São Paulo 450 anos - OS FUNDADORES


06/02/2004 18:21

Compartilhar:


Antônio Sérgio Ribeiro

Desde a vinda de Pedro Álvares Cabral, a Coroa Portuguesa se preocupou em colonizar o Brasil, mas somente 30 anos depois teve início efetivamente a conquista territorial, com a implantação das capitanias hereditárias. A partir de 1549, quando é determinada a vinda de um governador geral, diretamente subordinado ao rei de Portugal, finalmente o Brasil começa a ser povoado de modo mais sistemático. E assim vieram os primeiros jesuítas, chefiados pelo Padre Manoel de Nóbrega, como missionários para catequizar os indígenas e trazer a palavra da Igreja para os portugueses residentes na colônia. Em homenagem aos 450 anos de fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, que marcou o início da grande metrópole de São Paulo, apresentamos a biografia dos participantes desse fato histórico.

Leonardo Nunes

Nascido em São Vicente de Beira - Portugal. Faleceu em 30-6-1554, na costa brasileira.

Padre Jesuíta. Entrou para Companhia de Jesus no Colégio de Coimbra em 1/11/1548 e veio para o Brasil com o Padre Manoel de Nóbrega, em 1549, na comitiva do governador-geral Tomé de Souza. Logo após a chegada a Salvador, foi em companhia do irmão Diogo Jácome para Ilhéus e Porto Seguro, onde ensinavam os meninos a ler e a escrever. Logo depois foi encarregado de uma missão especial na capitania de São Vicente, onde não havia nenhum missionário e, nas palavras do padre Manoel de Nóbrega, "os portugueses que lá viviam eram piores que os índios, completamente entregues a devassidão e a todos os vícios e exercendo sobre os pobres indígenas uma crueldade revoltante e fazendo-os escravos."

Seguiu com doze meninos - juntamente com o Padre Afonso Braz e o Irmão Diogo Jácome - e a maioria dos portugueses aceitaram os seus conselhos. Mas, vendo os interesses atacados, outros começaram a maldizer a interferência do religioso, que segundo eles se devia ocupar só das almas. Procurou persuadi-los, mas em vão. A sua palavra era, porém, bem recebida pelos índios, entre os quais gozava de grande prestígio. Foi de grande utilidade o conhecimento da língua dos nativos. Tendo os índios tamoios, em guerra com os portugueses, aprisionado algumas mulheres lusitanas, reservavam-lhes tristíssima e dolorosa sorte. E, sabendo do fato, partiu para resgatar as pobres vítimas sem outra arma que não fosse a sua palavra, e a vitória foi completa.

Outra feita foi a sua visita aos índios dos Patos, a cem léguas de distância e, só pelo prestígio da sua palavra conseguiu a liberdade para algumas famílias de fidalgos castelhanos que se dirigiam ao Rio da Prata.

Na capitania de São Vicente conseguiu que os moradores lhe confiassem seus filhos, com estes e com muitos órfãos portugueses fundou o Colégio de São Vicente, onde os missionários lhes ensinavam a língua portuguesa e o latim, ao mesmo tempo em que os instruíram na doutrina cristã. Antes de qualquer outro, deu aos índios as primeiras noções da religião cristã, catequizando-os e edificando, com o auxílio de colonos portugueses, a igreja do seminário.

Recebeu como irmãos leigos vários europeus e mestiços, dentre os quais Mateus Nogueira do Espírito Santo, Pero Correia, Manuel de Chaves, Leonardo do Valle e Gaspar Lourenço. Da capela onde ia dizer missa intimou João Ramalho a retirar-se, por julgá-lo excomungado, por ser casado em Portugal e viver maritalmente no Brasil com uma índia. Pouco tempo depois, andando pelo campo, aconselhou o mesmo a fundar Santo André da Borda do Campo, antecedendo a Manoel de Nóbrega no conhecimento dos campos (planalto de São Paulo) de Piratininga. Era chamado, pelos indígenas, o "Abarebebê" - padre voador, em virtude da excepcional velocidade com que se locomovia.

Foi quem, por determinação de Nóbrega, viajou à Bahia para trazer José de Anchieta e os outros jesuítas à São Vicente. Ficou como responsável pela Casa de São Vicente, não participando da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga, em 1554, mas foi o grande desbravador da região onde hoje está a Capital paulista.

O Padre Leonardo Nunes faleceu vítima de um naufrágio, em 30/6/1554, quando, em viagem à Europa, pedido do Padre Manoel de Nóbrega, iria relatar ao Rei D. João III e a Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, os progressos obtidos a favor da doutrina cristã no Brasil.

Em 1551, de São Vicente, deixou duas cartas escritas dirigidas aos padres da província em Portugal, uma das quais se imprimiu em Veneza, em 1559, juntamente com outras, traduzidas em língua italiana. A outra teria ficado inédita.

alesp