Os labirintos enclausurados na obra geométrico-abstrata de Camilla Passarelli

Museu de Arte do Parlamento de São Paulo
04/10/2006 16:05

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Geometria Ponto e Contraponto II<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Camilla Passarelli obra-dia 04.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Camilla Passarelli<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Camilla Passarelli-dia 04.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Geometria Ponto e Contraponto I<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/03-2008/Camilla Passarelli obra2-dia 04.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Promulgando sua doutrina sobre a linha, o plano e a cor, os artistas futuristas previam nos idos de 1920 que suas criações assumiriam um lugar de destaque nas "atividades cooperativas do mundo exterior, onde elas representariam a quintessência da genialidade". Pintores, escultores e arquitetos de então propunham como finalidade uma vida autêntica num mundo autêntico e rejeitavam, para esse efeito, a linha reta, porque eles a consideravam morta e estática, a menos que fosse reforçada por contrastes.

Curiosamente, em 1921 a pintura de Kandinsky envereda numa direção totalmente nova: a geometria que ninguém esperava em sua obra faz sua aparição. "A figura geométrica na arte é um meio plástico em vista de um fim mais exaustivo", afirmavam os intelectuais da época que defendiam que ela deveria se dobrar a uma imaginação bem oriental e aceitar as mesclas às mais surpreendentes.

Sem estabelecer um paralelo rigoroso com a obra atual de Camilla Passarelli, observamos que o vocabulário desta artista é voluntariamente ampliado com o concurso de cores fortes e marcantes. Sua geometria abstrata, diversificada e plena de fantasia,

tem como elementos principais o retângulo e o quadrado envolvendo figuras simbólicas, dentro de uma estrutura em planos ortogonais.

Na maioria das vezes, a composição se desenvolve em diversos sentidos, embora criando células estanques que envolvem as formas sobre tons de branco, preto e vermelho. A superfície pintada reflete força, dinamismo, contraste e visibilidade na busca de um equilíbrio.

Nas versões I e II da obra Geometria Ponto e Contraponto, Camilla Passarelli constrói solidamente e exprime uma profundidade imaginária através da variação cromática que utiliza. À distancia, seus quadros dão a impressão de verdadeiros labirintos fechados.

A artista

Camilla Passarelli, pseudônimo artístico de Maria Camila Passarelli,

nasceu em Sorocaba, em 1954. Cresceu na cidade de São Paulo, onde se formou psicóloga. Seu interesse pelas artes a levou a participar de cursos livres, desenvolvendo trabalhos inicialmente em tapeçaria e depois investigando diferentes disciplinas, a partir da cerâmica.

Durante alguns anos desenvolveu técnicas de modelagem e esmalte, dedicando-se à cerâmica utilitária e decorativa. A partir de 1999, passou a se interessar pela pintura sobre tela e outros materiais, pesquisando diferentes texturas e técnicas mistas.

Atualmente, é diretora cultural da Galeria Navegare Art & Design, em Paraty, RJ, onde organiza mostras e exposições de diversas disciplinas artísticas e desenvolve intenso trabalho de gestão cultural.

Realizou os seguintes cursos: restauração em antiguidades (1993 e 1995), com Sinara Trein de Aguiar; Modernas Técnicas de Restauração de Telas, com Gustav A. Berger (1993); modelagem em cerâmica, com Dora Algodoal (1995); workshop de cerâmica, com Sara Carone (1996); esmaltes cerâmicos, com Célia Cymbalista (1996); moldes para cerâmica, na FAAP (1996); workshop de cerâmica Raku, com Paul Soldner (1996); ateliê de cerâmica (1995-1997); pintura sobre tela, com Gislene Marques (1999-2003); e história da arte, em Nova York e Washington, nos Estados Unidos, e na Galeria Mali Villas-Bôas, em São Paulo (2004).

Participou ainda de diversas exposições individuais e coletivas, entre elas: "Fragmentos", na Galeria Mali Villas-Bôas, São Paulo (2002); 7º Salão de Artes Plásticas da Galeria Mali Villas-Bôas, "Arte In Forma", São Paulo (2003) ; "450 Anos de São Paulo", no Centro Cultural Santa Catarina, São Paulo (2004); XXIX Semana de Portinari, Brodowski, SP (2004); Espaço Cultural Spasex, São Paulo (2004); "Intromissão da Cor", na Galeria Mali Villas-Bôas, São Paulo (2004); Espaço "Compasso Arqui Design", São Paulo (2004); "450 Anos de São Paulo", na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (2004); 2ª edição do "Festival das Artes Plásticas de Paraty", RJ (2006); e Galeria Navegare Art & Design, em Paraty, RJ (2006).



Possui obras em diversas coleções particulares e nos acervos da APAE, Fundação Cafu e Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, em São Paulo.