Nicolau Tuma, o speaker metralhadora


13/02/2006 17:35

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ex-Deputado Nicolau Tuma<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Dep Nicolau Tuma (4).jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> O corpo de Nicolau Tuma foi velado no Hall Monumental da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Dep Nicolau Tuma (6).jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Faleceu na noite do último sábado, 11 de fevereiro de 2006, no Hospital Sírio Libanês o ex-Deputado Nicolau Tuma. Nascido na cidade Jundiaí, Estado de São Paulo, em 19 de janeiro de 1911, era filho do comerciante libanês José Tuma, e Da. Emilia Tuma. O casal teve mais sete filhos.

Iniciou seus estudos no Colégio Oriental, e posteriormente cursou o Liceu Rio Branco, o Instituto de Ciências e Letras e a Escola de Filosofia do Colégio São Bento. Formou-se em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na turma de 1931. Ainda como estudante na faculdade, presidiu o Partido Acadêmico e dirigiu o jornal O Acadêmico.

Em 1928, iniciou a carreira jornalística como tradutor de telegramas e copidesque da última página do Diário Nacional, órgão do Partido Democrático - PD. No ano seguinte quando cursava o terceiro ano de Direito, participou de um concurso para locutor na Rádio Educadora Paulista, saindo o vencedor.

A convite de Paulo Machado de Carvalho, que entendia que o rádio deveria ter profissionais com nível superior, transferiu-se para a Rádio Record de São Paulo, na qual participou ativamente como uma das vozes da Revolução Constitucionalista de 32, ao lado dos locutores César Ladeira e Renato Macedo. Coube a Nicolau Tuma, no dia 10 de julho de 1932, a leitura da primeira nota oficial governo paulista, que anunciou a deflagração do movimento revolucionário na noite anterior.

Foi o autor do termo "radialista", para os profissionais que trabalhavam no rádio: era a junção da palavra rádio com adjetivo idealista. Foi o primeiro profissional a transmitir uma partida de futebol, nos moldes que são ouvidas até hoje. Foi cognominado pelo humorista Barbosa Júnior, de "speaker (locutor) metralhadora", pela rapidez que narrava. Tuma chegava a falar até 250 palavras por minuto. Também foi o responsável, a partir de 1934, a convite da rádio carioca Mayrink Veiga, pelas transmissões da famosa corrida automobilística, que era realizada anualmente, no "Trampolim do Diabo", no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, com a participação de grandes nomes do esporte brasileiro e do mundo.

Em 1943 foi contratado por Assis Chateubriand para ser diretor da Rede de Emissoras Associadas do Brasil. No final da noite de 6 de junho de 1944, recebeu uma ligação telefônica de um funcionário da rádio associada Tamoio, dando conta do recebimento de um telex comunicando que os aliados haviam desembarcado nas praias da Normandia, na França. Nicolau Tuma convocou os técnicos da emissora, que a colocaram no ar e ainda de madrugada o Brasil era informando do "Dia D".

Ainda em 1944, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Rádio - ABR, com sede no Rio de Janeiro. Trabalhou também nas Rádios Cultura, Difusora e em 1945, ocupou na Bandeirantes o cargo de diretor comercial da emissora.



Após a promulgação da nova Constitucional Federal de 1946, e o retorno no Brasil ao regime democrático, após oito anos da ditadura do Estado Novo, candidatou-se pela União Democrática Nacional - UDN, em 9 de novembro de 1947, ao cargo de Vereador à Câmara Municipal de São Paulo, exercendo seu mandato na legislatura de 1948/1952. Foi reeleito mais duas vezes para as legislaturas de 1952/1956 e 1956/1959.

Em 1948 foi membro da Divisão de Circulação e Transporte do Instituto de Engenharia de São Paulo, e no ano seguinte foi escolhido presidente de honra do I Congresso de Trânsito de São Paulo. Em 1953 concluiu os cursos de Direito Internacional Público e de Direito Penal na USP.

Candidatou-se ao cargo de vice-prefeito de São Paulo em 1955, não logrando êxito. Na Câmara Municipal de São Paulo presidiu a Comissão de Urbanismo e Obras Públicas e foi vice-presidente das Comissões de Justiça e de Serviços e Utilidade Pública, atuando como vice-líder da UDN. Foi autor de mais de dois mil projetos no âmbito municipal.

A convite do governador Jânio Quadros, foi Diretor do Serviço de Trânsito de São Paulo (hoje Detran), entre 1956/1958. Foi de sua iniciativa as Semanas Educativas de Trânsito nas escolas primárias, secundárias e profissionais.

Concorreu em 03 de outubro de 1958, a uma vaga na Câmara dos Deputados, pela UDN, sendo eleito com 17.537 votos. Assumindo o mandato em fevereiro seguinte, foi um dos primeiros parlamentares a se transferir para Brasília, quando da mudança da nova Capital do Brasil, integrando a comissão de estruturação da UDN no Distrito Federal. No exercício do mandato foi destacado para acompanhar o problema das telecomunicações e em 1962, foi relator do Código Nacional de Telecomunicações, do Código Nacional de Trânsito e um dos fundadores da Embratel. Nas eleições de 7 de outubro de 1962, concorreu à reeleição para Deputado Federal pelo seu partido, com o apoio da Aliança Eleitoral pela Família (Alef), obtendo a primeira suplência com 11.743 votos, mas assumiu a cadeira, por licença de titular.

Participou na Câmara Federal de diversas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), inclusive a investigou o envolvimento financeiro da televisão Globo com a empresa jornalística norte americana Time-Life. Com o fim do pluripartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional - ARENA, pela qual em 15 de novembro de 1966 candidatou-se mais uma vez como Deputado Federal, reelegendo-se com 28.713 votos, o 11º colocado de uma bancada de 32 parlamentares.

Exerceu o mandato até 8 de outubro de 1968, quando por Decreto do governador Roberto Costa de Abreu Sodré, foi nomeado para o cargo de Ministro (hoje Conselheiro) do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Antonio Ezequiel Feliciano da Silva. Foi Vice-presidente do TCE em diversas oportunidades; exercendo sua presidência em 1979 e em 1980. Aposentou-se do TCE, em 1981, quando completou 70 anos de idade.

Em 2000 foi o representante da Prefeitura de São Paulo, no Conselho Municipal de Turismo.

Foi casado com Da. Julieta Dabus Tuma, com teve uma filha, Ana Maria. Viúvo casou posteriormente com Da. Lúcia de Barros Tuma.

O corpo de Nicolau Tuma foi velado no Hall Monumental da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e o enterro realizado na tarde do domingo, dia 12 de fevereiro, no cemitério São Paulo.