O expressionismo abstrato de Sarah Goldman retransforma o ar, a luz e o sentido pânico da natureza

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
15/02/2008 09:35

<i>Pastoral Noturna</i><a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Pastoral noturna.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Sarah Goldman<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Sarah Goldman Belz.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> <i>Leque</i><a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Leque recorte.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

A arte de hoje obedece a uma pluridisciplinaridade que invade a ciência e a tecnologia. Os "ismos", as tendências ou as correntes específicas coexistem numa gigantesca confrontação que gera o renovar da criação.

O expressionismo abstrato de Sarah Goldman nos transmite imagens criadas tanto pelo gestual quanto pelo vigor do seu metier de pintora. O seu discurso pictórico explode no tratamento da cor. Claros e escuros são tratados com justo equilíbrio de tons, embora evidenciando o forte temperamento da artista.

Longe de qualquer intelectualismo banal e de teorias fantasmagóricas, suas obras possuem texturas que criam um clima de mistério e formas enigmáticas. Em suas superfícies, sejam planas, enrugadas ou repletas de tramas, sejam brilhantes ou opacas, o ritmo é constante.

De nossa parte, acreditamos que a sabedoria de sua pintura é num certo sentido escondida. Dela não nos advertimos. Antes, temos a impressão ao primeiro impacto de um abalo dos sentidos. Depois, a fantasia reúne os sentidos que pareciam esparsos e, atrás da preciosa força da luz no interior mesmo da matéria, alguma coisa se agrega, a estrutura se recompõe. O quadro se torna, frente a nossos olhos, um mundo recriado, a memória de algo que se infiltrou dentro de nós e que não sabíamos nem mesmo possuir: magia da cor e de seu poder de transfiguração.

O crítico Alberto Beuttenmüller ressalta, com muita propriedade, que seu expressionismo "é tropical, de cores fortes, expressionismo mágico, manejado pela intuição e os mistérios de sua consciência". Assim são as obras "O Leque" e "Pastoral Noturna", doadas respectivamente pelo deputado Walter Feldman e pela própria autora ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo. A pintura de Sarah Goldman se retransforma, mexe no interior da memória, mas não se apaga. A artista sabe lidar com o ar, a luz e o sentido pânico da natureza.



A artista

Sarah Goldman nasceu em São Paulo, em 1940. Possui uma formação das mais diversificadas, que vai da música à saúde pública e as artes plásticas. Estudou piano com Israel Pelafski (1947 a 1953); violão com Paulo e Elza Nogueira (1964 a 1968); vocalização com Gioconda Peluso (1964); desenho com Antonio Carelli, na Fundação Armando Alvares Penteado (1970 e 1971).

Freqüentou ainda, na Escola Brasil, cursos de pintura com Carlos Fajardo, desenho com Frederico Nasser, escultura com José Resende (1971 a 1975), projetos com Luiz Paulo Baravelli, na oficina de metais do Senac (1954), gravura em metal no ateliê de Rafael Maia Rosa (1975 e 1976), expressão corporal com Ana Maria Barros (1975 e 1976), trabalho de corpo com José Ordoñes, Wilson Silva e Cristina Bandini (1982 a 1984). Formou-se em 1959 pela Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Desde 1975, participa de salões, exposições coletivas e mostras individuais, no Brasil e no exterior, destacando-se: exposição de gravuras do Grupo 4ª Feira, na Galeria Alerida, Madri, Espanha (1977), e na Whipptons Gallery, Johannesburgo, África do Sul (1978); Mostra de Aquarelas, na Fundação Juan Miró, Barcelona, Espanha. Foi convidada especial do Salão Internacional Brasil " Extremo Oriente, Museu de Belas Artes de Taipe, Taiwan, e na Bienal Internacional de Havana, Cuba (1986); Gravuras na Galeria Galpão, em Montevidéu, Uruguai (1987); 1ª Mostra Brasil " China, Galeria de Belas Artes de Pequim, China (1988); Museu de Arte Moderna do Século XX, em Los Angeles, Estados Unidos (1990). Expôs ainda em Bogotá e Cali (Colômbia); Salerno, Nápoles, Roma e Milão (Itália), em mostras individuais organizadas pela Galeria La Seggiola, em 1991.

Participou de exposições coletivas e individuais no Museu de Arte Brasileira, SP, Museu de Arte de São Paulo, Paço das Artes, SP; Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; Museu Villa Lobos, Rio de Janeiro; Museu da Casa Brasileira, SP; Museu de Arte Contemporânea, SP; e Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

Suas obras encontram-se em coleções particulares no Brasil, Israel, Itália, Espanha, Colômbia e China, em vários museus e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.