TV Cultura, um capítulo à parte na história da tevê brasileira

60 anos da TV no Brasil
24/09/2010 20:50

Araci Balabanian, Garibaldo e Sonia Braga<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/vilasesamo.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Festa da Uva em Caixias do Sul em 1972<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/tvacores2.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Propaganda da 1ª novela<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/25499ocupado.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Jô Soares cumprimenta o presidente Médici em Caixias do Sul<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/tvacores1.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Saramandaia<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/telenovelas-saramandaia-1.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Chico Xavier no programa Pinga Fogo em 1971<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/PingaFogoTupi.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Direito de Nascer<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/09-2010/direitodenascer.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Criada originalmente como uma emissora comercial, entrou no ar em 20 de setembro de 1960 como uma filiada dos Diários e Emissoras Associados de Assis Chateaubriand, instalada inicialmente no prédio sede da Rua Sete de Abril. Com a entrada no ar do Canal 2, a TV associada, já então denominada Tupi, por questões de ordem técnica passou do Canal 3 para o Canal 4.

Entre suas primeiras atrações estavam Xênia Bier, Ney Gonçalves Dias, e o Homem do Sapato Branco, Jacinto Figueira Junior. Após um incêndio, em 1965, que destruiu grande parte de seus estúdios e seus equipamentos, a emissora passou a funcionar precariamente no Sumaré, juntamente com sua irmã a TV Tupi. Em 1967, o governo do estadual criou, através de lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a Fundação Padre Anchieta " Centro Paulista de Rádio e Televisão, e, após conversações com os Associados, a TV Cultura passou para o controle do Executivo Paulista.

Após ter permanecido fora do ar entre 1968 e 1969, retornou experimentalmente como uma emissora educativa, sediada na rua Carlos Spera, no bairro da Água Branca, tendo inicialmente exibido programas educacionais, como Madureza Ginasial, e documentários de vários assuntos. Na década de 70, a atriz Nídia Lícia ficou responsável pela realização dos teleteatros do Canal 2, que alcançaram grande sucesso.

Apesar de inicialmente estar voltada para o ensino, a programação diferenciada da Cultura teve o famoso Vila Sésamo, com o Garibaldo, em inesquecível criação do ator Laerte Morrone, e também Armando Bogus, Araci Balabanian e a jovem Sonia Braga, em início de carreira. Outro programa marcante foi É Proibido Colar, com Antonio Fagundes e Clarice Abujamra, no qual alunos de diversas escolas, na maioria das vezes públicas, iam disputar seus conhecimentos. Comandado por Walmor Chagas, foi ao ar em 1982 o programa Quem Sabe Sabe. Outro programa que marcou época foi Festa Baile, levado ao ar a partir de 1981, e exibido nas noites de sábado, que trazia no seu comando o cantor Francisco Petrônio e a orquestra do maestro Silvio Mazzuca.

O programa MPB Especial, produzido pelo competente Fernando Faro, preservou para a memória da cultura brasileira os mais importantes nomes da canção brasileira. Na área de musica popular de raiz o programa Viola Minha Viola, apresentado pela cantora Inezita Barroso, é um dos carros chefes da emissora há mais de trinta anos, sendo um dos mais antigos da televisão brasileira.

A música popular também é o tema do Sr. Brasil, com Rolando Boldrin, no qual o músico canta e conta causos do interior do país. Vox Populi, também de grande importância para a Cultura, foi o primeiro programa em que a população das ruas podia perguntar diretamente aos entrevistados sobre diversos temas. Atualmente, Roda Viva, exibido nas noites de segunda-feira, traz sempre um convidado especial, que é entrevistado por jornalistas.

O grande sucesso do Canal 2 para o publico infantil desde Vila Sésamo, é a premiada série Castelo Rá Tim Bum, dirigida por Cao Hambúrguer, com o apoio do Sesi, voltada para as crianças de quatro a oito anos.

