A vitória do governo contra o PCC

OPINIÃO - Afanasio Jazadji*
12/12/2002 14:05

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Já elogiei e volto a aplaudir a ação eficaz do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no processo que culminou no desmantelamento do Primeiro Comando da Capital (PCC), essa facção que aterrorizava os presídios e a população. Foi uma das mais importantes vitórias obtidas na guerra contra o crime. Na verdade, o serviço de inteligência teve papel fundamental nesse quadro. O fato de as informações voltarem a ocupar a posição central que lhes cabe na ação da polícia aumenta a esperança da sociedade de em breve se ver livre da situação de insegurança e pânico criada pelos criminosos.

A destruição das centrais telefônicas do PCC foi o primeiro grande sinal de que a tática do governo Alckmin estava certa. Em seguida, o isolamento dos chefões do PCC no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, dotado de bloqueador de telefones celulares, foi mais um passo decisivo. Sem meios de comunicação, os líderes dessa organização passaram a usar suas mulheres como intermediárias para prosseguir em suas ações criminosas. Foi algo que sugeri deste os tempos do governador Mário Covas: preso tem de ser preso de verdade, sem regalias, como aquelas que levaram a inúmeros motins.

O diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt, comentou que essa ação do governo de isolar os líderes do PCC criou ciúmes entre as mulheres. Isso acabou gerando mortes. Bombas foram colocadas onde não eram para ser colocadas e a liderança rachou. O fato é que o ano de 2002 se encerra de modo animador quanto às perspectivas de combate ao crime. Tivemos sete anos de triste avanço dos bandidos, de 1995 a 2001, mas este ano mostrou uma luz no fundo do túnel.

O Estado de São Paulo tem uma grande lição a tirar do episódio do combate vitorioso contra o PCC: a necessidade de consolidar e ampliar o serviço de inteligência da polícia, que desde o fim do regime militar foi relegado a terceiro plano. Os graves e inegáveis abusos cometidos então estigmatizaram os serviços de informações e tornaram politicamente correto desativá-los. Desse erro aproveitaram-se os bandidos de todo tipo e porte, principalmente os ligados ao crime organizado. Eles incrementaram sua atuação e ampliaram as áreas sob seu domínio, na Capital, no Interior e no Litoral.

Nos últimos meses, graças às mudanças introduzidas pelo governador Alckmin é que se começou a enfrentar a patrulha ideológica nos meios policiais. A inteligência voltou a merecer atenção. Não há no mundo polícia eficiente que não dedique cuidado especial e grandes recursos materiais e humanos aos serviços reservados, secretos. Isso ocorre nos países democráticos e desenvolvidos, como os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, o que comprova não ser algo incompatível com o Estado de Direito como diz a "turma protetora só dos direitos humanos dos bandidos", já tão desgastada em nosso país.

Se organizado dentro do estrito respeito às normas legais, como vem ocorrendo em São Paulo, esse serviço possibilita à polícia orientar melhor suas ações, deixando de lado o uso cego da força bruta, que além de ineficiente é uma ameaça aos direitos dos cidadãos. Nesse ponto, tenho orgulho da participação da Assembléia Legislativa no episódio: como deputado estadual, sugeri ao governador Alckmin uma série de medidas que acabaram sendo colocadas em prática. Conselhos úteis, governo eficaz.

*Afanasio Jazadji é radialista e deputado estadual pelo PFL

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