Museu de Arte: O realismo sincero e escrupuloso de Rebolo reflexo na arte da alegria de viver


10/08/2009 14:01


Possuindo uma notável habilidade de desenhista e apaixonado pela cor, Francisco Rebolo, dominava também uma técnica autêntica e segura. O seu progresso foi sempre constante e crescente até alcançar resultados de um realismo escrupuloso, detalhista e estritamente vinculado ao tema em foco.



Em suas obras é inegável a presença viva e vital de acontecimentos sofridos. Por de trás de luzes veladas, de cores tonais e difundidas, de atmosferas evidentes, existe uma realidade envolvida por um véu de ternura e melancolia que é toda sua, mas onde encontramos a poesia de um sonho artístico de longa data, amadurecido lentamente e que lentamente vai se apagando.



Pintar para Francisco Rebolo foi sempre se colocar em relação com a natureza, um mútuo colóquio de onde obtinha inspiração, para encontrar-se com a finalidade de solucionar e acalmar as atribulações que a vida agitada nele suscitava. Suas cores são diáfanas, as formas elegantes e as linhas quase matemáticas.





Assimilando as cores do país que o acolheu filtrando-os através de sua própria sensível personalidade, transformando-as em poéticas expressões que dão a sensação de respirar uma áulica atmosfera, sua linguagem é sincera e transmite sua alegria de viver.



Em sua obra "Casario", litografia doada pela família Rebolo ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, o artista conseguiu reunir, equilibrando-as, a plasticidade estática e a dinâmica e, sem faltar com o respeito devido ao tema escolhido, conseguiu fazer valer o direito do artista à liberdade.



O Artista



Rebolo, pseudônimo artístico de Francisco Rebolo Gonsales, nasceu e faleceu em São Paulo, (1902-1980). Pintor e gravador iniciou seus estudos artísticos na Escola Profissional Masculina do Brás e trabalhou também como decorador de residências. Em 1926, estuda desenho decorativo e montou seu atelier na Rua São Bento, transferindo-se a seguir para o Palacete Santo Helena. Fez curso de restauração no Vaticano, participando da restauração de uma obra de Rafael em (1956), Itália.



Em 1935, organizou o Grupo Santa Helena com Mario Zanini, Fulvio Pennacchi, Bonadei, Humberto Rosa, Clóvis Graciano, Alfredo Volpi, Cláudio Abramo, entre outros. No ano seguinte participou da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, e em 1937 integrou a Família Artística Paulista.



Realizou sua primeira exposição individual na livraria Brasiliense, em São Paulo (1944). Viajou por Minas Gerais a convite do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, em companhia de outros intelectuais e artistas modernos. Em 1945, trabalhou no grupo que criou o Clube dos Artistas e Amigos da Arte (Clubinho), do qual foi diretor. Participou do movimento para a criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAM.



Em 1955, embarca com a família para Europa com o prêmio viagem ao exterior obtido no 3º Salão Nacional de Arte Moderna. Em 1956 faz curso de restauração no Vaticano, participando da recuperação de uma obra de Rafael. Em 1959, incentivado por Marcelo Grassmann (1925), inicia uma série de experiências como gravadoras. Em 1973, recebe prêmio de pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. É lançado em 1978 o documentário "O Anel Lírico", sobre vida e obra do artista, com direção e produção de Olívio Tavares de Araújo.



Em 1978 o crítico Olívio Tavares de Araújo realizou um documentário sobre sua vida e obra do pintor intitulado "O Anel Lírico". Realizou em vida 27 exposições individuais, participou de 85 exposições coletivas e após sua morte foi homenageado com cerca de 60 exposições póstumas. Possui Obras em diversas coleções particulares no Brasil e no exterior e na maioria dos museus de São Paulo.