Símbolos corpóreos, as esculturas de Gilda Prieto possuem respiro, movimento e vitalidade.

Acervo Artístico - Emanuel von Lauenstein Massarani
04/10/2004 14:00


Exigência de síntese, expressiva potência interior, evidente tensão dinâmica e adesão espiritual aos nossos tempos constituem características da escultora Gilda Prieto. Embora respeitando a imagem na sua reconhecível força comunicativa, de há muito a artista encontrou, verdadeira e plenamente, um seu estilo, um seu caráter, uma sua autônoma linguagem.

Escultora de instinto desde o início de suas atividades artísticas, demonstra um temperamento e uma força expressiva fora do comum. Através de suas obras intuímos um lance vital sem inibições, que se traduz em efeitos materializados no bronze e plasmados com força e firmeza.

Gilda Prieto entra na realidade sabendo bem que essa não se exprime através de traços aparentes ao retratá-la estaticamente, em forçá-la sem vê-la em movimento, e por isso sem que seus vultos tenham dentro de si seus segredos, o seu sopro, a suas desolações e exaltações.

Algumas vezes os volumes de suas obras se expandem mais pacatos e fluídos, oferecendo largas superfícies a uma luz que acaricia e amacia as formas até exaltá-las na sua essência. Outras vezes, em composições mais dramáticas, o trágico é dominado por um severo conceito de conjunto e o pathos explode do interior por meio de um desvio espontâneo da linha e da contraída tensão das formas.

Suas figuras "Mulher", prêmio aquisição da Assembléia Legislativa de São Paulo no 49º Salão Paulista de Belas Artes, e "Adolescente", doada ao Acervo Artístico do Palácio 9 de Julho, são símbolos corpóreos, possuem um respiro, a possibilidade de um moto, um sinal de entendimento e de amor. Suas pesquisas escultóricas levam Gilda Prieto a uma osmose ideal onde melhor manifesta sensações e percepções concretizadas além do fato estético.



A Artista

Gilda Prieto nasceu em Patrocínio Paulista, SP, em 1953, onde viveu sua infância e concluiu seus estudos primários. Posteriormente transferiu-se definitivamente para São Paulo. Sua tendência artística revelou-se desde cedo executando trabalhos artesanais de alto nível dedicando-se mais tarde à tapeçaria.

Freqüentou a Associação Paulista de Belas Artes, onde apreendeu desenho e pintura. Paralelamente passou a se interessar pela arte tridimensional o que a levou definitivamente para os caminhos da escultura.

Participou de diversas exposições individuais e coletivas, destacando-se entre elas: 43º e 44º Salão Livre da Associação de Belas Artes, SP (1986 e 1997); XVIII, XX, XXVI e 44º Salão Ararense de Artes Plásticas, Araras, SP (1986, 1987, 1990 e 1999); "Lions Club", Itaquera; Sede Central do "Lions Club", Bruxelas, Bélgica (1986); 49º, 50º, 51º, 52º, 53º e 54º Salão Paulista de Belas Artes (1987, 1988, 2000, 2001, 2002 e 2003); Chapel de Art Show (1987, 1988, 1989, 1990, 1992 e 1998); Museu de Arte Contemporânea de Americana; (1987); 5º e 8º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro, SP (1988 e 1990); XI Imigrantes no Palácio da Bienal de São Paulo; II Salão Nacional de Aço Inoxidável, Parque Anhembi; I Salão de Obras Premiadas, Troféus Brasil 87, A.A.P.P do A.B.C.D, Santo André, SP; XVI Salão Limeirense de Artes Contemporânea (1987); VII Salão de Artes Contemporânea de São José do Rio Preto (1988); V Salão de Poços Caldense de Belas Artes (1989); XI Salão de Artes Associação Comercial de São Paulo, Distrital de Pinheiros (1998); Espaço Cultural do "Shopping Center Light" (2000 e 2001); Salão dos Premiados da A.P.B.A (2000); "Salão Comemorativo dos 60 anos", Associação Paulista de Belas Artes, SP (2002).

Recebeu inúmeros prêmios em diversos Salões Paulistas de Belas Artes. Em 2001 convidada pelo Espaço Arte do Shopping Light, no Centro de São Paulo - Gilda Prieto apresentou com sucesso sua primeira exposição individual "Esculturas em Concreto Acrado" e seguidamente no mesmo espaço a exposição "Esculturas de Sucata". Possui obras em diversas coleções particulares e no Acervo Artístico da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.