O deplorável bico policial

O bico feito pelos policiais nas horas de folga ganha requintes de sofisticação em bairros da classe média de São Paulo, conforme mostra reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira. PMs, que antes ofereciam seus serviços via empresas de segurança ou eram contratados para dar um reforço na proteção do comércio, agora atuam como verdadeiras empresas informais de segurança. Estão concorrendo diretamente com os seguranças, inclusive oferecendo preços mais camaradas.
Para vender seus serviços, esses PMs revelam os modos de operação "24 horas por dia", por meio de rondas em carros particulares, que usam até giroflex. De quebra, podem ser acionados por celular sempre que um morador está chegando ou saindo de casa, em tese, nos momentos em que as presas ficam mais vulneráveis para a ação dos marginais.
Aqui valem algumas reflexões: os policiais que se travestem de segurança acabam exercendo em suas horas de folga uma função para a qual já são pagos pelo Estado. Essa prática faz com que muitos percam a motivação para cumprir dignamente a função pública, a fim de deixar espaço para ganhar alguns trocados a mais no serviço particular. Daí se fundamenta a proibição estatutária de que os integrantes dessas corporações façam os famosos bicos.
A situação poderia ser diferente se a polícia deixasse de ser usada como um instrumento de governo, que muda de uma gestão para a outra, dependendo da convicção ou interesse dos donos dos cargos públicos. Deveria, sim, ser uma polícia de Estado, com um programa de longo prazo, em que as polícias civil e militar, bem como as instituições federal, estaduais e municipais tivessem papéis bem definidos no combate ao crime.
É por esse motivo que a proliferação da segurança privada, com o envolvimento direto de policiais, escancara o próprio avanço da sensação de insegurança pública. Ela só existe devido à omissão do Estado. Dessa forma, interessa e muito a essa indústria que o crime organizado se mantenha. Sem ele, não haveria mercado promissor. Pode até parecer um raciocínio leviano, mas que se justifica quando percebemos que muito desses seguranças particulares " muitos deles, policiais " se sustentam justamente por "vender" irregularmente a proteção que a população deveria gozar por direito.
*Romeu Tuma é delegado de Classe Especial da Polícia Civil, deputado estadual (PMDB), ex-presidente e atual integrante da Comissão de Segurança Pública, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor e Corregedor da Assembléia Legislativa de São Paulo.
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