D. Pedro I e a família real portuguesa

*Antônio Sérgio Ribeiro
03/09/2004 20:39

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Na comemoração da Independência do Brasil, vamos contar um pouco da história da família portuguesa e do primeiro imperador do Brasil D. Pedro I, assunto que poucos sabem e que foi, infelizmente, deturpado à base de gozação na minissérie da TV Globo "O quinto dos infernos", que cumpriu um desserviço para a História e a cultura do nosso país.

O pai de D. Pedro I, D. João VI, nasceu em 13 de maio de 1767, no Palácio Real da Ajuda, em Lisboa, filho da rainha D. Maria I e de D. Pedro III, recebendo o nome João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael, e faleceu em 10 de março de 1826, no Palácio da Bemposta, sendo sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora, ambos na capital portuguesa. Casou em 8 de maio de 1785 com D. Carlota Joaquina de Bourbon, princesa espanhola, filha do D. Carlos IV, rei de Espanha, e de D. Maria Luísa Teresa de Parma, nascida em Aranjuez a 25 de abril de 1775 e falecida em Lisboa no Palácio de Queluz em 7 de janeiro de 1830. D. João quando casou tinha 17 anos e Carlota Joaquina apenas 10 anos de idade. Conta a história que D. João esperou algum tempo para consumar o casamento, em razão da pouca idade da esposa e por ser ela muito franzina; mesmo adulta tinha um pouco mais de 1,40 m. de altura.

O herdeiro do trono português era seu irmão mais velho D. José, que veio a falecer em 11 de setembro de 1788, aos 27 anos de idade, vítima de varíola. A morte de seu primogênito e também de seu marido em 25 de maio de 1786 abalaram a saúde da rainha D. Maria I. Por causa do problema mental de sua mãe, D. João passou a governar desde 1792, porém só se tornou príncipe regente a partir de 1799.

Entre Brasil e Portugal

Com a iminência de uma invasão pelas tropas de Napoleão Bonaparte, ficou resolvido que a sede do governo seria transferido para o Brasil, tendo a frota partido de Lisboa em 27 de novembro de 1807 e desembarcado na Bahia em 28 de janeiro de 1808, quando foi assinada a carta régia de abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Em 7 de março chegou ao Rio de Janeiro, tendo desembarcado no dia seguinte. Em 20 de março de 1816, com a morte de D. Maria I, sua mãe, subiu ao trono. Em 6 de fevereiro de 1818 foi aclamado Rei de Portugal, do Brasil e de Algarves. Logo depois criou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em 26 de abril de 1821, pressionado pelos portugueses, D. João foi obrigado a retornar com sua corte para Lisboa, deixando seu filho Pedro como príncipe regente no Brasil.

A primeira filha do casal nasceu no Palácio da Ajuda, em 29 de abril de 1793, e recebeu o nome de D. Maria Teresa, princesa da Beira. Casou com seu primo D. Pedro Carlos Antonio de Bourbon e Bragança (18-7-1787, 26-5-1812) em 13 de maio de 1810. Viúva, casou novamente, em 1838, com seu cunhado e tio materno D. Carlos V, duque de Madrid e conde de Montemolin e Molina (29-3-1788, 10-3-1855), que havia ficado viúvo de D. Maria Francisca de Assis em 1834. D. Maria Teresa faleceu em Trieste, na Itália, em 17 de janeiro de 1874.

Em 21 de março de 1795, nasceu no Palácio de Queluz o primeiro filho homem de D. João, D. Antônio Pio, que faleceu com apenas seis anos, em 11 de junho de 1801. Tinha o título de príncipe da Beira.

O terceiro filho do casal foi a princesa D. Maria Isabel, nascida no Palácio de Queluz, em 19 de maio de 1797, e falecida em Madrid a 29 de novembro de 1818, com apenas 21 anos de idade, e sepultada no Mosteiro de Escorial. Tornou-se rainha da Espanha ao contrair casamento, em 22 de fevereiro de 1816, com seu tio D. Fernando VII (13-10-1784, 29-9-1833), rei da Espanha, que já enviuvara de D. Maria Antônia de Bourbon y Lorena, princesa de Nápoles.

D. Pedro

D. Pedro foi o quarto filho de D. João e D. Carlota Joaquina. Nasceu em Lisboa, no Palácio de Queluz, a 12 de Outubro de 1798, recebendo o nome de Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de Bragança e Bourbon. Faleceu no mesmo palácio, a 24 de setembro de 1834, tendo sido sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora. Em 1972 seus restos mortais foram transladados, por ocasião das comemorações do Sesquicentenário da Independência do Brasil e, hoje, descansam no Monumento do Ipiranga, na cidade de São Paulo.

