Turismo, história e cultura na região de Registro


20/09/2002 19:25

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DA REDAÇÃO

DIMAR SILVA DE DEUS

Integrando o conjunto de matérias que têm como objetivo mostrar um pouco da diversidade turística do Estado de São Paulo, nosso foco centra-se, hoje, na Região Administrativa de Registro, composta por 14 municípios, localizados no Vale do Ribeira. Quatro dos mais de 60 municípios do Estado de São Paulo considerados estâncias pertencem a esta região. As estâncias balneárias de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida, e a estância turística de Eldorado.

A região foi, no passado, um dos maiores produtores de arroz e cana-de-açúcar do país. Hoje promete tornar-se tão rica quanto antes através do ecoturismo, principalmente devido ao Pólo Ecoturístico do Lagamar (Leia boxe), composto pelas ilhas Comprida, do Cardoso e do Bom Abrigo, além de Cananéia, Iguape e Pariquera-Açu. Os visitantes são atraídos pelas paisagens, o vasto patrimônio histórico, cultural e religioso, uma vez que na região já se aventuraram navegadores espanhóis por volta do ano de 1500.

Além disso, sítios arqueológicos formados por sambaquis (conchas e ossadas deixadas por tribos selvagens) demarcam a ocupação no local em tempos anteriores à chegada dos descobridores no país (Leia boxe sobre a História da Região de Registro). Na baía de Trepandé os turistas podem apreciar cenas de rara beleza como o harmonioso balé dos golfinhos e a revoada de inúmeros pássaros que vêm acompanhar as embarcações. Barcos que se encontram nos portos de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida fazem o transporte a esta pequena ilha e outros pontos da região. O roteiro é feito através do Mar Pequeno, de onde saem as melhores ostras consumidas nos restaurantes do interior e da capital de São Paulo.

(Boxe1:

Lagamar

O Lagamar no sul do Estado de São Paulo e leste do Paraná, uma vasta região, conhecida como Vale do Ribeira, abriga a maior área contínua de Mata Atlântica ainda existente. É a mais importante reserva de água doce dos dois Estados e um dos mais conservados bancos genéticos do país. Numerosas ilhas de aspecto variado completam a paisagem dessa região complexa que se estende de Iguape, em São Paulo a Paranaguá, no Paraná, conhecida como Lagamar. Entre rios, cachoeiras, praias, restingas, mangues e florestas que recobrem montanhas, os habitantes tradicionais convivem com uma das maiores taxas de biodiversidade do planeta. Toda essa beleza atrai visitantes de grandes centros urbanos, do país e do exterior, dispostos a despender recursos para ter o privilégio de usufruir ambientes naturais ainda bastante preservados.)

A sede da região

Registro, sede da região administrativa, está distante 187 quilômetros da capital, a meio-caminho de Curitiba, e suas principais vias de acesso são as rodovias Régis Bittencourt (BR-116) e Padre Manoel da Nóbrega. Com uma área de 742 quilômetros quadrados, dos quais apenas 78,54 são urbanos, e uma população de 49.200 habitantes (censo do IBGE/96). Sua população tem uma forte influência da imigração japonesa, devido a sua própria história.

Localizado a 20 metros acima do nível do mar, seu clima é quente e úmido, com temperatura máxima de 30ºC e mínima de 13ºC, com uma temperatura média anual 24ºC.

A base da economia do município de Registro sempre foi a agricultura, e desde a implantação da colônia japonesa cultivou-se de tudo: arroz, café, cana-de-açúcar, amoreira para criação do bicho-da-seda, mandioca, frutas e legumes. Atualmente, as atividades que sustentam a economia do município são plantas ornamentais, banana, chá preto e objetos de junco, dentre eles esteiras, sacolas e chinelos que podem ser comprados em lojas do centro e em postos da BR-116.

As estâncias da região

Iguape, uma das estâncias da região de Registro, ocupa dois terços da Reserva Ecológica de Juréia-Itatins, estendendo-se até o celeiro marinho do Mar Pequeno, integrando a região do Lagamar. Ygape, em tupi-guarani, significa água redonda, traduzindo uma característica geográfica da região, com muitas baías, enseadas e lagos.

