Kaoru Ito: uma profunda consciência humana que reúne tempos e referências culturais
O grande mérito do trabalho artístico de Kaoru Ito é, sem dúvida, criar uma obra meditada, organizada e estruturada dentro da tradição plástica nipônica atual. Sua trajetória passa pelas grandes escolas contemporâneas de arte e pretende ser um elemento de continuação da cultura pictórica oriental no Brasil.
Dentro da estética e da pesquisa de sua individualidade trata-se de um artista profundamente sério, com resultados sóbrios e sólidos. O universo monocromático de várias de suas composições é valorizado por um registro gráfico aplicado na tela com saliências de massa que criam volumetria significativa e influem no movimento.
O artista preocupa-se em estabelecer as relações existentes entre o tempo e o espaço, os tempos simultâneos da consciência humana e as referências culturais recebidas tanto na pátria de origem quanto na adotada.
O ritmo entre o cinza e o preto da composição induz o observador a interpretar, dentro da estrutura abstrata, imagens diversificadas e paisagens surreais.
Em Caminho para o Paraíso, obra doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, Kaoru Ito elabora com rara felicidade uma atmosfera particular, própria, velada, ao mesmo tempo suave e diáfana, juntamente com a sutileza de suas passagens e combinações, constituindo elementos marcantes de sua arte.
O Artista
Kaoru Ito nasceu em Nagasaki, Japão, em 1937. Aos 16 anos foi estudar artes em Roma, Itália. Sobrevivente da bomba atômica lançada em 1945 pelos Estados Unidos, transferiu-se para o Brasil em 1955 instalando-se em São Paulo onde uma agência de publicidade o contratou como desenhista de aerógrafo.
No ano seguinte montou seu própio estúdio que, a partir de 1963, reunia 37 desenhistas com os quais criou sessenta e poucas marcas.
Em 1978, uma empresa automobilística o convidou para trabalhar no Japão onde permaceu durante 18 anos.
Participou de vários concursos ganhando cerca de 168 prêmios em diversos países.
Permaneceu 23 anos no Japão após o que viveu algum tempo na Espanha, perto de Barcelona, regressando ao Brasil em 2001.
Desde então instalou seu ateliê e um curso de artes em São Paulo para alunos interessados na arte do sumie, do shodo e na cultura nipônica em geral.
Possui trabalhos em coleções particulares e oficiais nos Estados Unidos, Espanha, França, Itália, Moçambique, Japão e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.
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