Entre geometria e "optical art", a exigência construtiva da paisagem de Aldir Mendes

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
09/11/2005 16:05

Aldir, pseudônimo artístico de Aldir Mendes de Souza<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Aldir Mendes.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>  "Evolução da cor nº 9"<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Aldir Mendes obra.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

A obra de Aldir Mendes enquadra-se tanto na geometria quanto no gênero da "optical art" e possui, em comum com outros autores dessa mesma orientação, muitos elementos, motivos, problemas, exigências e aspirações. Assim para caracteriza-lo de modo especifico, mais acentuada porém, é a sua riqueza de produção, a busca de módulos sempre diversificados, módulos explorados durante anos em todas as variações possíveis, até a exaustão.

Sua obra é caracterizada por um sentido da cor dificilmente encontrado em pintores do gênero. Sentido da cor e da luz, com uma oscilação entre uma sensibilidade cromática instintiva, espontânea e uma consciência da problemática da visão do ponto de vista técnico, quase científico.

O que caracteriza a obra de Aldir Mendes é a tentativa, a vontade, a necessidade de intervir ativamente para alterar modificar e deformar os espaços. A superfície de seus quadros se torna muitas vezes o campo de múltiplas e instáveis tensões, onde formas e cores justapostas estabelecem oposições e harmonias.

O artista que sempre se preocupou pela forma, estrutura, configuração e o aspecto global de sua obra, aproxima-o portanto à "Gestalt", uma doutrina científica que se desenvolveu em Berlim, a partir de 1910, enfocando principalmente os problemas da percepção.

Independentemente de toda valutação estética e de todo juízo comparativo existe o fato que a "optical art" - e Aldir Mendes em particular - não se limita a instrumentalizar o que constrói. Nele encontramos, especificamente, uma autêntica exigência construtiva não no sentido de uma reprodução da realidade. Precisamente esse tipo de impostação artística coloca o pintor em contato com a pesquisa tecnológica sobre a visão e o transforma num ilustrador " no melhor sentido " da psicologia da percepção visiva.

Em "Evolução da cor nº 9", obra doada ao acervo do Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, Aldir Mendes reivindica um rigor objetivo no próprio exercício da imaginação e a mensagem de sua racionalidade consiste na caracterização visualmente lógica de espaços para viver e onde se integrar.

O Artista

Aldir, pseudônimo artístico de Aldir Mendes de Souza, nasceu em São Paulo, em 1941. Autodidata, desenvolveu pesquisa em vários setores da arte contemporânea, principalmente no campo da pintura. A partir de 1969 elegeu o cafeeiro como símbolo da natureza. A seriação da figura levou-o à perspectiva, e sua síntese formal à geometrização. Na década de 70, desenvolveu extensa obra referenciada ao campo e à cidade. Em 1979 realizou uma exposição baseada na arquitetura de prédios, explorando o formato retangular das janelas. No ano seguinte, desenvolveu uma série de pinturas abstratas geométricas a partir da figura do retângulo.

Realizou as seguintes exposições individuais: Galeria do Teatro Arena, SP (1965); Galeria Artécnica, SP (1966); Chelsea Galeria de Arte, SP (1970); Galeria do IBEU, RJ; Fundação de Arte, São Caetano do Sul (1971); Galeria do IBEU, Santos (1972); Galeria Ipanema, SP (1973); Galeria Seta, SP (1975); Maison de France, RJ (1976); Galeria de Arte Global, SP (1978); Museu de Arte do Paraná, Curitiba (1979); Galeria Oscar Seraphico, Brasília; Galeria Sergio Milliet, Funarte, RJ; Galeria Projecta, SP (1980); Galeria Paulo Prado, SP (1981); Galeria de Arte Aplicada, SP (1982); Museu de Arte Brasileira, Faap, SP (1983 e 1994); "Cidade x Campo", Belo Horizonte, Marília; Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Curitiba (1983); Museu de Arte Contemporânea, Campinas (1984); Galeria Alberto Bonfiglioli, São Paulo (1985); Museu Nacional de Belas Artes, RJ (1986, 1991 e 1995); Galeria Bonino, RJ; Dan Galeria, SP; Steiner Galeria de Arte, SP (1987); Galeria Montessanti, SP e RJ (1988 e 1990); Museu de Arte Contemporânea, SP (1990); Paço das Artes, 30 Anos de Pintura, SP (1992); Espaço Cultural do Campus da Universidade de São Paulo (1993); Pinacoteca Benedito Calixto, Santos (1996); Renato Magalhães Gouveia, Escritório de Arte, SP (1998); Pinacoteca do Estado de São Paulo (2001); MASP Centro e Galeria de Arte Aplicada, SP (2003).



Participou de inúmeras exposições no exterior, destacando-se entre elas: Brazilian American Cultural Institute, Washington, Estados Unidos e

Brazilian Trade Bureau, Nova York, EUA (1977); Galeria Debret, Paris, França; Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal; Casa do Brasil, Madrid, Espanha; Casa do Brasil, Roma, Itália (1985); Galeria Studio Sposito, Napoli, Itália (1991); Galeria La Seggiola, Salerno, Itália (1992); Associazone Culturale Dedalos, San Saverio, Itália (1993); Centro Culturale L'Approdo, Avellino, Itália (1994).

Esteve presente também nas seguintes mostras coletivas: I e II Bienal da Bahia, Salvador (1966 e 1968); IX, X, XI, XII, XIV Bienal Internacional de São Paulo (1969 1970, 1971, 1973 e 1977); Pré-Bienal Nacional, SP; I Bienal de Santos (1970); "Arteônica", Mostra Internacional de Arte Eletrônica, Faap, SP; I e II Bienal Nacional, SP (1972 e 1976); I, III e V Bienal Ibero-Americana, México (1980 1982 e 1986); II Bienal de Havana, Cuba (1986); "Sincronias"; MASP, SP; M.N.B.A, Rio de Janeiro e Brasília; Galeria la Seggiola, Salerno, Itália (1991); Instituto Ítalo-Latino Americano, Roma, Itália (1992); Fiera Ultramare, Bari, Itália (1993).