Comissão visita Viracopos e área de desapropriação
Uma comissão de deputados e deputadas visita nesta segunda-feira, 12/12, os bairros e ocupações que estão dentro da área a ser desapropriada para a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos de Campinas.
O objetivo é verificar a situação dos moradores, que reclamam da falta de infra-estrutura e de vagas para atendimento nas unidades de saúde e de educação. A visita começa às 9h30, no aeroporto.
A realização da visita foi proposta pelo deputado Renato Simões, líder do PT na Assembléia, durante audiência pública realizada dia 23 de novembro passado pela Comissão de Assuntos Metropolitanos da Casa.
Participaram da audiência o superintendente regional da Infraero, Miguel Chueire; o superintendente do Aeroporto de Viracopos, José Clóvis Moreira; os deputados Antonio Mentor e Sebastião Arcanjo (ambos do PT) e Célia Leão (PSDB); o vice-prefeito de Campinas, Guilherme Campos Júnior; a vereadora Leonice da Paz, presidente da Comissão Especial de Estudo (CEE) da Câmara de Campinas, que acompanha o processo; e representantes dos moradores e moradoras dos 17 bairros a serem desapropriados.
Uma outra iniciativa será a realização de uma nova audiência pública, desta vez em Campinas, para clarear o diálogo entre os entes federativos (Município, Estado e União " por meio da Infraero) e a população local. Serão convocados os secretários estaduais dos Transportes Metropolitanos e de Habitação.
"As audiências públicas preenchem uma lacuna importante. Há um bom tempo o que impera é a decepção e a falta de informação", disse Renato Simões. O líder do PT se referia ao fato de o governo do prefeito Hélio de Oliveira Santos não ter realizado nenhuma reunião com os moradores desde que assumiu a Prefeitura, em janeiro passado. Na gestão Izalene Tiene havia reuniões freqüentes com uma comissão, formada por moradores e representantes do governo municipal.
O parlamentar não poupou a Infraero pelo momento de tensão que tem marcado a relação com os moradores da região do Campo Belo. "Precisamos saber quando, onde e como será feita a transferência das famílias, além de ter em mãos os recursos a serem alocados, uma vez que há números díspares", salientou. Ele se referia ao fato de que a Infraero anunciara, há dois anos, que seriam usados R$ 50 milhões para o processo de transferência das famílias. Agora, esse cálculo gira em torno de R$ 200 milhões.
Indefinição
Os moradores e moradoras dos 17 bairros a serem desapropriados disseram que se sentem angustiados diante da falta de informação e indefinição que paira sobre o projeto de ampliação de Viracopos.
"Gostaria que o prefeito Hélio estivesse aqui porque o vice (Guilherme Campos Júnior) foi muito vazio em suas colocações. Estamos muitos angustiados porque não sabemos quando vamos sair e para onde vamos", disse Justino, que é tesoureiro da Associação dos Moradores do Campo Belo.
A mesma angústia ficou clara nas intervenções feitas por outros moradores, como Euzino Silva (do Jardim Itaguaçú), Alicio Rocha (São Domingos) e Edson Santa, do Campo Belo. Já o advogado Paulo Gandolfo, da Proesp (Sociedade Protetora das Diversidades das Espécies), questionou a falta de licença ambiental para que a Infraero possa tocar as obras.
Censo
O superintendente regional da Infraero, Miguel Chueire, disse que está em ordem toda documentação ambiental necessária para a realização da obra. Ele garantiu que enviará cópias à Comissão de Assuntos Metropolitanos da Assembléia.
Sobre o questionamento feito pelos moradores, o superintendente garantiu que todo o processo está em andamento. "Terminamos a primeira fase do censo. Agora sabemos exatamente quantas são as famílias que moram na região", destacou.
O superintendente do Aeroporto de Viracopos, José Clóvis Moreira, disse que o censo realizado apontou 4.565 famílias, em um total de 16 mil pessoas. Dos 17 bairros que estão na área a ser desapropriada, seis são ocupações.
A área passível de desapropriação tem 9 milhões de metros quadrados, praticamente o mesmo tamanho do atual sítio do aeroporto. Viracopos é o segundo do país em volume de cargas (200 mil toneladas/ano) e perde apenas para o de Guarulhos.
Segundo Moreira, há 274 empresas instaladas, sendo 52% na área de logística. O aeroporto possibilita 6,5 mil empregos diretos e pelo menos 10 mil indiretos. São registrados 24 mil pousos e decolagens por ano. Com a ampliação, poderá chegar a 470 mil, com um total de 750 mil toneladas de cargas.
rsimoes@al.sp.gov.br
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