Praias, rios, cachoeiras, mangues, morros, trilhas ecológicas e sítios arqueológicos (sambaquis) atraem e encantam os adeptos do turismo verde e histórico. No centro histórico da cidade, o visitante pode contemplar um belíssimo conjunto arquitetônico do período colonial. A tradição cultural de Iguape é marcada por manifestações folclóricas e religiosas, representadas pela Marujada, a Folia de Reis e o Fandango, e a Festa de Bom Jesus do Iguape, que acontece anualmente de 25 de julho a 6 de agosto. No artesanato destacam-se as panelas pretas, trabalhos em junco e sisal, cestaria em taquara, cipó, timbopeva e imbê, e objetos em madeira talhada, todos de forte influência indígena, negra e européia.



O que fazer

As trilhas são uma boa opção para quem visita Iguape. Dentre as principais, estão a trilha Outeiro do Bacharel, morro coberto por vegetação rasteira de gramíneas. Andando um quilômetro, chega-se ao pico com farol que sinalizava a entrada das embarcações no Mar Pequeno, a vista para a Barra do Icapara, o encontro do rio Ribeira de Iguape com o mar, o Maciço da Juréia, restinga, manguezal e mata atlântica. A trilha ecológica Morro do Espia, com 2,8 quilômetros, onde se vêem vários ecossistemas da mata atlântica, a fonte da Porcina, a Pedra Lisa, o rio Ribeira do Iguape, o estuário Lagunar do Mar Pequeno, Ilha Comprida, área urbana de Iguape e parte da área rural.

Maior acervo

O centro histórico de Iguape é uma visão à parte, constituindo-se o maior acervo de construções tombadas pelo Condephaat em São Paulo, sendo considerado um dos mais uniformes conjuntos coloniais brasileiros, com ruas estreitas, monumentos, igrejas e casarões avarandados, ricos em detalhes, construídos com pedra, conchas marinhas, óleo de baleia e melado. É possível encontrar monitores para roteiros de 2 horas pelo Centro Histórico.

Casa de Fundição de Ouro do Brasil: primeira casa de fundição de ouro do Brasil, construída em 1635. No mesmo prédio, o Museu Histórico e Arqueológico expõe, entre outras peças, amostras de objetos encontrados nos sambaquis.

Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape: em estilo barroco, foi erguida por escravos entre os séculos XVIII e XIX. No seu acervo de imagens, estão as imagens de Nossa Senhora das Neves, padroeira da cidade, e a do Senhor Bom Jesus do Iguape, encontrada em 1647.

Vale ainda a pena visitar, em Iguape, o Museu de Arte Sacra (Igreja de Nossa Senhora do Rosário), a Igreja de São Benedito e a Vila do Prelado.

Cananéia

Cananéia ocupa a parte oriental da ilha do mesmo nome, situada entre canais oceânicos - o Mar de Cubatão e o Canal de Cananéia - onde forma uma bela baía, freqüentemente visitada por golfinhos. Apesar das ilhas, rios, cachoeiras, fauna e flora riquíssimas, Cananéia não possui praias na área urbana.

Distante da cidade de São Paulo cerca de 270 quilômetros, a cidade abriga, em seu centro histórico, uma importante arquitetura colonial - com algumas construções já descaracterizadas - ruas, casas e becos do final do século XVIII.

O Museu Municipal tem uma exposição permanente de artefatos de pesca, um tubarão de 7 metros embalsamado, fotografias, documentos antigos, além de outros objetos que registram a história da cidade.

Ecoturismo na ilha

Trilha do Morro de São João: partindo de trilha próxima à praça central da cidade, atravessa a mata atlântica e leva a um mirante com vista panorâmica da Ilha Comprida, Ilha do Bom Abrigo, Ilha do Cardoso, Serra do Cadeado e do Morro do Gigante.

Do Píer Municipal partem barcos e escunas para passeios ecológicos pela Baía de Trapandé, Praia do Pereirinha, Ilha Comprida, Ilha do Cardoso e Ilha do Bom Abrigo. A Dersa também transporta turistas até a Ilha do Cardoso, durante a semana.

