Acervo Artístico: Migotto projeta seu existencial pintando a solidão e a incomunicabilidade do homem moderno

Emanuel von Lauenstein Massarani
15/07/2004 17:15

O artista, João Migotto,...<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/migotto.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Clique para baixar a imagem" alt="...e a obra "Bloqueio", doada ao Acervo Artístico da AssembléiaClique para baixar a imagem">

A figura humana na obra de Migotto parece ter absorvido dentro de si, de tempos imemoráveis, as ressonâncias de todos os atuais problemas do homem: solidão, incomunicabilidade, existência repetitiva e, em tal óptica, amadureceu a escolha de uma sofrida clausura.

O herói e as heroínas de fato de sua fábula pictórica parecem ter medo de estar neste mundo, de se verem vivos, de se sentirem sós! Entretanto, possuem uma força escondida que não os fará renunciar àquela porcentagem de poesia que diariamente nos envolve.

Sua pintura, isenta de modismo e de falsificações, vive dessa autêntica e polêmica irrenunciabilidade. As referências às aparências do mundo não são para Migotto pretextos. Suas cores transfiguram, transmutam para reter os valores essenciais que elaboram uma série de imagens plenas onde as formas, dispostas numa ordem bem estabelecida, destacam, às vezes, um elemento humano central.

É de se destacar o gosto desse artista pela estruturação de seus quadros, onde o equilíbrio tonal, sutil e sugestivo, e o prazer pelo efeito lançado sobre os cortes e as prospectivas são marcantes.

Migotto se move na pintura com uma lógica de linhas, de contornos, que clareiam a corrosão da figura mediante as experiências gráficas anteriores. Não há necessidade de ler os títulos de suas obras, basta olhar as composições quadriculadas, com toques de tons ocres ou cinzas que aprisionam o elemento central em tons difundidos de preto.

Em "Bloqueio", obra doada ao Acervo Artístico da Assembléia Legislativa, o artista cultiva, através dos mitos, as memórias e os símbolos do incônscio, o produto de uma experiência única a nível individual que por si só garante autenticidade á própria pesquisa.

O Artista

João Migotto nasceu em Taubaté, no ano de 1963. Atualmente mora e trabalha em São Paulo. Formou-se técnico do desenho industrial pela Universidade de Taubaté (1980) e em Educação Física e Desportos pela mesma Universidade (1983).

Realizou cursos de monitoria em Artes pela Fundação Cultural de São José dos Campos, SP (1985-1990); pintura na Parsons School of Design em Nova York, Estados Unidos (1994) e desenho no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Desde 1991 trabalha como pintor muralista em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Participou das seguintes exposições coletivas: Espaço Cultural da Hípica de Guaratinguetá, SP (1999); Paço das Artes, Roseira, SP; 50° Salão de Artes Plásticas Antonio Rodini - Contemporâneo - Araras, SP; 1° Salão de Arte Contemporânea - Fundação Cultural Cassiano Ricardo São José dos Campos - SP; Salão de Artes Visuais/ Vinhedo - SP; 52° Salão de Artes Plásticas Antonio Rodini - Araras - SP; II Salão de Artes Plásticas Três Lagoas - MS; Galeria de Artes Helena Calil - São José dos Campos - SP; 23° Salão Bunkio de Arte Contemporânea - São Paulo - SP.

Recebeu o 1° Prêmio "Prefeitura Municipal de Araras" no 50° Salão Ararense de Artes Plásticas Antonio Rodini - Contemporâneo (2002) e o 3° lugar no III "Salão de Artes Plásticas de Guarulhos" - SP (2003).

Possui obras no Acervo da Fundação Bienal de Mato Grosso do Sul e na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.