Funcionários do Metrô denunciam discriminação contra obesos


28/10/2004 20:47

Deputado Renato Simões preside a reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/DriHumano1.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Diretores do sindicato dos metroviários e agentes de segurança da Companhia Metropolitano de São Paulo denunciam medidas da companhia consideradas discriminatórias contra funcionários obesos<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/hist/DirHumano2.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Diretores do sindicato dos metroviários e agentes de segurança da Companhia Metropolitano de São Paulo (Metrô) participaram de reunião com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Renato Simões (PT), nesta quarta-feira, 27/10, para denunciar medidas da companhia consideradas discriminatórias contra funcionários obesos.

Bernardo Barbosa e Alex Fernandes, da direção do sindicato, informaram à Comissão que o Metrô implementou, desde outubro de 2003, um programa de redução de 5% da massa corpórea dos agentes de segurança considerados obesos. Segundo os sindicalistas, a empresa teria deliberado que aqueles funcionários que não atingissem a meta determinada de redução de peso seriam transferidos para outros departamentos ou, em caso de não haver disponibilidade de vagas, desligados. Os metroviários dizem que a decisão da direção da empresa está documentada em correspondência, encaminhada ao sindicato em dezembro de 2003. O documento foi entregue à comissão dos agentes do Metrô em abril de 2004.

Constrangimentos

Benedito Barbosa informou que 80 funcionários foram considerados com excesso de peso. O programa de redução de massa corpórea foi implementado em 10 semanas consecutivas e, ao final da série de exercícios físicos, os funcionários foram chamados para avaliação, pelo coordenador de segurança. Nessa ocasião, teriam sido publicados os nomes daqueles que não atingiram as metas. "O anúncio do resultado da avaliação produziu constrangimentos àqueles que não atingiram as metas", disse Barbosa. O sindicalista acrescentou que foi dado aos funcionários um livro com a finalidade de fazer no final deste ano um nova avaliação.

O representante da federação dos trabalhadores metroviários, Wagner Fujardo, diz que a atitude da direção do Metrô é inédita e não está baseada em nenhuma fundamentação científica. "O fato de um agente de segurança ser gordo ou magro não quer dizer que desempenhe melhor ou pior suas funções".Para Fujardo, se a empresa está preocupada com a saúde dos seus funcionários deveria promover um bom programa de acompanhamento médico, que não agrida a individualidade das pessoas. Segundo ele, há ainda um aspecto controverso relativo ao conceito do corpo de segurança da companhia. "O padrão físico que está sendo exigido condiz com o tipo de atuação repressiva. Porém, acreditamos que a atuação dos agentes deve se dar mais pela presença, com finalidades educativas e de orientação aos usuários".

Alex Fernandes disse que a situação imposta aos funcionários caracteriza-se como assédio moral, uma vez que aqueles que não se submeterem ao condicionamento estão ameaçados de demissão.

O médico Paulo Sampaio considera o caso inusitado e aconselhou o sindicato a encaminhar o programa de redução de massa corpórea aos Conselhos regionais de Medicina e de Nutrição para que seja feita uma avaliação técnica. Para ele, é preocupante a implementação de um programa sem que haja a supervisão e o aval de médicos e nutricionistas responsáveis. Sampaio atentou também para os riscos inerentes a utilização de medicamentos e dietas que podem causar depressão, psicose e neurose.

O agente de segurança James Taiti, 39 anos, há 16 anos trabalha no Metrô e disse estar vivendo uma situação constrangedora por suas condições físicas.

Chacotas

"O processo de avaliação fez cair a minha auto-estima, virei motivo de chacota entre os colegas e fui afetado pela psoríase", declarou.

Os metroviários reclamam que o programa de redução de peso não tem supervisão médica e que não existe um programa de condicionamento físico estruturado para atender às necessidades e à decisão voluntária dos funcionários.

A deputada Ana do Carmo (PT) avalia que o episódio é grave, por seu conteúdo "ditatorial e discriminatório". As denúncias feitas pelos sindicalistas devem ser encaminhadas aos demais membros da Comissão de Direitos Humanos. O deputado Renato Simões disse que convidará o presidente, o diretor de Recursos Humanos e o coordenador de Segurança para que apresentem nas próximas semanas suas explicações sobre a implementação do programa e seus propósitos.