(Boxe5:

Localizado no município de Cananéia, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso foi criado em 1962 e possui 22.500 hectares. Faz parte da região estuarino-lagunar de Iguape/Cananéia/Paranaguá, localizada na divisa dos Estados de São Paulo e Paraná, estendendo-se por 200 quilômetros de litoral desde a Estação Ecológica Juréia-Itatins, em Peruíbe e Iguape, até Paranaguá. Trata-se de um ecossistema bastante complexo, abrangendo um conjunto de lagunas, baías, braços de mar, estuários, barras, restingas, mangues, ilhas e morros isolados, considerado como um dos maiores criadouros de espécies marinhas do mundo. Até Cananéia chega-se por rodovia e, depois, todo o transporte é feito em barco ou a pé. Partindo de Cananéia, a viagem de barco dura cerca de 3 horas, com visões inesquecíveis, como os golfinhos que acompanham a embarcação pela baía de Trapandé e depois pelo canal de Ararapira, com a Ilha do Cardoso de um lado e a costa de outro, tendo a serra do Mar como pano de fundo. A hospedagem é feita em casas de caiçaras da Vila de Marujá, que fica sendo o ponto de partida para os passeios em traineira pelo mangue, passeio de barco pelo canal de Ararapira até o extremo sul da ilha (Barra do Ararapira), passeio de barco até a antiga Vila de Ararapira (Ilha de Superagui) e Ariri (continente do Estado de São Paulo), caminhada por toda a praia da Laje até as piscinas formadas por um rio no interior da praia e caminhada na trilha da Cachoeira Grande.

Ilha Comprida

Pela sua importância ambiental, a Unesco incluiu Ilha Comprida na reserva da biosfera do planeta. Seus 74 quilômetros de extensão, com largura média de 3 quilômetros, abraçam praias, mangues, restinga, banhados, sítios arqueológicos, dunas, espécies raras de aves e áreas remanescentes de mata Atlântica, integrando-se ainda a um complexo de estuários, lagunas e mares interiores de águas salobras, conhecido como Complexo Lagunar-Estuarino de Iguape, Cananéia e Paranaguá, um dos maiores viveiros de espécies de peixes e crustáceos do Atlântico Sul. A totalidade do território de Ilha Comprida está em área de proteção ambiental, assegurando sua preservação e de toda a região. Dezenas de espécies de aves marinhas migratórias já foram catalogadas em suas praias, dados que colocam o município entre as quatro áreas de maior diversidade desses visitantes na América do Sul, incluindo focas, tartarugas marinhas e aves raras. O papagaio-de-cara-roxa, espécie endêmica da região ameaçada de extinção, é a ave símbolo do município que desenvolve ações para preservá-la. Ali se encontram também vários sambaquis, que são verdadeiras relíquias arqueológicas.

Como opções de lazer, o município oferece passeios de barco, prática de surfe e trilhas em direção a sítios arqueológicos, matas, mangues e dunas, lagoas e grutas. O acesso à zona urbana, norte de Ilha Comprida, é feito pela ponte Laécio Ribeiro, que liga Ilha Comprida a Iguape. A ponta sul (praia do Boqueirão do Sul), não urbanizada, tem acesso por balsa, a partir de Cananéia.

O que fazer

Trilhas que levam a grutas e matas, aos rios que cortam a ilha, às praias desertas e outras relíquias naturais, como sítios arqueológicos. Trilha Juruvaúva-Pedrinhas; trilha Pedrinhas-Ubatuba e trilha Trincheiras.

Dunas: as dunas de Ilha Comprida são as últimas intocadas de São Paulo e podem ser conhecidas através de trilhas (3 quilômetros) e passeios nas matas e à beira-mar.

A gruta Morretinho, na área mais alta do município, tem formações rochosas no meio da mata fechada, bromélias, árvores centenárias, pássaros e vegetação típica do litoral.

Rios e lagoas: Ilha Comprida é cortada por vários rios, excelentes opções de passeio. O rio Candapuí atravessa a ilha em cerca de 5 quilômetros. As principais lagoas são Coca-Cola, com água escura rica em iodo, localizada no balneário Canadá, 5 quilômetros ao sul; Atlântico, 2 quilômetros ao sul; City Mar, 10 quilômetros ao sul; Januário, 9 quilômetros ao sul e Adriana, 3 quilômetros ao norte.

Eldorado

Eldorado fica a 242 quilômetros de São Paulo e a 210 quilômetros de Curitiba. A BR-116 e a SP-193 dão acesso ao município. Dentre as estâncias da região de Registro, Eldorado é a única classificada como estância turística desde 1995, quando seu potencial turístico foi reconhecido devido à riqueza de sua flora, fauna, águas e cavernas.

O município é o quarto maior do Estado em extensão, com aproximadamente 171.200 hectares, sendo 30% desse território ocupado por unidades de conservação como o Parque Estadual Intervales e o Parque Estadual de Jacupiranga, que são áreas destinadas à preservação da floresta Atlântica, um dos últimos remanescentes do Brasil, declarada pela Unesco Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial, em fevereiro de 1993.

