São Paulo 450 anos - OS FUNDADORES


28/01/2004 18:49


Antônio Sérgio Ribeiro

Desde a vinda de Pedro Álvares Cabral, a Coroa Portuguesa se preocupou em colonizar o Brasil, mas somente 30 anos depois teve início efetivamente a conquista territorial, com a implantação das capitanias hereditárias. A partir de 1549, quando é determinada a vinda de um governador geral, diretamente subordinado ao rei de Portugal, finalmente o Brasil começa a ser povoado de modo mais sistemático. E assim vieram os primeiros jesuítas, chefiados pelo Padre Manoel de Nóbrega, como missionários para catequizar os indígenas e trazer a palavra da Igreja para os portugueses residentes na colônia. Em homenagem aos 450 anos de fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, que marcou o início da grande metrópole de São Paulo, apresentamos a biografia dos participantes desse fato histórico.



Diogo Jácome

Nascido em Portugal e falecido em 10-4-1565, no Espírito Santo.

Irmão leigo e depois padre jesuíta, Diogo Jácome entrou para a Companhia de Jesus em 12-11-1548, sendo coadjutor espiritual quando veio para o Brasil com o padre Manoel de Nóbrega em 1549, na comitiva do governador-geral Tomé de Souza, em companhia de mais quatro religiosos. Estudante, aprendeu a língua tupi. Ainda nesse ano é enviado para Ilhéus e Porto Seguro, com o padre Leonardo Nunes, sendo o seu primeiro companheiro na catequese dos indígenas. Veio para São Vicente, subindo com este a serra. Participou, em 25-1-1554, da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga. Aprendeu a arte de torneiro, tornou-se mestre. Fazia coroas e rosários de madeira, com o auxilio de um torno de pé, por ele mesmo fabricado. Introduziu o serviço de obras manuais entre os companheiros religiosos e entre os habitantes onde servia; era também pedreiro e sapateiro.

Acompanhou o padre Leonardo Nunes em viagem missionária para Ilhéus e Porto Seguro, retornando a capitania de São Vicente em 1557. Foi ordenado padre na Bahia em 1562. No ano seguinte, residiu em Ilhéus. No ano de 1564, acompanhou o padre Manoel de Paiva, nomeado Superior dos Jesuítas no Espírito Santo, sendo designado substituto do padre Fabiano de Lucena, que se encontrava enfermo, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de Serra, incumbindo-se também de visitar as aldeias, próximas, inclusive a Aldeia Velha (Santa Cruz), assumindo o trabalho de catequese e evangelização. Nesse mesmo ano surge uma epidemia de varíola (então chamada de doença das bexigas), que quase devastou a Capitania; exerceu as funções de sangrador, cirurgião, médico, pároco e de coveiro.

Com o padre Pedro Gonçalves (este faleceria em novembro de 1564), cuidou das vítimas, e por segurança transferiram a aldeia de local. Consumido pelo exaustivo trabalho, faleceu na Casa Colegial do Espírito Santo, vítima de impaludismo.

Escreveu: Carta do Brasil em 1551, em que trata dos costumes dos Índios, e trabalhos que os Padres da Companhia padecem na sua conversão; o manuscrito foi dado à casa da professa de São Roque; uma versão italiana desta Carta foi publicada em Veneza, no ano de 1559.