MULHERES: VIOLÊNCIA MATA MAIS DO QUE CÂNCER - OPINIÃO
Uma pesquisa mostra que o assassinato é a terceira causa de
mortes de mulheres no Estado de São Paulo. A conclusão dos números é
assustadora: nos municípios paulistas, a violência mata mais do que câncer, doenças cardíacas e acidentes de trânsito. Apenas as doenças cérebro-vasculares e a aids aparecem na frente dos homicídios, entre as principais causas de mortes de mulheres em nosso Estado. Essa pesquisa foi desenvolvida na Universidade de São Paulo pela professora Eva Blay, coordenadora científica do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais do Gênero, da USP, com base em dados de 1998, que se agravaram nos últimos três anos. O levantamento abrangeu mulheres 10 a 49 anos.
Em 1998, ocorreram na cidade de São Paulo 5.157 homicídios dolosos, aqueles que revelam intenção de matar. Destes, 285 tiveram mulheres como vítimas, o que equivale a 5,5% do total. De acordo com a professora Eva Blay, uma parte dessa violência ocorre nas ruas, em casos de assaltos, mas a maioria está relacionada à situação doméstica, em que as mulheres são agredidas por seus maridos, companheiros ou namorados.
Muitas das mulheres ameaçadas por seus maridos tentaram interromper o ciclo da violência doméstica, recorrendo às Delegacias de Defesa da Mulher, criadas em 1985, mas acabaram sofrendo ameaças ainda maiores e várias foram assassinadas em represália. Segundo a delegada Maria Teresa Rosa, da 1.ª Delegacia da Mulher
de São Paulo, "algumas mulheres são vítimas de homens instáveis, machistas e vingativos". Para algumas delegadas, grande parte das mulheres que acabaram sendo assassinadas por seus companheiros em São Paulo nos últimos anos "foi vítima da sua esperança e da vingança masculina". Algumas, depois de terem recorrido à DDM, passaram a ser mais ameaçadas por seus agressores. Com medo da situação ou com esperança de que o caso fosse resolvido, decidiram retirar as queixas em juízo, antes que os antigos companheiros pudessem ser processados na Justiça. Em seguida, foram espancadas e assassinadas de modo cruel.
A professora Eva Blay lamenta que um dos grandes problemas esteja no fato de as mulheres, depois de dar parte nas delegacias especializadas, serem encaminhadas para os Juizados de Pequenas Causas, onde as agressões são tratadas como um pequeno caso de briga de mulher. Não raro, o juiz determina ao acusado, como pena, a entrega de uma cesta básica à mulher, mas a violência aumenta e, muitas vezes, termina em morte.
A pesquisa da USP mostra também que grande parte das vítimas de assaltos nas ruas e diante de semáforos, em São Paulo, são mulheres. Os bandidos, sabendo da fragilidade feminina, atacam bastante os automóveis dirigidos por elas. Em vários casos, os assaltantes, acreditando que a mulher vai reagir, matam a vítima. Tanto na violência doméstica quanto nos ataques de bandidos nas ruas, algo precisa ser feito. Contra o machismo desenfreado de alguns marmanjos que sabem mostrar coragem somente contra mulheres indefesas, nada como o rigor da lei. Quanto aos inúmeros assaltantes, que venha a polícia, com ordem de usar mais energia contra a violência.
*Afanasio Jazadji, jornalista, é deputado estadual, vice-líder do PFL.
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