O FÉRETRO DO MODELO NEOLIBERAL - OPINIÃO
O neoliberalismo morreu. Esta expressão não foi usada por nenhum dinossauro ou neobobo. Foi utilizada por um alto executivo do mercado financeiro numa conversa na qual discutíamos os modelos econômicos. Na oportunidade, ele me confidenciou que nem mesmo organismos internacionais do porte do FMI e do Banco Mundial acreditam neste receituário baseado na desregulamentação de todas as regras sobre o fluxo do capital financeiro e na queda indiscriminada de barreiras comerciais.
Propagandeado como panacéia para promover o desenvolvimento e gerar a decantada "igualdade produzida pelo mercado", o neoliberalismo está morto. Morreu de morte morrida, ao demonstrar a sua incapacidade de fazer a distribuição de renda que apregoava o incremento na produção econômica que anunciava.
Morreu também de morte matada, graças ao discernimento de muitos quanto aos exageros nos ingredientes da receita. Antes de se tornarem vítimas, transformaram a fórmula e corrigiram as insanidades.
O irônico de tudo isso é que a morte morrida se deu nos países mais frágeis, em processo de desenvolvimento.
Já a morte matada teve lugar nos próprios criadores do monstro: nos pólos mais desenvolvidos do planeta, como os Estados Unidos e a União Européia. Estes utilizaram a tática do façam o que eu falo mas não façam o que eu faço. Isso porque, cientes do veneno imposto ao mundo, trataram de preservar seu sistema produtivo, quer seja na área industrial, quer na agrícola. E mais: preservaram o seu patrimônio intelectual, protegendo suas patentes com leis muito rigorosas.
Em contrapartida, propunham quebrar patentes da biodiversidade da Amazônia e não titubearam em estabelecer regras claras para o controle do fluxo de capitais, sempre que alguma instabilidade começava a sobressaltar os grandes mercados internacionais.
Foi assim que muitas vezes o Federal Reserve Bank, por meio de Allan Greenspan, se antecipou aos movimentos financeiros internacionais. Foi assim que buscaram cuidar da moeda japonesa para evitar que isso perturbasse, de alguma forma, o equilíbrio entre o dólar e o euro.
No seu hábitat, os neoliberais trataram de matá-lo, para evitar os seus efeitos nefastos sobre a economia e a população.
Já nas nossas bandas ele está morrendo de morte morrida. Exauriu-se quando, por exemplo, após sugar o parque produtivo argentino, o liquidou, além de não mexer uma palha para que o processo de concessões e privatizações conseguisse realizar a anunciada modernização do sistema produtivo daquele país. Agora solicita medidas de emergência, outorgando ao Estado (olha ele aí de novo!) um papel indutor de desenvolvimento.
Ainda assim há os mais realistas que o rei. Isso ocorre aqui no Brasil com aqueles que buscam o equilíbrio fiscal, independente de qualquer vinculação com o desenvolvimento. São os mesmos que continuam com a política suicida de aumento da taxa de juros, como único instrumento de contenção da expansão monetária e da inflação. Pensam proteger o Brasil mas estão a aumentar a vulnerabilidade externa do país, aumentando a possibilidade de contágio e possibilitando que qualquer vírus de gripe que circule pelo sistema financeiro internacional possa se transformar numa perigosa pneumonia aqui.
Por isso é que temos preconizado que não basta simplesmente mudar um ou outro aspecto do sistema. É preciso, preservando o compromisso com a estabilidade econômica, promover uma alteração profunda do modelo econômico que aí está.
É isso que tem defendido Ciro Gomes e o PPS. Trata-se de uma necessidade inadiável para todos os setores da sociedade brasileira.
*Arnaldo Jardim, engenheiro civil, 46 anos, é deputado estadual e presidente estadual do PPS, além de relator geral do Fórum SP Séc. XXI
Notícias mais lidas
- Alesp aprova aumento de 10% para policiais militares, civis e técnico-científicos
- Dezembro Vermelho: pesquisas de cura do HIV avançam em universidade pública paulista
- Alesp aprova e motos de até 180 cilindradas não pagam mais IPVA em SP
- Quadro de Apoio Escolar pede aprovação de piso nacional no Senado
- Obras avançam na Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), entre Paulínia e Campinas, com apoio de deputado
- Deputado pede a Estado proteção a perito que relatou pressão na investigação do caso Vitória
- Com foco na progressão funcional, Alesp aprova reestruturação das carreiras da Polícia Militar
- Servidores cobram aplicação imediata do 'Descongela Já'
- Orçamento 2027: Alesp desembarca no litoral paulista para audiências em Peruíbe e Cananéia
Lista de Deputados
Mesa Diretora
Líderes
Relação de Presidentes
Parlamentares desde 1947
Frentes Parlamentares
Prestação de Contas
Presença em Plenário
Código de Ética
Corregedoria Parlamentar
Perda de Mandato
Veículos do Gabinete
O Trabalho do Deputado
Pesquisa de Proposições
Sobre o Processo Legislativo
Regimento Interno
Questões de Ordem
Processos
Sessões Plenárias
Votações no Plenário
Ordem do Dia
Pauta
Consolidação de Leis
Notificação de Tramitação
Comissões Permanentes
CPIs
Relatórios Anuais
Pesquisa nas Atas das Comissões
O que é uma Comissão
Prêmio Beth Lobo
Prêmio Inezita Barroso
Prêmio Santo Dias
Legislação Estadual
Orçamento
Atos e Decisões
Constituições
Regimento Interno
Coletâneas de Leis
Constituinte Estadual 1988-89
Legislação Eleitoral
Notificação de Alterações