PERVERSIDADE DO DESTINO - OPINIÃO

*João Caramez
07/02/2002 10:57

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O País ainda está abalado com os últimos acontecimentos envolvendo os prefeitos de Campinas e Santo André. Ocorrências como estas alimentam os programas eleitorais de oposição ao governo. A história se repete, mudam os personagens, mas a história é a mesma, violência. Meu saudoso irmão também foi vitíma dessa violência, muito antes do governo do PSDB. O problema da Segurança vem há muito tempo.

Veja esta notícia: "São numerosas as queixas contra a falta de policiamento que temos recebido. De quase todos os bairros nos têm vindo essas queixas... Mais uma vez, na rua de São João, na esquina do largo do Paysandú até a esquina da rua Duque de Caxias, verificamos que não havia praça (polícia) nenhuma. É, precisamente, esta ausência de polícia, o que se observa em quase todos os bairros de São Paulo e quase todas as noites".

O governador Geraldo Alckmin, ou melhor, o governador Fernando Prestes de Albuquerque deve ter solicitado urgentes providências ao seu secretário de Segurança, ao ler esta matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 14 de agosto de 1899, exatamente há 102 anos. Isto mesmo, há 102 anos!

Em 1899, o Brasil tinha 17 milhões de habitantes a mesma população que temos hoje nos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo. Moravam em São Paulo cerca de 200 mil paulistanos, o mesmo número de moradores de Itapevi, onde fui prefeito.

Naquela época a prefeita, nem pensar! Mulher não votava, nem era votada. O prefeito era Antônio da Silva Prado, o nosso primeiro alcaide. Sem antecessor para jogar a culpa, Prado iluminou a cidade, abriu ruas como Quintino Bocaiúva, Álvaro Penteado e XV de Novembro, reformulou os Largos do Paissandu, da Liberdade e o Jardim da Luz. Fez o Teatro e o Mercado municipal e trocou o burro do bonde pela eletricidade. Foi um bom prefeito, mas só liberou a cadeira 22 anos depois, sem resolver o problema da Segurança, mesmo sendo oposição. Antonio da Silva Prado tinha sido deputado do império derrubado.

Se em 22 anos só tivemos um prefeito pelo governo do Estado passaram, nesse período, Fernando Prestes, Rodrigues Alves, Domingos de Morais, Bernardino de Campos, Jorge Tibiriçá, Albuquerque Lins e pelo jeito também não resolveram o problema de Segurança.

Acredito em milagres. Sou católico praticante e fui coroinha da Igreja Matriz de São Judas Tadeu, em Itapevi, no tempo do saudoso padre Romeu Mecca e do irmão Francisco. Mas resolver o problema de Segurança em São Paulo, existente há 102 anos, em sete anos de governo, só um milagre! Como não temos santo milagreiro na política, a questão da Segurança só poderá ser resolvida com muito trabalho e participação de toda sociedade.

O governo Covas/Alckmin não foge da raia. Trabalha duro para melhorar a nossa Segurança. Não tenha dúvidas, a Polícia de São Paulo, hoje, é a melhor do País, não desprezando os outros Estados, mas é uma questão de recursos humanos, técnicos e financeiros.

Mas, se possuímos a melhor Polícia, contamos, também, com os maiores problemas. O Estado de São Paulo acolhe 35 milhões de brasileiros e possui a quarta maior concentração urbana do planeta, a Região Metropolitana de São Paulo.

Como cidadão paulista, que mora na periferia da Capital, gostaria que nossa polícia fosse mais ágil e eficaz. Gostaria, igualmente, que os casos envolvendo os prefeitos de Campinas e Santo André fossem resolvidos rapidamente. Mas, como político, deputado estadual e ex-secretário de Estado que trabalhou ao lado de Mário Covas e Geraldo Alckmin, compreendo é difícil colocar ordem na casa.

O mau humor, a carranca de Covas quando o assunto era segurança, não era porque ele não gostava de Polícia. Era porque ele conhecia a dimensão do problema, como poucos e sabia também o seu limite de caixa, que controlava diariamente. Controlava com rigor, porque ele tinha consciência que o dinheiro não era dele e, sim, o nosso.

Nos três primeiros anos da atual administração não tínhamos dinheiro. O Estado estava quebrado. Nos dois últimos desgovernos, antes de Covas, um quebrou o Banespa e o outro levou o cofre. A população reclamava da Segurança e não tinha resposta. Mas invocava, igualmente, por Educação, Saúde, Habitação. Das estradas, as demandas não tinham fim. Transitar pela Castelo Branco até Itapevi era uma aventura, tamanha a quantidade de buracos.

O povo teve paciência e Covas/Alckmin fizeram a sua parte, colocando as finanças do Estado em dia. Na Educação, 4,5 milhões de alunos passaram de quatro para cinco horas de aula/dia, o que representa um ano a mais de estudo. Na Habitação, 140 mil unidades habitacionais foram entregues. Na Saúde, doze dos quatorze esqueletos de hospitais foram concluídos, aumentando para 4.000 o número de leitos disponíveis na rede pública. Dar uma vida digna ao povo também é Segurança. Hoje vou para Itapevi pela Castelo Branco, não tem buraco está iluminada, segura, o transito flui tenho socorro médico, mecânico e pago R$ 3,50 de pedágio.

E a Segurança? De 1899 até 1995, o governo de São Paulo criou 50 mil vagas nas penitenciárias. Com Covas/Alckmin foram abertas mais 43 mil o custo de uma penitenciária no governo Covas caiu 62% a mais para construir uma penitenciária, é brincadeira! Em 1995, a polícia prendia 2.000 bandidos por mês, hoje 10.000. Foram investidos R$ 400 milhões em viaturas (11mil), 5 helicópteros, armas, equipamentos de informática e telecomunicações. O número de policiais militares passou de 73 para 82 mil e 22% da Polícia Civil foi renovada. Os policiais receberam aumento, mais seguro de vida, mais habilitação e novos treinamentos. Neste mês de janeiro o governador Alckmin tomou novas medidas para incrementar a Polícia com mais 12 mil homens.

É uma perversidade do destino São Paulo ser o centro da violência, justamente o Estado que nos últimos sete anos, durante o governo Covas/Alckmin, recebeu os maiores investimentos da história da Segurança.



*João Caramez é deputado estadual pelo PSDB.

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