Zanellato e Thomaz Perina.
Em 1960, recebeu sua primeira Medalha de Honra ao Mérito, pela participação no Salão de Artes Plásticas da I Feira de Artes daquele instituto em Limeira.
Desde 1984, organiza e realiza eventos culturais em Campinas, a fim de possibilitar novos espaços para artistas emergentes, sem nenhuma ajuda oficial.
Entre 1960 e 2001, realizou 36 exposições individuais no Brasil e 15 no exterior; participou de 57 salões oficiais, recebendo 26 premiações. Esteve presente em 107 exposições coletivas; 38 obras de sua autoria estão incluídas em 27 acervos oficiais, entre os quais o do Palácio 9 de Julho.
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