Opinião - O José que ficará para a história
É com grande pesar e muitíssima tristeza que escrevo este artigo. Morreu em São Paulo, em 29/3, aquele que já chamei de parceiro ideal do Brasil e até mesmo soldado. José Alencar, o Zé para os mais próximos, vai, mas deixa aqui conosco saudades e a lembrança de um homem que lutou e venceu, sim, venceu as expectativas de todos e mostrou que a força e a vontade de vencer são as características que sustentam os melhores homens.
O ex-vice-presidente do Brasil era também o presidente de honra do Partido Republicano Brasileiro, do qual sou presidente estadual. Uso este espaço também para representar os milhares de filiados deste partido que se espelharam nele para carregar a bandeira do republicanismo, sua morte nos deixa quase que órfãos. Mas tenho certeza de que não somos apenas nós do PRB que nos sentiremos assim, além de sua família, é claro, a nação brasileira acompanhou de perto sua luta contra o câncer e se emocionava a cada retorno ao hospital e as vezes que, em seus pronunciamentos, mostrava toda a sua força e fé. Alencar lutava contra um câncer no abdome há mais de 13 anos e já havia passado por 17 cirurgias.
Esse mineiro será, sem dúvida, um daqueles grandes homens da nossa história que será referência até mesmo nos livros de história, porque em nosso tempo seu nome já remete à força e ao trabalho. Zé foi um dos homens mais humanos que já conheci, e essa postura é reconhecida e respeitada por todos. Em 2009, escrevi neste mesmo espaço um texto intitulado "O parceiro ideal do Brasil", homenageando o trabalho e a força de Alencar, e, para minha surpresa, dias depois recebi uma carta de agradecimento na qual o então vice-presidente da República afirmava que ficou sensibilizado e agradecido com esse tipo de manifestação que, segundo ele, muito o ajudava a enfrentar com ânimo e fé o tratamento ao qual se submetia.
Em 1997, aos 66 anos, após um check-up, Alencar descobriu tumores em um rim e no estômago. Em 2002, outro check-up deu a notícia: câncer de próstata. Após a posse, em 2003, o vice também tirou a vesícula, depois colocou um "stent" para desobstruir uma artéria do coração e também operou uma hérnia. Em 2006, em plena campanha da reeleição, mais um check-up e outra má notícia: um sarcoma retroperitonial, que é recorrente.
De lá para cá vieram as quimioterapias, novos tratamentos e internações, mas, mesmo assim, surpreendendo todos Alencar se mostrava firme, alegre e otimista.
Muitas foram as frases de superação ditas por ele que rechearam os noticiários brasileiros, isso porque sua postura impressionava pela força de vontade de viver. Em um desses momentos, Alencar disse: "Se Deus quiser me levar, não precisa de câncer. Se Ele não quiser me levar, não há câncer que me leve. E tudo indica que Ele não quer me levar agora". Outra frase que teve também muito destaque na imprensa foi: "Eu não tenho medo da morte. Entreguei a Deus". E aos que passam por uma situação semelhante, ele disse "Sem desespero. Tem de encarar de frente e nunca desmobilizar". Realmente, ele foi um exemplo para muitos que, como ele, lutam contra o câncer.
Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro de 1931, no município de Muriaé (MG). Aos 14 anos de idade saiu da casa de sua família para trabalhar como balconista. Alencar também foi viajante comercial, atacadista de cereais, dono de fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções. Ele era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixou três filhos. Alencar era um bem-sucedido empresário e se destacava como um homem público honrado e de ilibada conduta. Recebeu inúmeros títulos de reconhecimento e condecorações, mas como político foi muitas vezes polêmico. Como vice-presidente, teve voz por vezes discordante, mostrando-se contrário à política econômica vigente na época, inclusive ao plano de manter os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.
Considerado pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009, Alencar foi também um dos maiores empresários de Minas Gerais, além de senador pelo mesmo Estado. Por toda a sua história e pela sua postura humana, José Alencar merece nosso respeito e o das gerações vindouras, sua atuação política com certeza marcará a nossa história.
Para finalizar, deixo aqui uma frase do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare: "Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez". Foi assim que José Alencar passou por essa vida, de maneira simples, transparente e sincera, sem medo de viver ou morrer. Viveu à sua maneira, preocupando-se com o nosso país e, acima de tudo, preocupando-se com o próximo.
É com respeito e tristeza que peço a Deus que conforte os corações de todos os seus familiares. Espero que as palavras de força do José possam ecoar por muito tempo para que os jovens e adultos de nosso país se espelhem na força desse homem. Adeus, José Alencar, adeus, grande homem.
*Gilmaci Santos é deputado estadual pelo PRB e presidente estadual do partido, também participa das comissões de Defesa dos Direitos do Consumidor e de Economia e Planejamento.
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