Opinião - USP Leste: recolocando o trem nos trilhos

A USP Leste está prester a receber um conjunto de investimentos que poderá resgatar sua proposta original de ser um espaço aberto à comunidade
28/02/2012 14:56

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Prestes a completar nove anos de funcionamento, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (Each), ou simplesmente USP Leste, está prestes a receber um conjunto de investimentos que poderá resgatar a sua proposta original de ser um espaço aberto à comunidade e influenciar o desenvolvimento socioeconômico da região onde está inserida: a zona leste da Grande São Paulo.

A reitoria anunciou, neste mês, a implantação da Incubadora Tecnológica para apoiar pequenos e microempreendedores, a construção da Casa da Ciência, voltada para alunos do ensino médio (semelhante à existente no bairro da Lapa), um centro de atendimento à saúde de pessoas idosas, um auditório para 1.500 lugares e um centro cultural e de exposições, além da abertura de cursos de engenharia da Escola Politécnica. Com isso, ela deixa de ser uma mera unidade e passa a ser verdadeiramente um novo campus da USP.

Assim como a implantação da USP Leste foi fruto da reivindicação e mobilização de lideranças da sociedade civil, parlamentares e jovens que compreendiam que um campus de uma universidade pública induz o desenvolvimento socioeconômico da região e lutaram durantes anos para que ele se tornasse realidade, ajudando na transformação da zona leste de dormitório para região plena de oportunidades de empregos, esses novos investimentos anunciados também foram fruto do enfrentamento de uma crise ocorrida no ano passado e que expressava a estagnação daquela unidade. Todos devem se lembrar de que no início de 2011 vazou um relatório encomendado pela reitoria e que propunha a extinção do curso de obstetrícia e o fechamento de vagas dos outros nove cursos ali existentes. Isso gerou uma comoção e mobilização de professores, alunos, parlamentares e membros da comunidade da zona leste. Na Assembleia, eu propus a formação de uma comissão parlamentar de acompanhamento da crise, que realizou audiências e reuniões. Abaixo-assinados foram feitos e entregues às autoridades, entre elas o governador. Conseguimos o arquivamento daquelas propostas, mas entendemos que isso não bastava.

Munidos da informação de que a USP Leste tem quase 10% de todos os alunos da USP, mas que recebia apenas 1,3% de seu orçamento e de que a atração de empresas de ponta para uma região depende da formação de mão de obra qualificada, decidimos que deveríamos recuperar a proposta original da USP Leste, melhorar o seu orçamento e lutar pela criação de novos cursos, principalmente na área de engenharia e pela implantação de conjunto de serviços à comunidade.

Procuramos o diálogo com o reitor João Grandino Rodas e a direção da Each. Com a dificuldade inicial de agenda, propus a aprovei em outubro a convocação do reitor na Alesp, o que destravou o diálogo. Reuniões foram marcadas, a convocação transformou-se num convite, reivindicações foram apresentadas, propostas foram formatadas e ideias recuperadas. O reitor anunciou, no início de fevereiro, para a comissão de parlamentares e para lideranças locais, entre elas o padre Ticão, investimentos na ordem de R$ 100 milhões, já orçados e garantidos, para a construção de novos prédios e serviços.

Recolocamos o trem da USP Leste no seu trilho original. Agora, vamos ficar atentos, fiscalizar e cobrar para que ele passe a andar e trazer mais autoestima para nossa população, oportunidades para nossos jovens e melhorias e investimentos para esta importante e estratégica região do nosso Estado.

*Simão Pedro é deputado estadual pelo PT, morador da zona leste e presidente da Comissão de Educação e Cultura.

alesp