Opinião - Reflexões sobre a chacina no Rio
A terrível tragédia que assistimos no Rio de Janeiro, com o assassinato de 12 crianças e a morte de um psicopata atirador, numa escola municipal, leva-nos a algumas reflexões. É certo que é muito difícil, senão impossível, prever o que um desequilibrado dessa natureza vai aprontar no dia seguinte e até mesmo nos próximos instantes. É complicado também a partir de agora querer transformar os colégios em "escolas de segurança máxima", a exemplo de alguns presídios. Entretanto, a sociedade, as autoridades, podem e devem adotar algumas ações preventivas e, principalmente, educativas.
Outro dia vi no computador e depois fiquei sabendo que estão por aí à vontade, à disposição de todos, um desses jogos feitos em campos de batalha virtuais. A perfeição chegou a tal ponto que, a todo momento, o jogador (ou artilheiro, fuzileiro, carrasco ou assassino) dispara tiros precisos e vemos a vítima agonizar. O sangue jorra para todos os lados e até o cérebro é esparramado na tela. O atirador do Rio, ao que consta dos noticiários, passava horas a fio com a cara no computador abastecendo-se desses jogos violentos. Não quero ser simplista para impor essa situação como fator essencial para a consumação da chacina. Mas esses jogos podem incitar a juventude à violência. Com a palavra os especialistas da mente humana. Por isso, acho que deveria haver mais critério na liberação desses joguinhos violentos. Não se trata de censura à liberdade de expressão, mas de bom senso e de educação.
Também não faz sentido uma das justificativas de que o assassino carioca assim agiu por ter sofrido bullying à época que estudou naquela escola. Tem tanta gente que sofreu com isso, nem por isso saiu matando seus desafetos. É importante ter um monitoramento dos alunos não só dentro da escola como na saída para impedir ou reduzir esse tipo pernicioso de assédio.
E na rede social twitter, no dia 31 de março, portanto, uma semana antes da tragédia, um anônimo postou uma mensagem informando que cometeria uma chacina no colégio em que foi "bullyinado". Coincidência? Acho que não. Por isso as autoridades devem encontrar formas de monitorar esse tipo de mensagem, identificar seus autores e puní-los. Pior é que alguns jornais distribuídos gratuitamente reproduziram essa mensagem. Estarão estimulando a violência?
Agora, o presidente do Senado, José Sarney, está disposto a patrocinar um novo referendo sobre a venda de armas. Entendo ser importante reduzir o comércio de armas. Mas é preciso ir além: a polícia tem que combater o comércio clandestino, fazer mais operações de bloqueio com revistas a veículos e condutores e, mais importante, atacar o contrabando de armas, por meio de nossas fronteiras.
Portanto, essas considerações são importantes para reflexão e tomada de providências para minimizar a violência, sob todos os aspectos. Não posso acreditar, entretanto, que essas propostas irão afastar definitivamente a ocorrência de tragédia semelhante no futuro. Pois, com uma mente perturbada por motivos vários, como já foi dito, é imprevisível seu comportamento. Isso não invalida, porém, pensar, refletir e sair em busca de soluções.
*Vitor Sapienza é deputado estadual (PPS), ex-presidente da Assembleia Legislativa, economista e agente fiscal de rendas aposentado.
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