Foi o primeiro imperador do Brasil, de 1822 a 1831, abdicando do trono para ir à Europa defender os direitos de sua filha D. Maria da Glória ao trono português, que havia sido usurpado por seu irmão D. Miguel. Guardou então para si o título de duque de Bragança.

Casou em 1817 com D. Maria Leopoldina Josefa Carolina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburg-Lorena, que nasceu a 22 de Janeiro de 1797 em Viena, na Áustria, e faleceu no Rio de Janeiro, a 11 de Dezembro de 1826, filha de Francisco I e de D. Maria Teresa, últimos imperadores do Sacro Império Romano Germânico e os primeiros da Áustria.

D. Pedro, I no Brasil e IV em Portugal, casou em segundas núpcias, em 1829, com D. Amélia de Beauharnais, nascida em Milão em 31 de Julho de 1812 e falecida em Lisboa, no Palácio das Janelas Verdes, em 26 de Janeiro de 1873, filha de Eugenio de Beauharnais - então vice-rei de Itália e filho do primeiro casamento de Josefina, Imperatriz dos Franceses - e da princesa Augusta Amélia, filha de Maximiano José I, rei da Baviera.

A princesa D. Maria Francisca de Assis nasceu no Palácio de Queluz em 22 de maio de 1800 e faleceu em 4 de outubro de 1834 em Gosport, Inglaterra, e foi sepultada na capela-mor da igreja católica da mesma cidade. Casou em 29 de setembro de 1816 com seu tio materno D. Carlos V (29-3-1788, 10-3-1855), filho de Carlos IV, rei da Espanha.

D. Isabel Maria nasceu no Palácio de Queluz, a 4 de julho de 1801, e faleceu solteira em Benfica, no dia 22 de abril de 1876. Está sepultada no Panteão de S. Vicente de Fora. Por ser D. Isabel Maria a única filha de D. João residente em Lisboa e estando doente doente o rei, foi nomeada uma Junta de Regência, que seria presidida por ela e composta pelo cardeal-patriarca eleito, pelo duque de Cadaval, pelo marquês de Valada, pelo conde dos Arcos e pelos seis ministros de Estado. Quatro dias depois do decreto, com a morte do rei, em 10 de março de 1826, ela assumiu o governo de Portugal como regente, enquanto aguardava o regresso de seu irmão D. Pedro I, imperador do Brasil, reconhecido como o único herdeiro à sucessão do trono como D. Pedro IV.

Nesse ínterim, D. Pedro abdica ao trono luso em favor de sua filha, D. Maria da Glória, de apenas sete anos de idade, com o compromisso de que ela se casaria com seu tio D. Miguel, que vivia em Viena, na Áustria. A opinião dividiu-se em duas correntes, os liberais e os absolutistas. A ambição de D. Carlota Joaquina e a ação dos absolutistas resultaram em uma revolta que determinou o regresso e a assunção ao trono de D. Miguel, em 1828, chegando então ao fim a participação como regente de Isabel Maria e, conseqüentemente, dando-se, conseqüentemente, seu afastamento da vida política.

D. Miguel

Ao contrário do que insinuava a minissérie "O Quinto dos Infernos", D. Miguel não tinha nenhuma "queda" pelo seu irmão D. Pedro. Ao contrário, foi pai de oito filhos, alguns inclusive fora do casamento. Ele nasceu no Palácio de Queluz no dia 26 de outubro de 1802, recebendo o nome de Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara Antônio Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo, e faleceu em Carlsruhe, na Alemanha, a 14 de Novembro de 1866, e foi sepultado no Convento dos Franciscanos de Engelberg.

Casou em 24 de setembro de 1851 com a princesa Adelaide de Loewenstein-Wertheim-Rosenberg, naascida em Kleinhenbach (3-4- 1831) e falecida em Cowes, Inglaterra, (16-12-1909), filha do príncipe Constantino José e de sua mulher Maria Luísa Henriqueta, princesa de Hohenlohe-Langenburg.

Com a morte de D. João VI e a abdicação de D. Pedro I, imperador do Brasil e herdeiro do trono de Portugal, em favor de D. Maria da Glória, o país passou a ser governado pela governado por uma regência presidida por D. Isabel Maria. D. Miguel aceitou tudo quanto lhe foi proposto: jurou a Carta, celebrou esponsais com a sobrinha, protestou respeito e obediência a D. Pedro e à regente sua irmã e aguardou. A idéia inicial era que D. Miguel fosse para o Brasil, mas este não aceitou, e então D. Pedro IV o nomeou seu lugar-tenente em Portugal.

Chegando a Lisboa, jurou de novo a Carta, assumiu a regência e nomeou um novo ministério. Dias depois dissolveu as Câmaras e convocou a reunião das Cortes, que resultou na sua aclamação como rei absoluto. Não aceitando essa manobra, D. Pedro foi para a Europa e iniciou