Na Tupi marcou uma época o programa Pinga Fogo, que estreou na emissora no ano de 1955, e foi ar até o fechamento do Canal 4, em 1980. Na noite de 28 de julho de 1971, o convidado foi o médium Chico Xavier. O programa foi ao ar ao vivo, transmitido em rede pelas Emissoras Associadas para todo o Brasil. Previsto inicialmente para durar uma hora, acabou por se estender por mais de três horas, em uma audiência absoluta



A Dublagem



No início, os filmes eram apresentados em sua versão original, quase todos em inglês, e alguns tinham legenda, mas a grande maioria da população brasileira não podia acompanhar a leitura. Em 1958, as TVs Record em São Paulo e Tupi carioca iniciaram a apresentação da série norte-americana Ford Theather, que recebeu no Brasil o nome de Ford na TV. Os primeiros dubladores foram Henrique Martins, Cibele Silva e Ilka Ferreira, sendo o trabalho realizado pela Grava-Som de São Paulo. No ano seguinte foram dubladas as séries Lanceiros de Bengala, Papai Sabe Tudo, e As Aventuras de Rin Tin Tin, de enorme sucesso.

Com a vigência da Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, o governo do presidente João Goulart resolveu baixar o Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963, aprovando o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão do Conselho Nacional de Telecomunicações, no qual determinou a proibição da transmissão de programas em língua estrangeira na televisão e também no rádio. Com a determinação governamental, as emissoras se viram obrigadas a exibir os filmes e séries de televisão exclusivamente em versão falada em português, e assim surgiram os grandes estúdios de dublagem em nosso país.

A Companhia Arte Industrial Cinematográfica " São Paulo, mais conhecida como AIC, representa para a história da dublagem brasileira um verdadeiro marco inicial, com excelentes profissionais, muitos vindo do rádio, que surgiu a partir de um estúdio menor, chamado Grava-Som. Foi o maior e melhor estúdio de dublagem para a televisão durante a década de 1960. Muitos que lá iniciaram suas atividades, a consideram uma verdadeira "escola de dublagem", que depois seguiram seus caminhos na carreira. Com certeza, a AIC deu os rumos para a dublagem brasileira, os quais foram seguidos por outros estúdios. A AIC atuou cerca de 14 anos, de 1962 a 1976, mas deixou uma legião de fãs espalhados pelo Brasil.

Cabe lembrar uma das mais famosas séries exibida na televisão brasileira, Perdidos no Espaço, que foi levada ao ar na televisão Record de São Paulo, a partir de 4 de dezembro de 1966, dublada pela AIC, com Astrogildo Filho e Rebello Neto (Professor John Robinson), Helena Samara (Maureen Robinson), Ary de Toledo (Major Donald West), Neuza Maria e Áurea Maria (Judy Robinson), Magali Sanches e Maria Inês (Will Robinson), Cristina Camargo e Leomar de Mattos (Penny Robinson), Borges de Barros (Dr. Zachary Smith), José Soares, Jorge Ramos, Amaury Costa e Gilberto Baroli (Robô B-9). Narração: Ibrahim Barchini, Emerson Camargo e Carlos Alberto Vaccari. Tradução: Hélio Porto.

Alem da AIC, outros estúdios de dublagem para a televisão que ficaram na memória dos telespectadores foram a Herbert Richers, sediada no Rio de Janeiro, Cinecastro, Peri Filmes, Dublasom, Marshmallow, Mastersound, Magasom, Rio Som e TV Cine Som.



Uma mania nacional: as telenovelas



A primeira novela diária no país surgiu na TV Excelsior, quando foi lançada 2-5499- Ocupado, que foi exibida de julho a setembro de 1963, de autoria do argentino Alberto Migré. Foi adaptada por Dulce Santucci, com direção de Tito Di Miglio, que foi o responsável pela introdução da novela no Brasil. Graças a 2-5499-Ocupado, formou-se o mais famoso par romântico da tevê brasileira: Tarcísio Meira e Glória Menezes.

Anos depois, Tarcísio relembrou: "Era uma novela muito chata, muito ruim, uma novela argentina, que até a pouco tempo atrás sofreu uma modificação...". Em 1999, haveria uma nova versão na Record, com o nome de Louca Paixão, com Mauricio Mattar e Karina Barum.

No ano seguinte, a TV Tupi também começou a fazer novelas diárias, com Alma Cigana, escrita por Ivani Ribeiro, adaptada de uma história cubana original de Manuel Muñoz Rico, com direção de Geraldo Vietri, e levada ao ar de março a maio de 1964, com elenco formado por Ana Rosa e Amilton Fernandes.

Enquanto isso, a Excelsior continuava fazendo fama, agora com A Moça Que Veio de Longe, adaptação de Ivani Ribeiro de uma trama argentina de Abel Santa Cruz, dirigida por Dionísio Azevedo, com o casal Hélio Souto e Rosamaria Murtinho, que foi exibida no período de maio a julho de 1964.

