Além do horizonte
Não há razões para duvidar das pesquisas de opinião. Que Lula ainda goze de um prestígio razoável é algo compreensível. Afinal, nem mesmo o mais ácido de seus críticos poderia imaginar que seu governo viesse a ser o que é: uma ruindade ímpar, inigualável, abaixo de qualquer suspeita. Somos "cristãos" à nossa maneira. Temos tolerância imensa com vícios medonhos. Por aqui, aceitamos a incompetência e a mentira como fatos normais. Parece ser de nossa natureza dar curso às ilusões mais ordinárias.
Por aqui se vendeu a idéia de que, entre tantas outras besteiras, o governo petista dava show de bola na política internacional. Supostamente altiva. Como supostamente altivo haveria de ser um governo sob a batuta do companheiro mandrião, que leva para sua casa todos os meses pouco menos de R$ 4 mil, por conta de um tiro que, felizmente, a ditadura jamais lhe deu . Luiz Inácio é a negação do trabalho. É o símbolo da esperteza.
O leitor há de se lembrar que Sua Excelência correu o mundo dizendo besteiras que só aos gentios, por inimputáveis, é permitido dizer. Disse a quem se dispusesse a ouvi-lo, ainda que a contragosto, que erradicaria a fome no mundo, mudaria a geografia econômica (como não?), ensinaria as "elites" a governar e tudo o mais que já se sabe. Quis mais: um assento no Conselho de Segurança da ONU, a presidência do Banco Mundial, a liderança entre os países emergentes, o lugar do papa e um título de santo, para quem sabe o seu velho PT cobrar indulgências dos muito crédulos.
Nada conseguiu. Porque só os néscios podem levar a sério tantos improvisos e absurdos.
De concreto, Sua Excelência pouco fez, além das bravatas. Conseguiu aprovar com o apoio da oposição um arremedo de reforma da Previdência. Elevou impostos, aumentou os juros, tentou calar a imprensa, o Ministério Público e os produtores culturais, aparelhou o Estado de forma jamais vista e, claro, fez sua grande e definitiva obra: contribuiu para degradar um dos pilares da democracia " o Legislativo.
A verdadeira herança maldita, infelizmente, está por vir. Ela nada mais é que o fruto podre de um estelionato eleitoral anunciado.
Milton Flávio (PSDB-SP) é professor de Urologia da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, e vice-líder do governo na Assembléia Legislativa de São Paul.o
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