A Estância Turística de Eldorado possui aproximadamente 15 mil habitantes, com a metade vivendo na zona rural. Essa população é formada por uma miscigenação de europeus, principalmente portugueses e espanhóis, e também por índios e negros. Ainda existem muitos descendentes de escravos africanos que vivem em quilombolas, que preservam sua rica cultura até os dias de hoje. As principais comunidades são Ivaporunduva, São Pedro, Pedro Cubas, André Lopes, Sapatu, Nhunguara.

Cavernas e trilhas

Eldorado guarda lugares de incomparável beleza e propícios a esportes de aventura. A Trilha do Bugio, no Parque Estadual de Jacupiranga, tem aproximadamente 5 quilômetros, onde a fauna e a flora da Mata Atlântica se tornam bastante presentes. Após alguns minutos de caminhada se observa a cachoeira do Araçá. Nesta trilha está a caverna do Frias, com seu teto baixo e bastante interessante, podendo também se fazer a travessia das cavernas Rolado III e II, com seus túneis escavados pela água em processo de milhões de anos, e Rolado I, além de uma recém-descoberta caverna, ainda sem nome. Existe a opção de entrar na caverna Rolado III via rapel. O passeio continua passando por vários riachos e encerra-se na entrada da caverna do Diabo.

O Vale das Ostras oferece duas opções de trilha, uma delas acompanhando o leito do rio das Ostras. Pode-se realizar o cascading nas cachoeiras do Palmito, com 8 metros, e do Funil, com 20 metros. Outra investida é o passeio na queda do Meu Deus, com mais de 50 m de queda.

Outra opção é a descida, praticando o canyoning até o Ribeira de Iguape, passando por inúmeras cachoeiras e piscinas.

Um roteiro bastante conhecido pela população de Eldorado é a trilha do Mirante do Cruzeiro, um pico com mais de 500 metros, de onde se tem uma visão de 360 graus do vale do rio Ribeira. Em seu topo fica uma cruz de 4 metros que dá o nome ao mirante. A vista lá de cima é impressionante, de Cajati a Juréia, passando por Ilha Comprida. Pouco abaixo do Mirante fica o paredão onde se realiza o rapel.



História do Vale do Ribeira

Quando as embarcações portuguesas chegaram pela primeira vez ao local onde hoje se encontram Cananéia e Iguape, encontraram ali aldeias que chegavam a ter milhares habitantes. Esses povos eram muito organizados e já tinham conquistado quase a totalidade das terras baixas da região. De língua tupi, conhecidos como Carijós, Tamoios, Tupinambás, entre outros, foram os últimos habitantes das terras do Vale do Ribeira antes da chegada dos colonizadores, exploradores e piratas europeus.

Estes foram os últimos habitantes do Vale antes dos europeus, mas não os primeiros, pois a arqueologia indica a presença humana na região há mais de 10.000 anos ao longo de seus vales, ilhas, serras e da região estuarino-lagunar. Estudos realizados recentemente comprovam que a ocupação dessa região aconteceu em vários momentos.

Pelo Tratado de Tordesilhas, estabelecido em 1494, entre Portugal e Espanha, o atual Vale fazia parte das áreas de domínio espanhol, assim como a porção oeste do Estado de São Paulo, mais a totalidade do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e sul do Mato Grosso. Mas, a partir da chegada da expedição de Martim Afonso de Souza, em 1531, para ocupar a Capitania de São Vicente, as intenções de expansionismo português ficaram claras. Então, consolidando estrategicamente a ocupação portuguesa daquele território, é fundado o povoado de Cananéia e, em seguida, o de Iguape.

Estimulados pela idéia de que aquela região era rica em metais preciosos, os portugueses, juntamente com os espanhóis que ali aportaram, lançaram-se em expedições à procura de ouro ao longo do rio Ribeira de Iguape, que passou a ser o principal personagem da ocupação colonial do Vale. Enquanto crescia o interesse pelo interior, as cidades de Iguape e Cananéia, no litoral, ganhavam notoriedade como passagem obrigatória para quem queria ir ao Rio de Janeiro.

No século XIX, o Vale encontra uma saída viável para tirar proveito de suas terras. O cultivo de arroz aparece com grande potencial e garante a integração da região à economia mercantil da época. As áreas dos mangues, charques e várzeas são propícias a essa cultura e o Vale chega a concentrar mais de 80% dos engenhos de arroz existentes na Província de São Paulo.