Em 1965, a Tupi conseguiu o seu primeiro grande sucesso ao adaptar a antiga novela radiofônica O Direito de Nascer, trabalho realizado por Teixeira Filho e Talma de Oliveira, do romance cubano de Félix Caignet, e dirigida por Lima Duarte e Jose Parisi. No elenco Isaura Bruno, como mamãe Dolores, Nathalia Timberg, no papel de sóror Helena da Caridade, Amilton Fernandes, como Albertinho Limonta, e ainda Guy Loup, Jose Parisi, Maria Luiza Castelli, Vininha de Moraes, Rolando Boldrin, Henrique Martins, Oswaldo Loureiro, Meire Nogueira, e o jovem Luiz Gustavo.

A Tupi resolveu no último capítulo da novela realizar uma grande festa, que lotou o Maracanãzinho " milhares de fãs queriam ver de perto os astros da novela. Os integrantes da novela tornar-se-iam ídolos da tela, e poucos anos depois o galã Amilton Fernandes morreria vítima de um acidente automobilístico no Rio de Janeiro, no auge da fama.

Desde que foi exibida, primeiramente no rádio e depois na televisão, o público masculino deu um novo título para a trama: "O Direito de Encher..."

Para concorrer com a Tupi, a Excelsior produziu em 1965 A Deusa Vencida, escrita por Ivani Ribeiro e dirigida por Walter Avancini. O elenco era estelar: Gloria Menezes, Tarcisio Meira, Edson França, Altair Lima, Maria Aparecida Alves, Karin Rodrigues, Ivan Mesquita, Ruth de Souza, Machadinho, Rachel Martins, e lançou como atriz de telenovela a novata Regina Duarte.

Em 1965, após mais de oito anos da concessão governamental, entrou no ar a TV Globo, Canal 4, do Rio de Janeiro. Entre seus primeiros contratados estava os atores Milton Gonçalves, Célia Biar, e a comediante Dercy Gonçalves, que teria seu próprio programa de televisão na qual seria campeã de audiência, no qual divulgaria a provocativa música "A Perereca da vizinha tá presa na gaiola...".

Mas a Globo resolveu não só investir em um programa de auditório com a maior comediante brasileira de todos os tempos, mas também nas telenovelas, contratando a cubana Gloria Magadan, que escreveu para a emissora O Sheik de Agadir, baseado no romance Taras Bulba, de Nicolai Gogol, dirigido por Henrique Martins, que também protagonizou a novela, e Regis Cardoso. Foi exibida entre 1966 e 1967.

A Excelsior tinha sob seu contrato a novelista Ivani Ribeiro, a mais importante da época. Duas novelas de sucesso eram de sua autoria: As Minas de Prata, de 1966, e Os Fantoches, que foi ao ar entre 1967-1968. De grande audiência foi A Pequena Orfã, estrelada pela menina Patrícia Ayres, considerada a primeira novela infanto-juvenil da TV brasileira, de autoria de Teixeira Filho, exibida em 1968.

Em 1966, a TV Excelsior resolveu montar nos antigos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, uma cidade cinematográfica para realização da novela Redenção, que inicialmente deveria ter 100 capítulos, mas devido ao imenso sucesso ficou resolvido que seriam criados mais 50 capítulos, e assim foi se sucedendo, chegando ao total de 596 capítulos, um verdadeiro recorde. Foi escrita por Raimundo Lopes e dirigida por Waldemar de Moraes e Reinaldo Boury. Essa novela lançou como astro da televisão brasileira Francisco Cuoco, no papel do médico Dr. Fernando Silveira. Integravam também o elenco Miriam Mehler, Lourdes Rocha, Marcia Real, Rodolfo Mayer, Lelia Abramo, Vicente Leporace, Maria Aparecida Baxter, Armando Bogus, Procopio Ferreira, Georgia Gomide, Newton Prado, Fernando Baleroni e Edson França.

