Morre ex-deputado Israel Dias Novaes


08/06/2009 19:13

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Faleceu sábado, 6 de junho de 2009, em sua residência, nesta Capital, em decorrência de um enfarto agudo do miorcádio, o ex-Deputado Israel Dias Novaes.

Israel Dias Novaes nasceu na cidade de Avaré, São Paulo, em 30 de abril de 1920, filho de José de Araújo Novaes e Judith Dias Batista.

Transferindo-se para São Paulo, estudou na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais, na turma de 1943. Durante o curso foi diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto e fundador e diretor do jornal "O Libertador", de sua faculdade.

Foi um dos signatários do chamado Manifesto à Nação, lançado em novembro de 1943, contra a ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas.

Durante a gestão de Jânio Quadros, em 1956 foi nomeado chefe de gabinete da Secretaria de Governo do Estado, e respondeu interinamente pelo cargo de Secretário do Governo no ano de 1957. Nesse período criou a Comissão Estadual de Literatura e o Conselho Estadual de Cultura.

Entrou para a política quando concorreu em 3 de outubro de 1958, ao cargo de Deputado Estadual pela União Democrática Nacional - UDN, sendo eleito com 8.434 votos, exercendo seu mandato na 4ª Legislatura (1959-1963).

Nas eleições de 7 de outubro de 1962, foi reeleito como Deputado Estadual, para a 5ª Legislatura (1963-1967), com 12.566 votos, pela UDN.

Fez parte das Comissões Permanentes, no período de 1963/1967, de Serviço Civil; Constituição e Justiça; Educação e Cultura e, na de Redação.

Com o fim do pluripartidarismo em 1965, se filiou a Aliança Renovadora Nacional " ARENA, partido de apoio ao governo federal, exercendo a sua vice-liderança na Assembléia Legislativa.

Por essa legenda partidária foi eleito em 15 de novembro de 1966, a uma cadeira na Câmara dos Deputados, com 38.304 votos. Tendo assumindo sua cadeira como Deputado Federal em fevereiro de 1967.

Apesar de fazer parte do partido situacionista a ARENA, o Deputado Israel Dias Novaes, por ter votado contra o pedido de licença solicitado pelo governo federal para processar o Deputado Marcio Moreira Alves, teve em 17 de janeiro de 1969, com base no Ato Institucional nº 5 (AI-5), seu mandato cassado, mas preservados seus direitos políticos.

Nesse período retornou a sua carreira de jornalista e escritor. No pleito de 15 de novembro de 1974, candidatou-se novamente ao mandato de Deputado Federal, obtendo 67.040 votos, pelo Movimento Democrático Brasileiro " MDB, partido de oposição ao regime militar.

Na Camara Federal (Legislatura de 1975-1979) foi Vice-Líder da bancada do MDB, presidente da Comissão de Cultura, Exerceu a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI do Índio. Foi integrante como membro efetivo da Comissão de Minas e Energia.

Foi reeleito em 15 de novembro de 1978, Deputado Federal pelo MDB, com 54.707 votos. Exerceu seu mandato na Legislatura de 1979-1983, foi vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores. Representou o Brasil como Delegado ao Congresso da UNESCO de Montreal. Integrou como Membro a delegação de parlamentares ao Japão, Romênia, França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Hungria. Ocupou a tribuna da ONU, em Nova Iorque, discorrendo sobre a problemática cafeeira.

Organizou e presidiu a Comissão Parlamentar sobre a censura, a primeira do gênero no País e que obteve intensa repercussão nos meios intelectuais e políticos do País;

Integrante de missões oficiais, na ONU, na Conferência Interparlamentar do Canadá, na Europa Oriental e no Japão;

Eleito pela bancada da Imprensa o "Melhor Deputado Federal de 1978". Foi designado pelo MDB para fazer a saudação em nome da Câmara Federal os reis da Suécia em plenário, pelo que recebeu o colar da ordem da "Estrela Polar da Suécia", e a maquete da Coroa Real.

Novamente eleito a Câmara Federal nas eleições de 15 de novembro de 1982, com 84.897 votos, para a legislatura de 1983-1987. Votou favoravelmente a emenda Dante de Oliveira que previa as eleições diretas para presidente da República, em 25 de abril de 1984.

Tentou em 15 de novembro de 1986, mais uma vez se eleger Deputado Federal para a Constituinte, mas obteve apenas uma suplência. Ao término de seu mandato parlamentar em janeiro de 1987, dedicou-se ao jornalismo e a agropecuária, em suas propriedades em Avaré e Campo Grande no Mato Grosso do Sul. Nesse ano foi eleito presidente da Academia Paulista de Jornalismo.

Como jornalista profissional foi redator, secretário de redação e redator-chefe do "Correio Paulistano". Foi também redator dos jornais "Diário da Noite", "Correio Brasiliense", e o "O Tempo". Colaborou na Revista Brasileira de Poesia, da qual foi editor, no "D.O.Leitura", no "Correio Brasiliense" e na "Revista da Academia de Letras da Faculdade de Direito". Conferencista, ensaísta, e poeta, atuando também como crítico literário e biografo. Recebeu o Prêmio "Fagundes Varella", de Ensaios, sobre o centenário do poeta. Escritor publicou o livro "Papel de Jornal", coleção de ensaios e artigos.

Homem de letras, foi membro por vários anos da Academia Paulista de Letras, presidin -do a entidade no ano de 1999, e integrante das Academias Brasiliense de Letras e Jorda nense de Letras. Exerceu ainda as presidências da Associação dos Cavaleiros de São Paulo, do Instituto Genealógico Brasileiro e a vice-presidência Conselho de Honrarias e Mérito do Estado de São Paulo. Foi orador do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo.

Foi casado em com Da. Marina Villares da Silva Novaes, com quem teve cinco filhos.

O corpo do Deputado Israel Dias Novaes, foi velado na sede da Academia Paulista de Letras, no centro da Capital, e transladado no domingo, dia 7, para o crematório de Vila Alpina.

Na Sessão, desta segunda-feira, dia 8 de junho, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, foi prestada justa homenagem à sua memória.



*Antônio Sérgio Ribeiro é advogado, pesquisador e diretor do Departamento de Documentação e Informação da Assembleia Legislativa.