Brasil é último colocado em pesquisa que afere índice de participação política


29/12/2004 19:22

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DA REDAÇÃO

O Movimento Voto Consciente, participante da Rede Interamericana pela Democracia - organização que congrega entidades que defendem a conscientização política nas Américas -, divulgou nesta sexta-feira, 10/12, no Auditório D. Pedro I, pesquisa que aferiu o índice de participação política do povo brasileiro, comparando-o com outros seis países latino-americanos: Chile, Argentina, México, Peru, República Dominicana e Costa Rica.

O estudo foi desenvolvido pela empresa de análise de mercado Franceschini & Associados, entre julho e agosto deste ano, e abordou por telefone 1006 pessoas maiores de 18 anos residentes nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Recife, Manaus e Porto Alegre.

A consultora Rosely Coimbra explicou que a metodologia adotada buscou quantificar o grau de participação dos indivíduos em assuntos relacionados ao desenvolvimento da sociedade, atribuindo a cada entrevistado uma nota entre zero e vinte pontos, de forma que se estabeleceram três categorias: não participação - 0 pontos; participação média - entre 1 e 5 pontos; e participação alta - 6 pontos ou mais. A partir desses dados, foi feita uma projeção entre a amostra e a população de cada capital pesquisada.

A participação da população foi aferida conforme a participação em atividades políticas, filiação partidária, atividades em organizações comunitárias, de bairro ou de cidade, atividades em sindicatos, cooperativas ou associações profissionais, atividades de apoio à educação, atividades artísticas ou culturais não-remuneradas, atividades de controle de gestões de políticas públicas, manifestações em locais públicos, participação em ONGs, em atividades de âmbito religioso, esportivo ou de caridade e voluntariado.

A média obtida pelo Brasil (1,7) foi a mais baixa entre os países latino-americanos, atrás da Costa Rica (1,9), México (2,2), Argentina (2,2), Peru (2,6), Chile (3,1) e República Dominicana (3,4). As capitais brasileiras também não obtiveram índice homogêneo, sendo que a maior participação foi registrada em Goiânia e a menor, no Rio de Janeiro.

Baixa identificação

Em todos os países da América Latina foi constatada maior participação entre os homens do que entre as mulheres. A única exceção foi a Argentina, cuja participação mostrou-se equilibrada entre os gêneros. As mulheres também mostraram-se mais atuantes em atividades relacionadas à organizações religiosas ou relacionadas à educação. Os homens, por outro lado, participam de questões políticas, profissionais e esportivas. Já analisando-se a atuação na vida social por faixa etária, determinou-se uma maior participação entre os 30 e 50 anos. Por classe social, o estudo demonstrou aumento de participação proporcional à renda familiar.

O coordenador do curso de formação política do Instituto do Legislativo Paulista, Humberto Dantas, analisou os dados referentes à sociedade brasileira e constatou a intenção de 63% da população em participar do próximo pleito presidencial, independentemente da obrigatoriedade do voto. "Há países onde o voto é obrigatório, e mesmo assim há baixo comparecimento às urnas", explicou.

Outro dado relevante apontado por Dantas é a indiferença do brasileiro quanto aos partidos políticos, já que 71% dos entrevistados não levam o partido em consideração na hora de escolher seus representantes. "Apenas 29% dos brasileiros são filiados ou simpatizantes de partidos políticos, sendo que metade destes se identificam com o PT", informou.

alesp