Kaoru Ito: uma profunda consciência humana que reúne tempos e referências culturais

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
05/05/2008 17:22

Caminho para o Paraíso<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/05-2008/Kaoru Ito Obra.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Kaoru Ito<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/05-2008/f - ito.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

O grande mérito do trabalho artístico de Kaoru Ito é, sem dúvida, criar uma obra meditada, organizada e estruturada dentro da tradição plástica nipônica atual. Sua trajetória passa pelas grandes escolas contemporâneas de arte e pretende ser um elemento de continuação da cultura pictórica oriental no Brasil.

Dentro da estética e da pesquisa de sua individualidade trata-se de um artista profundamente sério, com resultados sóbrios e sólidos. O universo monocromático de várias de suas composições é valorizado por um registro gráfico aplicado na tela com saliências de massa que criam volumetria significativa e influem no movimento.

O artista preocupa-se em estabelecer as relações existentes entre o tempo e o espaço, os tempos simultâneos da consciência humana e as referências culturais recebidas tanto na pátria de origem quanto na adotada.

O ritmo entre o cinza e o preto da composição induz o observador a interpretar, dentro da estrutura abstrata, imagens diversificadas e paisagens surreais.

Em Caminho para o Paraíso, obra doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, Kaoru Ito elabora com rara felicidade uma atmosfera particular, própria, velada, ao mesmo tempo suave e diáfana, juntamente com a sutileza de suas passagens e combinações, constituindo elementos marcantes de sua arte.



O Artista



Kaoru Ito nasceu em Nagasaki, Japão, em 1937. Aos 16 anos foi estudar artes em Roma, Itália. Sobrevivente da bomba atômica lançada em 1945 pelos Estados Unidos, transferiu-se para o Brasil em 1955 instalando-se em São Paulo onde uma agência de publicidade o contratou como desenhista de aerógrafo.

No ano seguinte montou seu própio estúdio que, a partir de 1963, reunia 37 desenhistas com os quais criou sessenta e poucas marcas.

Em 1978, uma empresa automobilística o convidou para trabalhar no Japão onde permaceu durante 18 anos.

Participou de vários concursos ganhando cerca de 168 prêmios em diversos países.

Permaneceu 23 anos no Japão após o que viveu algum tempo na Espanha, perto de Barcelona, regressando ao Brasil em 2001.

Desde então instalou seu ateliê e um curso de artes em São Paulo para alunos interessados na arte do sumie, do shodo e na cultura nipônica em geral.

Possui trabalhos em coleções particulares e oficiais nos Estados Unidos, Espanha, França, Itália, Moçambique, Japão e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.