Se o Brás é tesoureiro...

Opinião
26/08/2005 19:08

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Vaz de Lima<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Vaz de Lima.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

As incontáveis versões surgidas para explicar o aparecimento de somas inacreditáveis e crescentes nas mãos de lideranças petistas e da base aliada do Governo Lula só podem nos lembrar daquele samba de Nei Lopes, que proclama "Se o Brás é tesoureiro a gente acerta no final". É evidente que é necessário preocupar-se com o destino das montanhas de dinheiro e punir aqueles que foram beneficiados com esta espantosa generosidade, mas também é essencial que se descubra de onde e por quais caminhos essa dinheirama aterrissou nas contas, bolsos, malas e cuecas petistas.

Digo isto porque, ou se admite a fantástica hipótese de alguém ter ficado generosamente louco " daquele raríssimo tipo de louco que rasga dinheiro " e tenha resolvido distribuir mancheias de dinheiro a amigos, aliados e desconhecidos, ou é preciso admitir a hipótese " muito mais plausível " de que o dinheiro tenha vindo dos cofres públicos.

Em muitos momentos, nos últimos anos, tenho criticado com veemência o desperdício de dinheiro público produzido pela incapacidade administrativa petista, pelo empreguismo, pelo gosto pelas mordomias no poder e pelas altas taxas de juros. Tenho dito que para que o país retome, de fato, o crescimento econômico e gere os empregos dos quais precisa é essencial que se reduza a carga tributária, coisa que não pode ocorrer se não houver a contenção dos gastos públicos desnecessários.

Neste momento, em que parece estar ficando claro que além destes "ralos" que mencionei há outro buraco bem maior nos cofres públicos, por onde escoam os recursos públicos, a situação se torna mais grave. É perfeitamente possível conter o gasto público, como vem demonstrando o governador Geraldo Alckmin, que só com a modernização da estrutura administrativa e ampliação da eficiência gerencial do Estado já poupou quase R$ 3 bilhões.

A luta pela redução dos gastos públicos, condição essencial para a redução da carga tributária, não é possível em um ambiente de "festa", na qual o "Brás" está por lá para "acertar tudo no final".

Foi desta esperança de impunidade que se nutriu uma máquina criada pelos segmentos dirigentes do PT para perpetuar-se no poder e garantir uma maioria silenciosa servil aos seus desejos. Antes, as pessoas que agora são acusadas foram implacáveis com os seus adversários. José Dirceu, por exemplo, dizia em um prefácio ao livro "Todos os sócios do Presidente" " que reporta a história da CPI que acabou no impeachment de Collor: "Por tudo isto não basta a CPI, é preciso que seu espírito tome conta do país. A verdade é que nosso povo novamente está caminhando, tecendo o fio da história, retomando a luta por dignidade e justiça pela cidadania".

Ao contrário de Dirceu e seus colegas, para os quais as palavras podem ser manipuladas segundo as conveniências, e julgadas não segundo o seu teor, mas de acordo com a posição política daquele que as diz, penso que o conselho de Dirceu deve ser seguido e suas palavras, daquela ocasião, ouvidas. Ou se aproveita a ocasião e se desvenda os esquemas pelos quais tanto dinheiro aparece de forma súbita e inacreditável ou então se faz pacto com a impunidade e a indignidade, e se coloca o "Brás" como tesoureiro oficial do país, regulamentando, assim, o assalto aos cofres públicos e os contos de fada, de pacotes e malas de dinheiro, aparecendo e desaparecendo; das lambanças contábeis que revelam, ao invés de ocultar, como era seu objetivo nas mãos deste "Brás".

É preciso que cada um dos brasileiros entenda que não se trata apenas de suspeitas de corrupção, de desvio de dinheiro tirado dos bolsos do povo. Se a origem do dinheiro é aquela que estas suspeitas apontam então se trata na verdade de um sacrifício do país. É por conta desses desvios que se teve de elevar a carga tributária, cortar empregos, eliminar as chances de retomada do crescimento no momento internacional mais favorável que já houve nos últimos 10 anos. Àqueles que preferem continuar esperando que o Brás acerte tudo no final não podem esquecer que cada centavo que encheu malas e cuecas " e se realmente veio da corrupção, como parece ser evidente " foi um centavo a mais cobrado dele como imposto e um centavo a menos para suprir as necessidades do país, inclusive da população carente a quem o presidente apela na tentativa de fortalecer-se contra as denúncias.

*Vaz de Lima é deputado estadual pelo PSDB.

vlima@al.sp.gov.br