Em 1967, a Globo contratou Janet Clair, que escrevia radionovelas, para inicialmente auxiliar Gloria Magadan. Inspirada e de grande competência, ela escreveria inúmeros sucessos televisivos, como Sangue e Areia, Passo dos Ventos, Rosa Rebelde e Véu de Noiva. Nos anos 70, sucessos absolutos: Irmãos Coragem, Selva de Pedra, Pecado Capital. Em 1978, todo o país indagou: quem matou Salomão Hayala, em O Astro? O índice do Ibope chegou a 100 pontos. Seu último trabalho foi Eu Prometo, que deixou inacabada, sendo concluída pela colaboradora Gloria Perez.

Outro sucesso na teledramaturgia brasileira foi Beto Rockfeler, da TV Tupi, que é considerada um marco divisório nas telenovelas. Foi uma criação de Cassiano Gabus Mendes, escrita por Braulio Pedroso, e com direção de Lima Duarte e Walter Avancini. No elenco Luiz Gustavo, Debora Duarte, Bete Mendes, Ana Rosa, Irene Ravache, Plinio Marcos, Marilia Pera, Walter Forster e Maria Della Costa. Ficou no ar durante um ano, entre 1968 e 1969.

De Ivani Ribeiro, Mulheres de Areia foi ao ar entre 1973 e 1974. Durante um ano, a atriz Eva Wilma fazia dois papeis, das gêmeas Ruth e Raquel, uma boazinha e outra má. Foi dirigida por Edson Braga e a supervisao de Carlos Zara.

Baseada na obra de Maria José Dupré, Éramos Seis, adaptado por Silvio de Abreu e pelo jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho, foi em duas oportunidades exibida na televisão, a primeira vez na Tupi em 1977, e depois em 1994 no SBT.

Mais de 770 novelas foram produzidas, por quatorze emissoras de televisão brasileiras, desde sua criação. Outras novelas de sucesso: As Pupilas do Senhor Reitor; Pigmalião 70, Verão Vermelho, A Viagem, O Profeta, Idolo de Pano, O Machão, Os Ossos do Barão, Locomotivas, Anjo Mau, Saramandaia, O Espigão, Cabocla, Os Imigrantes, O Casarão, Éramos Seis, Pantanal, Dona Beija, A História de Ana Raio e Zé Trovão, Gabriela, Dancing Days, Vale Tudo, Que Rei Sou Eu?, Guerra dos Sexos, Roque Santeiro, Tieta, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra, Xica da Silva, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Rainha da Sucata, Barriga de Aluguel, Vamp, Quatro por Quatro, Por Amor, Laços de Família, A Favorita, A Padroeira, América, As Filhas da Mãe, Bang-Bang, Beleza Pura, Belíssima, Caminho das Índias, Celebridade, Ciranda de Pedra, Da Cor do Pecado, Duas Caras, Esperança, Esplendor, Mulheres Apaixonadas, O Clone, O Profeta, Paraíso, Viver a Vida.



A televisão em cores



A criação da televisão em cores foi uma difícil e árdua tarefa dos cientistas e técnicos em todo o mundo, desde os anos 20, logo após a invenção do próprio aparelho. No inicio da década de 50, foram realizadas as primeiras experiências, por várias empresas fabricantes de televisores que tinham grande interesse comercial em suas vendas. A RCA em 1953 realizou um grande teste, que, apesar de algumas críticas em virtude da qualidade das cores, recebeu elogios pela presença e atuação da cantora brasileira Carmen Miranda, com sua alegria e suas roupas multicoloridas. A tevê colorida nos Estados Unidos só seria transmitida regularmente a partir de 1966.

No Brasil, a primeira experiência com a tevê colorida ocorreu em 1963, por meio da Tupi, quando levou ao ar a série americana Bonanza, por sinal, a primeira produzida em cores nos Estados Unidos, no ano de 1959, sendo exibida nas noites de sábado. Somente em 19 de fevereiro de 1972, a TV Difusora, Canal 10, de Porto Alegre, gerou, para todo o país, as transmissões coloridas do desfile inaugural da 12ª Festa Nacional da Uva, realizada na cidade de Caxias do Sul, através da Embratel, e as demais emissoras brasileiras entraram em rede com a emissora gaúcha.

A Festa da Uva contou com a presença do presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, do governador do Rio Grande do Sul, Euclides Triches, ministros de Estado, autoridades, e a participação de astros da TV (no caso da Globo) Tônia Carrero, Francisco Cuoco, Jô Soares e sua então esposa Teresinha Austregésilo.

