Abstração geométrica e surrealismo, conteúdo das esculturas bidimensionais de Monique Allain

Acervo Artístico - Emanuel von Lauenstein Massarani
17/12/2004 14:00

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A. M. Hammacher, famoso historiador da arte, afirma com muita propriedade que "são os abstracionistas que continuam a desenvolver a qualidade estrutural da escultura, seja numa interpretação orgânica da forma derivada da natureza, seja nas estruturas geométricas que a desafiam". Em razão de suas tendências e de suas atitudes, foram os primeiros a serem conduzidos ao problema das relações entre arquitetura e escultura, problema que, após a segunda metade do século XX, se transformou em "integração".

Essa coexistência das duas artes do espaço é assumida perfeitamente por Monique Allain, que, a exemplo de Bárbara Hepwort, elabora peças bidimensionais que, destacadas de uma parede, criam um efeito de luz aérea, cuja abstração as aproxima mais a uma luz metafísica do que física.

A obra escultórica de Monique Allain não é baseada em um elemento de choque, de fantasia ou de surpresa; o que conta para a artista é a imobilidade, não o movimento. Suas formas possuem uma força de expressão que é determinada pelos elementos que integram suas estruturas. De certa maneira, as representações esquemáticas nascem sob um efeito abstrato, mas ao mesmo tempo são formas. Com sua criatividade, a artista produz obras de profundo conteúdo intelectual atrás de uma metamorfose matemática que é completamente escultural.

Suas esculturas bidimensionais de metal, elaboradas com chapas de ferro polidas ou oxidadas, recortadas em pequenos fragmentos interligados com fios de arame ou diretamente soldados entre si, compõem estruturas variadas. Espaços vazios e as linhas transformam a rigidez e o peso do material, o ferro, em estruturas leves e lúdicas. Os pequenos fragmentos de formas repetitivas, porém irregulares, reunidos com sutileza e delicadeza, constituem uma malha orgânica de onde surgem composições de luz e de sombras, cada uma delas com sua individualidade, sua identidade própria.

Dentro desta linha construtivista, Monique Allain alcança um mundo essencial de emoções e de instintos humanos. "Portas", obra doada ao Acervo Artístico do Palácio 9 de julho, é uma escultura bidimensional figurativa com abstração orgânica, geométrica e ao mesmo tempo repleta de simbolismo.

A Artista

Monique Allain, pseudônimo artístico de Monique Marie Allain e Palomino, nasceu em São Paulo em 1958, filha de pai francês e mãe mexicana. Obteve uma licenciatura em ciências biológicas em Riberão Preto (1977 - 1980) e formou-se em biologia com pós-graduação em genética pela Universidade de São Paulo (1981 - 1982).

Antes de assumir sua vocação profissionalmente, dedicou-se à fotografia, ao teatro, à música e à pintura. Estudou no Instituto Louis Lumière e no jornal Lê Figaro, em Paris (1987), realizou curso de escultura na New York Studio School (2000) e foi aluna do curso de graduação em artes plásticas da FAAP (2002 - 2004).

Trabalhou com produção cultural na Casa das Rosas, unidade da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, de janeiro 2000 a outubro 2001. Utiliza como linguagem instalação, escultura, técnicas mistas, desenho, pintura e fotografia. Seu trabalho vem sendo exposto no Brasil e no exterior em Instituições culturais e galerias.

Participou das seguintes exposições: "Artistas Latino-americanos", SP (2000); I Salão de Artes Plásticas de Barueri, SP; 30º Salão Bunkyo, Museu Nipo-Brasileiro, SP; III Prêmio Maimeri Brasil, Memorial da América Latina, SP; "O Sagrado e o Profano", Funarte, SP (2001); I Salão de Arte Contemporânea de São José dos Campos, São José dos Campos, SP; "Art 2000 Contemporain", Espace Auteuil, Paris, França; "Ópera Aberta", Casa Das Rosas, SP; 31o Salão Bunkyo, Museu Nipo-Brasileiro, SP; "México Imaginário", Casa Das Rosas, SP; "O livro de cabeceira", Museu da Casa Brasileira, SP; "Cores Femininas", Conjunto Cultural da Caixa, SP (2002); "Sculpture by the Sea", Sydney, Austrália; "Arte do novo século", Centro de Convenções Guimarães Rosa, Jundiaí, SP; Espaço Cultural dos Correios, RJ; "O Sagrado e o Profano", Museu da Casa Brasileira, SP; "Puls'Art", Cité des Arts, Le Mans, França; "Grupo 360o", Centro Cultural do Banco Central, SP (2003); "Pequenos Formatos", Sofitel, SP;"Olhar Impertinente", Cooperativa dos Artistas Visuais do Brasil, MAC Ibirapuera, MUBE e Galeria Municipal de Artes de Barueri, SP; "Uma viagem de 450 anos", SESC Pompéia, SP; "A Célula do Olhar", Espaço Cultural Canvas, SP (2004).

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