Em 1912, o governo paulista fez um acordo com a Cia. Imperial de Imigração, do Japão, fazendo o assentamento dos imigrantes japoneses na região. Os principais assentamentos aconteceram primeiro em Jiporuva, estendendo-se para Iguape, Registro e Sete Barras. No começo foram testadas várias culturas, mas a banana e o chá preto foram as que mais se adaptaram às condições da região.

O chá aparece como substituto do arroz ao longo da década de 30. Na época da Segunda Guerra ganha força, graças ao abalo da produção de centros tradicionais como o Ásia e o Oriente. Superando crises sucessivas, essa produção hoje está estabilizada e controlada por poderosos capitais multinacionais, que a mantém competitiva.

Hoje o Vale é cortado pela BR-116, Rodovia Régis Bittencourt, que neste trecho liga São Paulo a Curitiba. A sua construção facilitou a instalação de indústrias de extração de minérios como calcário e fluorita. Por volta dos anos 40, essa rodovia deu também um forte impulso à produção de banana, que até hoje representa o principal meio de sustento dos pequenos produtores. Interesses econômicos associados à implantação dessa rodovia levam ainda o Vale a algum desenvolvimento na década de 70, com a especulação imobiliária.) O Vale do Ribeira é uma das regiões do Estado de São Paulo que mais enfrentam dificuldades financeiras apesar de possuir um dos principais trechos da mata Atlântica. Porém a beleza do litoral e das ilhas selvagens deve contribuir com um provável desenvolvimento econômico da região. A região de Lagamar (boxe) é usada para a reprodução de centenas de espécies de peixes e crustáceos. Sendo considerado o mais importante berçário do Atlântico Sul.

História de Registro. Na época da colonização brasileira, explorava-se ouro no Alto Ribeira, que era transportado pelo rio Ribeira até o porto de Iguape. Um pequeno povoado às margens do rio Ribeira de Iguape era passagem obrigatória das embarcações, pois era exatamente ali, no porto de Registro, que um agente de Portugal registrava toda a mercadoria transportada para cobrar o dízimo em ouro destinado à Coroa Portuguesa. Daí a origem do nome de Registro.)

Ainda como povoado pertencente a Iguape, Registro começou a crescer no início do século XX, quando, em 8 de março de 1912, foi firmado o primeiro convênio de colonização e imigração japonesa entre o governo do Estado de São Paulo e o sindicato de Tóquio. Por esse convênio, o Estado de São Paulo doava 50 mil hectares de terras ao sindicato de Tóquio, onde deveriam ser introduzidas duas mil famílias de origem japonesa para o cultivo agrícola.

Em 1913 foi criada em Tóquio a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK), Companhia Ultramarina de Desenvolvimento, com a missão de apoiar os japoneses que partiam para o Vale do Ribeira. A KKKK foi autorizada a funcionar no Brasil em 1918. Quatro anos depois, inaugurava suas instalações em Registro: um bloco de quatro armazéns, com mais de dois mil metros quadrados de área, construído à margem do rio Ribeira, no estilo arquitetônico da primeira década do século XX.)

História de Iguape. A história de Iguape muito se confunde com a história do Brasil, já que não existem dados suficientes para afirmar quem fundou a Vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape.

Segundo levantamento realizado recentemente, o povoado teve início em Icapara, onde originalmente nasceu Iguape, com a chegada de um português desterrado que chegou ao local nos primeiros anos depois do descobrimento, tendo sido o fundador do local, auxiliado por índios das redondezas e por outros desterrados.

Os dados históricos garantem também a presença de espanhóis na região. Mas ao contrário do que se pensava anteriormente, não há registros oficiais de que os espanhóis tenham estado em Iguape no ano de 1498, nem mesmo que o município tenha sido fundado pelos castelhanos e sim, após 1500, por portugueses desterrados.

Mesmo assim, há dados que registram a presença do castelhano Ruy Garcia de Moschera, juntamente com um bando de fugitivos, possivelmente foragidos do Rio da Prata. Os castelhanos chegaram a Iguape e aliaram-se ao português Cosme Fernandes e juntos ajudaram a manter o povoado, que constantemente era perseguido por naus piratas e corsárias.)



(Fazer quadro/ tabela)

Municípios da Região Administrativa de Registro

Barra do Turvo

Cajati

Cananéia (E)

Eldorado(E)

Iguape(E)

Ilha Comprida(E)

Itariri

Jacupiranga

Juquiá

Miracatu

Pariquera-Açu

Pedro de Toledo

Registro

Sete Barras

* (E) Estâncias