Intérprete poético da luz, Rodrigues Coelho confere à imagem humana uma sua absoluta pureza

Emanuel von Lauenstein Massarani
07/07/2004 14:00

Clique para baixar a imagem" alt="Obra "Delírios de Carnaval"Clique para baixar a imagem"> Rodrigues Coelho <a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/RodriguesCoelho.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Rodrigues Coelho é um artista original e intérprete poético da luz que modela as formas na mágica fluidez desse meio impalpável e inalcançável. Seu grande mérito é de saber dominar um instrumento tão fugitivo para dele apropriar-se e dobra-lo às exigências, não tanto da representação quanto da descoberta de uma verdade poética, orientada em direção do sentimento, do espírito, da fantasia e, como tal, autêntica também em suas contradições.

Numa gama de tons aparentemente uniformes, Rodrigues Coelho sabe iluminar as suas criações através de uma luz que se acende no ocre solar até alcançar aquele dramático clarão crepuscular que revela aqueles céus atemporais onde, para o homem, tudo nasce e morre ao pôr do sol. Apreciar esse pintor singular demonstra uma forte sensibilidade e estima para quem "na inspiração" já se realiza à luz da arte.

O fator que permite a Rodrigues Coelho de conferir à imagem humana uma sua absoluta pureza é a luz. Trata-se daquele elemento capital que não somente dá vida ao seu cromatismo, mas lhe confere também uma dimensão espiritual própria, apta a subtrair-se de qualquer fator estranho à pintura, na sua autonomia expressiva. Esse é um processo que nasceu no impressionismo e continuou pelo divisionismo, também em função dos poéticos destinos do fim do século XVIII, em contraposição ao sentido objetivo da realidade proposto pelo verismo.

Suas obras nascem sempre da realidade: a origem é sempre uma emoção, proveniente de uma leitura, de uma foto, de um quadro, de um lugar, de um episódio. Quando está certo da própria impressão, somente então se aventura sobre a tela. A uma primeira estruturação sobrepõem outros extratos de pintura: cada qual contribui a precisar a visão, a reduzi-la nos elementos constitutivos até a descarnificação de uma imagem simbólica.

Suas experiências matéricas se multiplicam: usa a cor diluída, a dispõe em amplas extensões transparentes, para depois trabalhar sobre a própria matéria. Em "Delírios de Carnaval", obra doada ao Acervo Artístico do Parlamento Paulista, o artista confere às figuras humanas um valor de integral transfiguração onde o abstrato e o figurativo se amalgamam de maneira sublime e etérea.

O Artista

Rodrigues Coelho nasceu em São Paulo, no ano de 1925. Formou-se pela Escola de Belas Artes de São Paulo, pela Associação Paulista de Belas Artes e pela Academia Paulista de Belas Artes. Exerceu as funções de Secretário Geral do "Comité des Arts Plastiques" da UNESCO no Brasil. Além de pintor é professor de desenho e de artes plásticas.

Executou mais de 2000 obras de arte e participou de mais de 100 exposições oficiais, destacando-se entre elas: Expo Cultural dos Imigrantes (Bienal, SP), Medalha de Ouro;

Artistas Sul Americanos, (Coahuila, México), Medalha de Ouro; Mokiti Okada, Palácio da Cultura (MAC, Rio de Janeiro); ASBA, Prêmio aquisitivo, Acervo Pinacoteca S.B.C.; Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP (três participações); I Salão Nacional de Artes Plásticas, Rio de Janeiro, Medalha de Ouro; Coletiva Círculo Militar de São Paulo, Medalha de Ouro; Academia Paulista de Belas Artes, Anhembi, Medalha de Ouro; Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP; I Salão de Arte Contemporânea, Americana, SP, Medalha de Ouro; Jockey Clube de São Paulo, aquisição acervo Sede; Contemporary Art, Tampa, Florida, Estados Unidos, Gold Great Master Medal; MAC Taiwan, Formosa, Prêmio Paleta Internacional; Salão de Arte Contemporânea, São Paulo, I Prêmio; Salão Nacional "Centro Cultural Vergueiro", São Paulo, 1º Prêmio; I Salão Nacional de Artes Plásticas, Brasília, DF, 1º Prêmio aquisição com prêmio viagem a Paris, França.

Desde 1983, expõe no Clube Atlético Pinheiros, Academia Paulista de Belas Artes Portinari, União Cultural Brasil-Estados Unidos, Espaço Cultural Tabacow, Espaço Cultural BMW, Clube Athlético Paulistano, Maison Continental 2001, Hípica de Santo Amaro, Caixa Econômica Federal, Secretaria Municipal de Cultura SP e Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo

Suas obras encontram-se em coleções particulares no Brasil, Itália, Canadá, Portugal, México, Argentina e em acervos públicos como o do Palácio 9 de Julho.