Em 31 de março de 1972, aniversário da Revolução de 1964, foi inaugurada oficialmente a tevê colorida em nosso país. Ainda nesse ano, pela TV Gazeta, Canal 11, de São Paulo, foi realizada a pioneira retransmissão do primeiro grande evento esportivo para todo o Brasil em cores, o Primeiro Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, realizado no autódromo de Interlagos, tendo a emissora que importar equipamentos para exibir o evento. No primeiro ano da televisão em cores no Brasil, foram vendidos apenas 68 mil aparelhos, contra 1,1 milhão em preto e branco. O alto preço dos receptores de televisão colorida era o principal fator pela grande diferença entre o número de vendas entre os dois modelos. O valor do aparelho em cores na época era equivalente ao preço de um carro usado.

Inicialmente, poucos programas eram exibidos em cores; a maioria da programação resumia-se a alguns telejornais, como o Jornal Nacional da Rede Globo, o primeiro informativo colorido, e séries da televisão americana, como Batman. A TV Bandeirantes era a alegria da garotada nas tardes semanais após as aulas escolares, nas raríssimas residências que tinham o privilégio de possuir um aparelho colorido.

A primeira novela em cores seria produzida no ano seguinte pela Globo, O Bem Amado, de autoria de Dias Gomes, com grande elenco, encabeçado pelo ator Paulo Gracindo, como o prefeito Odorico Paraguassu, e de enorme sucesso de audiência apesar do horário em que era apresentada, sendo também a primeira novela das 22 horas. Nesse mesmo ano, 1973, entrava no ar nas noites dos domingos pela Globo o programa Fantástico " o Show da Vida. A partir de então a emissora carioca se tornou a mais importante do país, com a apresentação de uma programação diferenciada, principalmente pela qualidade de suas novelas, grande parte escritas por Janet Clair, a maior autora do gênero, e de grande sucesso de audiência até os nossos dias.

A televisão colorida desenvolveu-se na medida em que o preço ao consumidor dos televisores eram reduzidos, podendo então as classes média e baixa ter o seu em casa. Somente em 1981 é que a venda dos receptores em cores ultrapassou a dos televisores em preto e branco, que deixariam de ser fabricados em 1996. No ano anterior foram vendidos apenas 138 mil, contra 6 milhões de aparelhos em cores, e no seguinte o número subiu para 8,5 milhões.

Com a posse do presidente Fernando Collor, através do Decreto 99.431, de 31 de julho de 1990, foi alterada a redação do Regulamento de Serviços de Radiodifusão de 1963, permitindo a partir de então a exibição de programas e filmes na versão original. Essa medida foi ao encontro do formato de exibição das tevês por assinatura, que passaram a funcionar no Brasil naquele período.

No campo tecnológico, a televisão também viveu seu grande avanço em 1992: foi apresentada ao mundo a primeira tela de plasma full color mundo, que seriam lançadas para o público consumidor pela Pionner no ano de 1997, e três anos depois começariam a ser vendidas no Brasil.

Em 2005, os aparelhos com telas com tecnologia LCD de 40 e 45 polegadas foram oferecidas ao mercado, sendo que no ano seguinte o preço das TVs de plasma e LCD começaram a baratear no mercado.

O governo brasileiro, após vários estudos técnicos, em 2006 resolveu definir como padrão o japonês para a TV digital no país.

O desenvolvimento da televisão brasileira nessa fase pode ser medido através do número de residências com receptores de televisão. O censo nacional de 1980 constatou que 55% de um total de 26,4 milhões de residências já estavam equipadas com aparelhos de tevê. Entre 1960 e 1980, o crescimento do número de residências com aparelhos de tevê foi de 1.272%. No ano de 1989, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), havia cerca de 20 milhões de televisores no país, e em 1996 o numero de aparelhos no mundo chegou à astronômica marca de um bilhão.

Em 1999, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o número havia subido para 53,6 milhões aparelhos de televisão, instalados em 37 milhões de domicílios, número que chegou em 2002 a 54 milhões de aparelhos de televisão. No ano de 2009, existiam em todo o território brasileiro 384 emissoras de televisão.

De acordo com o IBGE, em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no início deste mês de setembro, 95,7% das residências no Brasil possuem aparelho de televisão, totalizando 56 milhões de domicílios, o que supera a presença do rádio (87,9%) e até de geladeira (93,4%).



*Antônio Sérgio Ribeiro, é advogado, pesquisador e diretor do Departamento de Documentação e Informação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.