Debate com o rapper MV Bill


20/05/2008 18:09

MV Bill e Simão Pedro<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/05-2008/SIMAO PEDRO MV BILL.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

O escritor e rapper MV Bill esteve na Assembléia Legislativa na última segunda-feira, 19/5, para um debate sobre seu mais novo livro escrito em co-autoria com Celso Athayde: Falcão " Mulheres e o Tráfico. Promovido pelos deputados petistas Simão Pedro e Roberto Felício, o debate teve a participação ainda de representantes do Instituto Sou da Paz e da Pastoral Afro. O debate aconteceu no Auditório Franco Montoro.

MV Bill disse que, na pesquisa que resultou em sua nova obra, percebeu que as mulheres presas estão mais abandonadas que os homens. "No dia de visita no Complexo Bangu (Rio de Janeiro), há uma fila enorme para o presídio masculino e quase ninguém no presídio feminino. Até as mães das presas as discriminam", disse.

Segundo ele, o lançamento do livro está sendo feito em penitenciárias femininas para que as presas dêem sugestões de melhorias no sistema carcerário brasileiro, que ele pretende levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Simão Pedro citou uma afirmação do escritor Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, para quem a violência com os menos favorecidos em São Paulo é mais sórdida do que no Rio, pois os pobres estão à margem dos bairros mais ricos, enquanto no Rio eles convivem lado a lado. O parlamentar perguntou ao rapper se ele concordava com esse ponto de vista. MV Bill discordou e disse que, no Rio, as formas de discriminação de negros são mais diretas, exatamente pelo fato de ricos e pobres estarem em uma convivência mais direta. "Lá, nós enfrentamos situações de racismo bem semelhantes às dos Estados Unidos", afirmou.

Simão citou ainda o filme Tropa de Elite e questionou o escritor sobre a influência que a obra teria tido em tornar a sociedade mais tolerante à tortura policial. MV Bill afirmou que, em seu ponto de vista, o filme não retratou a polícia de forma positiva. E emendou: "Se nós precisarmos do capitão Nascimento para resolver nossos problemas, é porque deu errado", referindo-se ao protagonista da película.



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